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Jairzinho: Por onde anda o tricampeão mundial de 70 no Mèxico

22 agosto 2004 - 23h59

Jair Ventura Filho foi o artilheiro do maior time de futebol já montado em todos os tempos. Tudo aquilo que se pode exigir de uma equipe, a seleção brasileira, que conquistou o tricampeonato em 1970, possuía em quantidades matematicamente balanceadas. Até hoje, Jairzinho, dono da camisa 7 no México, é o único jogador que balançou as redes em todos os jogos de uma Copa do Mundo. A performance do esquadrão comandado por Zagallo fascinou o mundo e um 4 a 1 sobre a Itália na final coroou o título verde-e-amarelo. Quando Tostão perdia um gol, o Furacão estava lá para conferir. Se Carlos Alberto arrancava com suas passadas largas para o campo de ataque, Clodoaldo aparecia na cobertura. Everaldo também subia com tranqüilidade, sob os olhares atentos de Gérson. Uma falta perto da área adversária era certeza de perigo com a patada atômica de Rivellino. Brito e Piazza marcavam implacavelmente na zaga e, se a bola cometesse a descortesia de passar.Félix era sinônimo de segurança debaixo das traves. Tudo isso com o onipresente crioulo da camisa 10, chamado de Pelé, mostrando toda a sua magia pelo gramado. Depois de pendurar as chuteiras, Jairzinho começou sua carreira de treinador. Na época em que trabalhava no São Cristóvão, viu um futuro promissor no menino dentuço e franzino que apareceu para tentar a sorte como jogador de futebol. “Isso é um dom que eu tenho. É uma visão fantástica”, conta o Furacão, descobridor do talento de Ronaldo. Atualmente ele treina a seleção do Gabão, país pobre do centro-oeste africano, e continua garimpando promessas. “Estou fazendo um trabalho com as categorias de base e já revelei muitos jogadores. Tenho essa facilidade”, conta o eterno camisa 7. Jairzinho está na África há um ano. Ele mostra vontade para ensinar um pouco do que aprendeu dentro do gramado, mas lamenta a falta de condições para trabalhar. “Infelizmente não estou vivendo um momento normal dentro do futebol. Aqui o esporte ainda está longe do profissionalismo, não é nem amador. A Federação está praticamente desativada e isso prejudica o meu trabalho”, comentou. Segundo ele, o Ministério dos Esportes travou uma disputa com a Federação e o futebol ficou esquecido. O Furacão afirma que seus jogadores têm qualidade, mas a falta de compromisso com o futebol acaba comprometendo os resultados dentro de campo. “Eles correm muito, isso é uma coisa nativa do africano, mas não têm profissionalismo”. No entanto, o ex-jogador acredita que seu trabalho está valendo a pena. “Apesar de ser uma coisa mais a longo prazo, já é possível observar os efeitos. Eles gostam muito do futebol brasileiro e praticam um futebol bonito, alegre”. O tricampeão fica lisonjeado com o respeito demonstrado pelos africanos, mas tem como objetivo voltar ao Brasil e repetir o sucesso desta vez como treinador. “A meta de todos é vencer e, se for no seu país, melhor ainda”. Ele aponta técnicos como Wanderley Luxemburgo, Felipão e Leão como algumas das referências na profissão. “Todos eles merecem estar onde estão, porque ser treinador no Brasil é muito difícil”, opinou. Mesmo muito longe dos grandes centros, o Furacão revela que o título mundial de 1970 ainda repercute entre a população do Gabão. “Até hoje a imprensa daqui me pede vídeos de 1970. As pessoas me respeitam muito e sempre elogiam meu trabalho. Eles estão contentes comigo aqui e isso me deixa feliz”.Para Jairzinho, é impossível definir o sentimento após o apito do árbitro na final contra a Itália. “Aquele foi o maior momento da minha vida. Algo fantástico, uma explosão de felicidade, é uma coisa subjetiva. Para um jogador, um título mundial é a consagração total”. disse. Pela conquista no México, Jairzinho faz parte do imaginário de todos aqueles que gostam de futebol. Ele não poupa elogios ao time e lembra detalhes da decisão. “Quando o Gérson marcou o segundo e o Jairzinho marcou o terceiro, percebemos que o jogo estava ganho diante da fragilidade da Itália. Pela maneira como vencemos, aquele foi o melhor time de todos os tempos”. Falando de si na terceira pessoa, ele salienta a contribuição que deu para o escrete verde-amarelo. “Na gíria do futebol, o Jairzinho sempre marcou os gols que deram mais frieza à equipe”. O jogador marcou época no Botafogo. Atualmente ele acompanha pouco a situação do clube, mas lamenta o drama vivido pelo alvinegro. “Eu só vejo pela internet. Sei que o clube está passando por aquele pesadelo novamente e fico entristecido, principalmente eu, que sempre levei o nome do Botafogo aos lugares mais altos nos 15, 16 anos que joguei lá”. Ele conquistou inúmeros títulos pelo time de General Severiano, porém prefere tratar a todos com o mesmo respeito. “Fui tri juvenil, tri do Rio-São Paulo, tri carioca, pan-americano e todos eles são importantes”, completou. O sucesso continuou no Cruzeiro: “ganhamos a Libertadores, fomos tetra no Mineiro e tive muitas felicidades em Minas Gerais”. Jairzinho acha errado estabelecer qualquer espécie de comparação entre os jogadores do passado e os craques da atualidade. “Cada um tem uma característica principal”, argumentou. O Furacão acredita que o poder do futebol brasileiro é muito grande e acha que o trabalho de Carlos Alberto Parreira à frente da seleção não oferece grandes emoções. “A cada minuto temos um jogador novo. O Brasil acabou de ganhar a Copa América, por exemplo. Temos Adriano, Luís Fabiano, Ronaldinho. Ser treinador do Brasil é muito fácil, difícil é trabalhar no Gabão!”, brincou. Raio-X Nome: Jair Ventura Filho Nascimento: 25/12/1944, Rio de Janeiro/RJ Posição: AtacanteClubes: Botafogo, Olympique de Marselha (França), Cruzeiro, Portuguesa de Acarígua (Venezuela), Noroeste, Fast Clube, Jorge Wilsterman (Bolívia). Principais títulos: Bicampeão carioca, em 67 e 68, Torneio Rio São Paulo, em 66 e Taça Brasil, em 68, pelo Botafogo; Campeão Mineiro, em 75 e da Taça Libertadores, em 76, pelo Cruzeiro, além da Copa do Mundo, em 1970.

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