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Jornalista japonês se rebela contra o sistema de imprensa no país

20 novembro 2004 - 17h35

O jovem repórter Yu Terasawa, uma verdadeira pedra no sapato do burocrático e obscuro sistema de imprensa japonês, voltou a levar o governo aos tribunais depois de ter seu acesso negado a dois julgamentos. Respaldado por dois advogados, Terasawa, de 37 anos, se apresentou no Clube de Correspondentes Estrangeiros de Tóquio para anunciar uma queixa contra o Ministério da Justiça por fomentar restrições à liberdade de imprensa. Cansado de ser prejudicado por sua condição de jornalista independente, Terasawa explicou a cerca de cem colegas estrangeiros e locais que teve acesso negado a dois julgamentos realizados em 2003 nos tribunais provinciais de Sapporo e Tóquio, e que num deles foi impedido de obter uma cópia do veredicto. Nos dois casos, o colaborador da revista sensacionalista "Shukan Gendai" entrou em conflito com os clubes de imprensa ou "kisha kurabu", que controlam os credenciamentos e o acesso à maioria das fontes. Estas associações surgiram há mais de um século e hoje existem em praticamente todos os organismos públicos e em muitos centros privados. O objetivo dos clubes de imprensa é oferecer informação aos jornalistas cujas empresas pagam uma cota mensal para ter presença contínua neles. Só os grandes meios de comunicação, porém, podem se permitir a este luxo, dado o número elevado de clubes de imprensa, que, estima-se, passam de mil em todo o país. Originalmente, os clubes de imprensa foram concebidos para facilitar o trabalho dos jornalistas e o acesso às fontes, mas hoje eles são vistos pela imprensa estrangeira e por uma minoria nipônica como monopolizadores da informação, à qual os meios de comunicação não têm igual acesso. Mas entre os grandes meios de comunicação japoneses, também há vozes dissonantes, como a de Hiroaki Idaka, ex-dirigente da principal agência de notícias do país, a Kyodo. Idaka considera que é interessanate para o governo que este sistema exista e que há um temor de que "o equilíbrio se rompa" pela condição de quarto poder da imprensa. "É preciso romper com este costume para que haja mais transparência", opina. As queixas mais contundentes, contudo, sempre partiram da imprensa estrangeira credenciada no Japão, depois de diversos casos de correspondentes que constataram que as portas se fechavam para eles nas entrevistas coletivas. A polêmica chegou ao ponto de a União Européia (UE) fazer eco aos protestos e, em um relatório em 2002, qualificar os "kisha kurabu" como uma "restrição ao livre intercâmbio de informação". A poderosa Associação Nacional de Editores, reguladora e protetora do sistema, respondeu na época que "as proposições da UE refletem uma falta de compreensão do sistema" e se baseiam em "mal-entendidos, preconceitos e erros". Esta associação de imprensa, que reúne os grandes meios de comunicação japoneses, conta com um comitê dedicado unicamente a resolver os problemas derivados dos "kisha kurabu".  

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