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Saúde e Bem-estar

Intoxicação alimentar pode levar à desidratação; saiba como prevenir-se

18 abril 2020 - 06h00Por Uol / Viva Bem

Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs), o que inclui a água, existem desde o início da história da humanidade. Com o passar do tempo, seus tipos e gravidade se modificaram, mas elas ainda estão presentes em várias regiões do mundo.

Dados do Ministério da Saúde revelam que existem mais de 250 modalidades delas, e a maioria são infecções derivadas de bactérias e suas toxinas, vírus, fungos ou outros parasitas.

Consideradas importantes causas de doenças e mortalidade, elas têm chamado mais atenção por se relacionarem a problemas econômicos e de saúde pública. No Brasil, a cada ano são registrados 700 surtos de DTA.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), durante o século 21, a expectativa é que esses números cresçam. As razões para isso seriam as mudanças globais, o aumento populacional e da pobreza, a exportação de alimentos e rações animais, entre outros fatores.

As DTAs podem acometer todas as pessoas, indistintamente. Contudo, idosos e crianças, além dos indivíduos que vivem em regiões mais carentes, são considerados os mais vulneráveis.

Entenda por que isso acontece

Más condições de saneamento e qualidade da água para consumo humano, práticas inadequadas de higiene pessoal e consumo de alimentos contaminados se destacam entre as várias causas das DTAs.

A intoxicação alimentar resulta do consumo de alimentos contaminados com toxinas produzidas por determinados tipos de bactérias ou por estas isoladamente, vírus e fungos. Em geral, as toxinas já foram liberadas no alimento durante o processo de proliferação dos microrganismos. Assim, tão logo ele seja consumido, os sintomas da intoxicação podem se manifestar.

De onde vêm esses microrganismos?

Vírus e substâncias químicas estão entre as possíveis origens das DTAs. Na vida real, os agentes patogênicos mais comuns relacionados às intoxicações são a bactéria Escherichia coli (E. coli), o bacilo Salmonella e a toxina Staphylococcus aureus.

A primeira infecta carnes; o segundo, carnes, aves, ovos e produtos com ovos e laticínios. Já o estafilococo cresce nos alimentos e produz toxinas que levam à intoxicação alimentar. Ele pode estar presente em molhos, bolos com creme, leite, carne em conserva, entre outros. O risco de contaminação é alto quando esses itens são conservados em temperatura ambiente.

Quanto à intoxicação por produtos do mar (peixe ou mariscos), as causas, em geral, são três toxinas —a ciguatera, tetrodotoxina e a histamina.

Saiba como se dá a contaminação

Ela pode acontecer desde o plantio do alimento (quando há uso indiscriminado de agrotóxicos ou antibióticos em animais), até a colheita, e se dá pelo contato com a água ou a terra, que podem conter os agentes causadores de doenças.

Além disso, condições de higiene, de transporte e armazenamento, especialmente de alimentos que necessitam de cuidados específicos, como a refrigeração, também podem desencadear o problema. A explicação é de Sergio Alexandre Liblik, médico e professor de gastroenterologia clínica da Escola de Medicina da PUC-PR.

Conheça as mais frequentes fontes de intoxicação

Peixe cru ou frutos do mar;
Carnes ou ovos mal cozidos;
Todo tipo de alimento preparado com utensílios (faca, tábua de carne, por exemplo) sem a devida higienização;
Água não tratada;
Derivados do leite (queijos, iogurtes etc.);
Alimentos que contêm maionese que estejam fora da geladeira por muito tempo.

Quem precisa ficar mais atento?

Todos podem ter intoxicação alimentar. O que merece maior atenção é a "gravidade dos quadros nos extremos da vida: crianças, idosos e imunodeprimidos (pessoas que tenham as defesas do corpo enfraquecidas por alguma doença) têm maior risco de manifestações graves e com complicações, inclusive óbito", explica Jaime Luís Lopes Rocha, médico infectologista e professor da Escola de Medicina da PUC-PR.

E as grávidas?

De acordo com o médico de família e instrutor do curso de emergência da Unicid, Renato Walch, as gestantes devem sempre ter maior cuidado com a alimentação. O conselho é verificar validade, procedência, higiene e a forma de armazenamento do alimento.

"Alimentos crus podem levar a infecções importantes, tanto para a mãe quanto para o bebê. E elas vão desde as intoxicações alimentares leves, até quadros de comprometimento do desenvolvimento do feto, como é o caso de toxoplasmose", esclarece Walch.

Como reconhecer os sintomas?

Na intoxicação alimentar os sintomas aparecem logo, ou seja, em até 6 horas após a ingestão do alimento.

