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Jefferson teria dito para entregar fita a diretor

23 junho 2005 - 13h38

O empresário Arthur Wascheck Neto disse hoje, em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, que, depois de ter em mãos a fita flagrando o ex-chefe de departamento dos Correios Maurício Marinho recebendo propina, foi aconselhado pelo amigo, Arlindo Molina, que é oficial de reserva da Marinha, a entregar a fita ao ex-diretor de Administração da ECT Antônio Osório. O sócio da empresa Comercial Alvorada de Manufaturados (Coman) disse ainda que quem teria sugerido a Molina esse procedimento teria sido o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). No entanto, Wascheck afirmou que não tem relações com Roberto Jefferson. Ele falou que, sabendo que Marinho teria sido indicado pelo PTB, o presidente do partido (Jefferson) poderia ajudar a derrubar o ex-diretor de compras da ECT. O sócio da Comam reiterou que seu objetivo com a gravação foi apenas o de atingir Marinho, e, não, causar a repercussão e a crise política que o assunto provocou. A decisãoO empresário disse que decidiu isoladamente gravar a fita que flagrou o ex-chefe dos Correios Maurício Marinho recebendo propina de R$ 3 mil de dois supostos lobistas porque teria começado a perder licitações por conta de um esquema ilegal em que Marinho participaria. Ele falou ainda à CPI Mista dos Correios que não teve a intenção de que a gravação virasse em um escândalo. "Não tenho aspiração política, nem sou filiado a partido". Wascheck Neto trabalha no ramo de licitação há 24 anos e disse ter quatro empresas: uma de representação e outra de compra e venda para o governo, além de uma agência de viagem e uma empresa prestadora de serviço de informática em aeroporto. Wascheck Neto disse que o responsável pela divulgação da fita junto à revista Veja foi Jairo Martins, o técnico que possibilitou a gravação do material. Segundo o empresário, as fitas mostravam que Marinho dizia ter acesso a Jefferson. O relator da CPI, Osmar Serraglio, disse que Joel Santos Filho, em depoimento à Polícia Federal, afirmou que a idéia de dar R$ 3 mil a Marinho, durante gravação da fita, foi de Wascheck. O empresário negou e disse que aceita fazer uma acareação com Santos Filho. Empresário denuncia favorecimento em compra dos Correios Artur Waschek Neto afirmou que a compra de três itens pelos Correios - tênis para carteiros, botas para operadores de triagem de correspondência e mala postal - passou a apresentar problemas depois que Maurício Marinho assumiu a chefia do Departamento de Contratação e Administração de Material da estatal. Uma das empresas de Waschek, a Comam, é fornecedora de materiais para a Marinha e para o Exército, além dos Correios. Ao responder às perguntas formuladas pelo deputado Osmar Serraglio, Waschek disse que há dois anos a estatal não recebe tênis porque a empresa Protelyne entrega os produtos fora das especificações exigidas. Intimidação O empresário afirmou que o dono da Protelyne usava o nome do governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, para intimidar funcionários da estatal. Waschek disse acreditar, no entanto, que o governador não tem ligações com a empresa. "Acho um absurdo a facilidade que as pessoas têm em falar no nome de outras", declarou. O depoente afirmou que, mesmo sem atender às normas exigidas na licitação, a Protelyne nunca foi multada ou impedida de participar de outras licitações dos Correios. Artur Waschek Neto admitiu aos integrantes da CPI Mista dos Correios que suas empresas não produzem o material que fornecem à estatal, como botas, capas e cofres. Ele disse que vence as licitações e depois contrata os produtos de outras firmas. O empresário acusa Marinho de perseguição, mas ainda não conseguiu provar a acusação. Ele reclamou que o funcionário dos Correios teria taxado sua empresa de "picareta" e dado preferência às grandes indústrias. Wascheck também afirmou que Marinho é falastrão e costuma fazer bravatas, e que muita gente na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos comentava, à época em que fez a gravação, que ox-diretor aceitava propinas. O empresário acrescentou que Marinho obtinha vantagens na execução dos contratos com a ECT. Wascheck foi multado em contrato para fornecimento de cofres em 20% do valor total ¿ que era de R$ 5 milhões ¿, antes da gestão de Marinho por causa de atraso na entrega dos produtos e falhas nas especificações. "A multa foi justa, porque realmente houve atraso, mas a considero excessiva", disse o depoente. AbinA partir de uma pergunta do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), Wascheck Neto, disse que não conhece a atuação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nem tem informação de que essa instituição estivesse fazendo qualquer trabalho nos Correios. O sócio de Wascheck Neto na Comercial Alvorada de Manufaturados (Comam), Antônio Velasco, também irá depor hoje. Ele aguarda em uma sala separada, sem poder ouvir o depoimento do sócio. Semana que vem a CPI deverá ouvir os ex-diretores dos Correios e o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ).  

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