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Jogo do bicho segue livre em Campo Grande

22 dezembro 2009 - 12h47

Na Avenida Afonso Pena, quase no cruzamento com a 14 de Julho, um dos pontos mais movimentados do centro comercial de Campo Grande, o jogo do bicho é opção livre para quem quer tentar a sorte contravenção, mesmo neste fim de ano de policiamento reforçado por causa das compras de Natal. A equipe do Campo Grande News fez apostas numa banca localizada nesse trecho, no valor de R$ 5,00, e constatou que o jogo é feito livremente e só foi interrompido após a informação de que se tratava de uma reportagem. Próximo dali, há um posto fixo da PM (Polícia Militar), mas policiais militares fazem vistas grossas à presença dos contraventores.

Quem vai ao centro frequentemente ou lá trabalha, sabe desse e de outros pontos do jogo do bicho. No entanto, ninguém fala sobre o assunto, restringindo-se apenas a afirmar que tem conhecimento de onde é possível fazer uma aposta.

Na Afonso Pena há diversas bancas, mais ou menos disfarçadas. As apostas não são mais feitas nas cabines de cor laranja, de antigamente. Elas saíram das calçadas da Capital, em julho de 2007. Mas o jogo nunca deixou de existir.

Aqueles que querem tentar a sorte tem a opção de bancas de revistas, ou em uma simples mesinha encostada na parede. Há também os “apontadores”, os “bicheiros” (como são chamados os responsáveis pela exploração do jogo proibido), que andam pelas calçadas com uma prancheta e talonários.

Em pouco menos de 50 metros de distância, a reportagem do Campo Grande News encontrou dois pontos de aposta. No primeiro, a responsável pelo local, de 50 anos, negou que seja uma ‘apontadora’.

“Já fiz apostas, mas faz três anos que não faço mais”, disse a comerciante. No entanto, antes dela negar, a reportagem viu apostadores no local e chegou a fotografar um dos bilhetes emitidos.

A comerciante disse que já trabalhou com o jogo do bicho, mas faz três anos que só vende bijouterias e revistas. “Eu parei porque agora estou vendendo mais mercadorias, então o lucro é um pouco maior”.

Segundo a comerciante, 20% do total das apostas ficam com o apontador. “Se vende R$ 100, 20 fica”, afirma. Conforme ela, muita gente quer jogar no bicho porque o ganho é certo. “Quem joga sabe que vai ganhar alguma coisa”.

Vizinho dela, um senhor afirmou trabalhar com o jogo do bicho. Com apenas uma mesinha encostada na parede, ele atende muitos clientes. “Tem homens, mulheres, gente de todo tipo”, afirmou.

Ele não quis dar detalhes sobre a atividade, nem revelar há quanto tempo trabalha com o jogo do bicho. Ele chegou a levantar da cadeira onde fica sentado à espera dos clientes.

Polícia -Com o reforço na segurança da área central, muitos policiais passam diariamente pelos apontadores. Os dois locais visitados pelo Campo Grande News - ficam a menos de 100 metros de pontos de concentração de policiais com suas viaturas.

O jogo - O jogo do bicho é antigo conhecido da sociedade. Mesmo sendo uma contravenção penal, é difícil encontrar quem nunca fez uma fezinha em um dos números dos 25 animais que dão nome à jogatina.

Enquanto a reportagem conversava com os apontadores, vários clientes chegaram. Mas acabaram não fazendo apostas porque os responsáveis diziam que ali não se fazia o jogo.

 

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