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Jarvis Pavão fala à Imprensa Paraguaia. Confira a entrevista

28 dezembro 2009 - 14h16

Enquanto os policiais anti-drogas montavam barreiras e sitiavam a cidade de Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil, Jarvis Ximenes Pavão, apontado como um dos líderes do tráfico de drogas no Paraguai, concedia uma entrevista ao jornal ABC Color.
Em meio a um forte esquema de segurança, Pavão chamou os jornalistas Cándido Figueiredo e Edgar Ferreira para desabafar e “desmistificar” o conteúdo das muitas reportagens publicadas a seu respeito no Paraguai e no Brasil.
A entrevista, realizada em uma casa da periferia da cidade paraguaia, teve três horas de duração e foi publicada pelo ABC Color em uma série de quatro artigos, entre os dias 30/07 e 02/08. Nela, o traficante defende-se das acusações e se diz “satanizado” pela mídia. Abaixo, os principais trechos:
Acusações
“No Brasil, me acusam de tráfico de drogas e homicídios. Não sou culpado. A conta que eu tinha com a justiça brasileira eu já paguei. Tudo isso que me acusam é um absurdo”.
Pedido de Extradição
“O pedido de extradição é por tráfico de drogas e homicídios múltiplos. Eu nunca matei ninguém, nunca mandei matar ninguém. Essa pessoa que eles dizem que eu mandei matar era uma pessoa amiga minha, inclusive, todos seus familiares estão dispostos a declarar a meu favor quando seja necessário”.
Passado
“Fui condenado em 1994, por tráfico de drogas. Cumpri a pena sem dever à justiça. A própria polícia sabe. Foi em Balneário Camboriú (SC). Fui condenado, injustamente, a três anos de prisão. Cumpri a pena mínima porque não existia nenhuma prova, fui condenado somente pela palavra da Polícia Federal (...). Deste então, me perseguem. Tanto é assim, que em fevereiro de 2000 tive que abandonar minha família e Santa Catarina, porque senti que queriam me pegar com provas inventadas”.
Perseguição
“Nesses quatro anos em que estou com problemas, acho que já mudei de casa 60 vezes. Graças a Deus, tenho muitas amizades. Sou bastante conhecido. E todas as pessoas que me conhecem realmente, que já tiveram contato comigo, sabem quem sou realmente. Porque para muitos eu sou esse mito de mau caráter, da pior estirpe que existe”.
Origem da Fortuna
“Não vou dizer que venho de um berço de ouro, mas meus pais deram boas condições de vida a mim e a meus três irmãos. Meus pais foram donos de vários açougues em Ponta Porã (MS). Ou seja, nós já tínhamos uma estrutura formada (na fronteira com o Paraguai)”.
Luxo
“Em primeiro lugar, quero aclarar que muitas pessoas pensam que a Estância “4 Filhos” é uma propriedade de milhares de hectares. No entanto, não chega a 900 hectáres (...). Pensando no turismo, nós decidimos unir o útil ao agradável e começamos a construir a Estância “4 Filhos”. Lagoa para pesca, jet sky, nichos à beira de um riacho, entre outras coisas. Inclusive, queremos colocar uma aldeia indígena onde eles tenham seu hábitat natural, onde os turistas possam vê-los, seus costumes, sua cultura, que possam exibir seu artesanato e fazer parte das atrações da estância”.
Cartéis
“Não conheço o Cabeça Branca (Luís da Rocha, traficante procurado pela justiça do Brasil e do Paraguai). Só sei de sua vida através do que sai nos jornais, na mídia. Não tenho nenhum vínculo com ele, nunca tive e não o conheço pessoalmente”.
“Não conheço Irineu ‘Pingo’ Soligo (traficante gaúcho que opera no Paraguai). Conheço seu filho, Jonathan, que vi há alguns anos atrás. Este moleque roubou minha filha de 15 anos, em novembro de 2004. Desde então, nunca mais pude me encontrar com ela”.
Imprensa
“Olha uma coisa, eu tenho certeza que vocês mesmos, seis anos atrás, nem sabiam que Jarvis Ximenes Pavão existia. É verdade ou mentira? Talvez nem a três anos atrás ninguém sabia de mim no Paraguai até colocarem meu nome na imprensa. Eu não culpo a imprensa, culpo quem passa a informação à imprensa”.
Desaparecimento de Jornalistas
“O que tenho a dizer é que eu não tinha motivos para nada disso. Nunca ouvi falar deste jornalista (Enrique Galeano, radialista desaparecido desde 2005). Só ouvi dele quando seu nome saiu nos noticiários, quando saiu na imprensa seu desaparecimento. Aí, começaram a chegar informações até mim. Mas nunca, ninguém me disse que ele estava falando mal de mim ou coisa desse estilo”.
Justiça dos Homens
“Em Santa Catarina, não dá para confiar na justiça, porque eu não era ninguém, era um simples vendedor de carros, que vivia dia e noite viajando, comprando carros na Bahia e revendendo em Santa Catarina. É em Brasília que tenho minhas esperanças. Lá (Tribunal Superior Federal), é um órgão público sério, uma instituição que não se deixa influenciar pelas palavras de delegados, onde não se fazem mesas redondas entre juízes, onde delegados e policiais não decidem o futuro das pessoas, se vão ser condenados, absolvidos ou entregues à imprensa”. Justiça Divina
“Tenho a segurança de que o que devo, eu vou pagar. Eu me entrego às mãos de Deus para pagar tudo o que devo a qualquer ser humano na Terra. Mas, também, tenho a segurança de que Deus não vai deixar impune tudo isso que estão fazendo comigo”.
Futuro
“Só espero que as pessoas atuem com clareza, com a consciência tranqüila. Os agentes anti-drogas devem fazer seu trabalho. Os juízes devem fazer cumprir a lei, como deve ser. A polícia deve trabalhar com honestidade, sem criar, nem inventar provas, sem fantasiar, sem criticar, de forma que todo mundo tenha direito de ser inocente até que se prove o contrário, porque ninguém é culpado até que se demonstre o contrário”.

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