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José Dirceu: "Não sou um robô" opinando sobre taxas de juros

13 setembro 2004 - 19h52

O ministro José Dirceu (Casa Civil) afirmou hoje que não vê pressão sobre os preços no país que possa "colocar em risco o controle da inflação" e defendeu seu direito de discordar do BC sobre o assunto dizendo que não é um "robô". O Copom (Comitê de Política Monetária, do Banco Central) se reúne nesta semana para decidir sobre a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic). Para a maioria dos analistas de mercado, o Copom deve anunciar na quarta-feira um aumento de até 0,5 ponto percentual na taxa de juros, que hoje está em 16% ao ano. O BC tem alertado para o risco maior de inflação nas últimas semanas e a elevação dos juros serviria para reduzir as pressões sobre os preços. No entanto, a alta dos juros poderia também desaquecer a economia --que dá sinais de crescimento- e elevar o desemprego. Apesar de discordar da análise do BC sobre a inflação, Dirceu se disse "disciplinado" dentro do governo Lula e sinalizou que não vai bater de frente com o Copom caso haja aumento de juros. Ele, entretanto, defendeu o debate. "Sai a ata do Copom [Comitê de Política Monetária, do BC] e ninguém pode falar sobre isso. Estamos ou não numa democracia? Eu tenho que tomar cuidado porque sou ministro e sou bastante disciplinado ao Lula. Mas também sou cidadão, sou parlamentar pelo meu Estado [SP], e tenho responsabilidades no projeto que o meu partido [PT] construiu em 23 anos. Não sou um robô que obedeço", disse. Na avaliação do ministro, "falar sobre economia é um problema, mas não falar é algo inacreditável". "Temos de tirar esse véu de proibição sobre o debate do endividamento interno sem preconceitos e sem nos opormos ao sistema bancário, que também é nacional", afirmou. No ataque, Dirceu deixou clara sua discordância com o BC em relação à inflação e a uma possível alta de juros. "Mas essa não é a opinião de quem tem o poder de tomar a decisão legal para o país [sobre o juro]", completou ele, se referindo ao BC, durante o Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Ele negou que haja ingerência do governo nas decisões sobre juros apesar de sinalizar que não acha que essa independência seja positiva. "O problema é que com a autonomia do Banco Central, a autoridade monetária tem autonomia para exercer seu papel em relação ao juro." Para José Dirceu, o BC já tem autonomia real."Não vejo como o país possa ter dúvida da autonomia do Banco Central. Ela é real, ainda que não seja constitucional." O ministro disse ainda que tinha a expectativa de que o juro básico da economia chegasse em dezembro em 13% ao ano. O mercado espera, segundo relatório semanal produzido pelo BC, um juro de 16,5% ao ano no final de 2004.

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