Em sua visita realizada recentemente a terra, Jesus pensou que o mais correto seria começar por uma igreja – já que, normalmente, se diz que a igreja é a casa de Deus – mas, infelizmente, não foi acolhido nem se sentiu em casa.
Com amargura e esperança, retomou o caminho, sempre na esperança de encontrar uma comunidade que verdadeiramente pudesse denominar “sua”.
Depois de muito andar, chegou a uma cidade habitada por cristãos que demonstravam um alto grau de conscientização social e política. Em toda a parte – nas escolas e nas igrejas, nos sindicatos e nos clubes, nas carreatas e nos desfiles –, gritava-se contra o imperialismo e denunciavam-se as elites.
A palavra de ordem era a opção pelos pobres e excluídos. Os grupos de reflexão liam e comentavam a Bíblia sob uma ótica nitidamente social, direcionada a combater as estruturas de pecado e o sistema iníquo. Na tentativa de se construir um novo modo de vivenciar a fé, a Igreja era vista com um olhar de comiseração, pois andava tão devagar, que ninguém mais esperava por ela... Parecia natural, então, que alguns partidos políticos passassem a merecer mais confiança do que ela.
Numa noite, Jesus foi convidado a participar de uma reunião de líderes, que se auto-definiam engajados e comprometidos. Acreditando que “um outro mundo era possível”, contagiavam pelo entusiasmo e esperança que transmitiam. Já o fato de o terem convidado sem lhe perguntar o nome, dizia muito mais do que o lugarzinho a que os “piedosos fiéis” o haviam confinado num banco da igreja que há pouco visitara.
Introduzido numa sala atapetada de manifestos, pôsteres e faixas, Jesus logo percebeu que o estilo que reinava no local não era precisamente aquele que ele esperava. Todos falavam e gesticulavam, tentando impor seus pontos de vista. Ninguém escutava ninguém. Ao mesmo tempo em que se apresentava uma plataforma política e econômica destinada a transformar o planeta num paraíso terrestre, tinha-se dificuldade em aceitar e acolher a quem pensasse diferente. Cada um trazia nas mãos a chave da solução de todos os problemas sociais, mas não se perguntava se ele mesmo vivia o que pregava e exigia dos outros.
A presença de Jesus foi logo notada, pois era o único que, em silêncio, escutava a todos e olhava no rosto de cada um. Em dado momento, depois de horas de discussão, quando o cansaço tomara conta de todos, foi dada a palavra também a ele.
Então Jesus começou a dizer: «A vós que escutais, eu vos digo: amai vossos inimigos; fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei os que vos maldizem; rezai pelos que vos injuriam. A quem te bater numa face, oferece-lhe a outra; a quem te tirar o manto, não lhe negues a túnica. Fazei aos outros o que quereis que eles vos façam!!» (Lc 6, 27-31).
Não conseguiu continuar. Alguém o interrompeu gritando: «Vá fazer sermão na igreja! A política é muito diferente!».
Outro perguntou: «Mas, quem convidou esse frade? Quem é você, afinal?»
«Sou Jesus de Nazaré».
O espanto foi geral. O tumulto ameaçou tomar conta da sala. De repente, um dos presentes sugeriu: «Poderíamos até aproveitar de sua ingenuidade. No fundo, parece ser um bom sujeito. Quem sabe, poderá conseguir uns votos a mais para o nosso partido!».
Todos começaram a rir e a caçoar. Entre gargalhadas e empurrões, Jesus se viu novamente na rua.
Se, na visita à igreja, ele encontrara uma religião fria e descomprometida, destinada a amordaçar as consciências, aqui o Evangelho se transformara numa mera ideologia. As palavras eram bonitas e altissonantes, mas a incidência na vida pessoal, pouca ou nenhuma. Os cristãos demonstravam acreditar mais na força da política do que da fé. Contudo, desligada da fé, a política acabara politicagem. Pretendia-se mudar a sociedade sem mudar os corações.
Graças a Deus, toda medalha consta de dois lados. Assim, continuando o seu caminho, Jesus agradeceu ao Pai pelos inúmeros cristãos para quem a fé é um autêntico compromisso social. Convencidos de que não se consegue amar a Deus se não se vive como irmãos, o procuram e servem em cada pessoa que passa ao seu lado.
Dom Redovino Rizzardo, cs
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