Embora não seja a regra geral, o vômito pode ser o primeiro sintoma observado. Além disso, você poderá observar os seguintes sinais:

Dor ou desconforto abdominal e náuseas;
Sensação de empachamento;
Cólicas;
Diarreia (maior ou menor volume; maior ou menor frequência);
Prostração;
Mal-estar geral associado a dor de cabeça;
Sensação de tontura ou desmaio;
Febre (mais raramente).

Quando procurar ajuda médica?

Muitas pessoas enfrentam uma intoxicação alimentar sem orientação especializada porque ela é autolimitada —isto é, pode passar sozinha.

Mas como há risco de desidratação, especialmente entre crianças e idosos, ao perceber que os episódios de diarreia e os vômitos não passam, ou mesmo a presença de febre e sangramento nas fezes, a recomendação é procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Como é feito o diagnóstico?

Ele é clínico —o médico conversará com você para entender melhor o seu histórico, fará o exame físico e tentará identificar sinais de desidratação ou outros sintomas que revelem algum risco maior para a sua saúde.

Geralmente os sintomas relatados são suficientes para definir o diagnóstico, especialmente se outras pessoas também tiverem sido afetadas.

A confirmação poderá ser feita por meio da solicitação de exames de sangue e de fezes para identificar o microrganismo.

Tratamento

Na maioria das vezes, a orientação é hidratação abundante ou correção da desidratação por via venosa, a depender da gravidade do quadro e da perda de eletrólitos. Além disso, o médico deve sugerir adequação da dieta: incluir alimentos leves (principalmente carboidratos como massas, batata cozida ou assada e arroz), e evitar comidas gordurosas, com muito óleo e os derivados de leite. Tais providências visam reduzir a diarreia.

Podem ser indicados medicamentos para controle de sintomas como o vômito. O uso de antibiótico é sempre muito preciso e deve ocorrer somente após a avaliação do médico. Ele nunca é considerado regra nesses casos.

Com essas providências, os sintomas devem desaparecer no período de 3 a 5 dias. Caso eles persistam por mais de 1 semana, procure orientação médica.

Dá para prevenir?

Sim, e a melhor forma de fazer isso é estar atento à higiene pessoal e do ambiente onde se manipulam e conservam os alimentos.

Observe sempre as condições de limpeza de supermercados e do armazenamento de alimentos que necessitam de refrigeração. Além disso, coloque em prática as seguintes estratégias:

Lave sempre as mãos com sabão;
Limpe imediatamente respingos de alimentos na cozinha;
Mantenha carnes frescas separadas de frutas e vegetais que não serão cozidos;
Esteja atento ao cozimento correto dos alimentos;
Organize os alimentos na geladeira ou no freezer. Evite deixar carnes, peixes, aves ou comida pronta sem refrigeração por mais de 2 horas em temperatura ambiente;
Esteja atento à data de vencimento das embalagens dos alimentos;
Adote o hábito de usar bolsas térmicas para transporte de alimentos que precisam de refrigeração;
Observe como os alimentos são conservados nos restaurantes. Alimentos que contêm ingredientes não cozidos precisam estar devidamente refrigerados.

O que fazer em casa para colaborar com o tratamento

A dica mais importante é manter-se hidratado. Além disso...

Fique em casa e procure repousar;
Coma quando sentir fome. Apenas prefira alimentos que ajudem a conter a diarreia;
Evite tomar suco de frutas ou de frutas congeladas;
Lave suas roupas de cama ou toalhas separadamente dos demais, especialmente se tiverem vômito ou fezes;
Capriche na limpeza do banheiro --incluídas superfícies como as torneiras, pias e maçanetas;
Fique longe do preparo de alimentos, se isso for possível;
Evite usar piscinas, pelo menos até 2 semanas após o episódio de intoxicação;
Separe talheres, pratos, utensílios e toalhas para seu uso pessoal. Evite compartilhá-los com outras pessoas.


Fontes: Jaime Luís Lopes Rocha, médico infectologista e professor da Escola de Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), membro do atual Conselho de Administração da Unimed Curitiba, onde exerce atividades junto à TI, Medicina Baseada em Evidências e Pesquisas em Farmacoeconomia; Renato Walch, médico de família, instrutor do curso de emergência da Unicid (Faculdade de Medicina da Universidade Cidade de São Paulo), plantonista de emergência nos Hospitais Sírio Libanês e Vila Nova Star (SP) e diretor médico da Amparo Saúde; Sergio Alexandre Liblik, médico e professor de gastroenterologia clínica da Escola de Medicina da PUC-PR. Revisão técnica: Renato Walch.

Referências: Ministério da Saúde; FDA (Food and Drug Administration); Foodborne Disease Burden Epidemiology Reference Group - OMS (Organização Mundial da Saúde) 2007-2015.

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