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Índios prometem “lavar a terra com sangue”

17 janeiro 2004 - 13h27

Uma jovem índia guarani entregou na tarde de ontem para os antropólogos da Funai (Fundação Nacional do Índio) que vieram de Brasília para tentar uma saída pacifica para o conflito entre fazendeiros e indígenas e jornalistas, uma carta de duas páginas onde coloca abertamente a intenção de não cumprirem a decisão judicial de abandonar as 14 fazendas ocupadas. Identificada como Kunã Yvoty, Flor de Mulher em Tupi Guarani, Agda Rocha Riquelme diz que seu povo está disposto a dar a própria vida para defender a luta pela terra. “ Se for preciso iremos dar nossa própria vida, lavar de sangue esse nosso yvy katu (nossa terra)”. Leia trechos da carta entregue para a reportagem do Dourados News pela índia:"Os guaranis tradicionais do Mato Grosso do Sul, desde tekoha yvy katu, estamos informando que não desistiremos de jeito nenhum, sob forma alguma, deste nosso yvy katu, dessa terra que sempre nos pertenceu de direito, nossa terra original"."Os homens brancos, invadiram, tomaram e expulsaram os nossos antepassados com armas de fogo...depois eles transformarm em fazendas, cercaram com arames farpados e cercas elétricas. Nos indios sempre fomos considerados invasores e malfeitores dentro da nossa própria terra. Será que foram nós índios, que no ano de 1500 chegamos aqui atravessando o oceano atlântico com grandes navios e caravelas para invadir e explorar essa terra?" "Será que fomos nós índios que fizemos isso com a população branca? São mais de 500 anos de resistência e de muita luta, tanto pelos nossos direitos e principalmente pela retomada da nossa terra, muitos de nós foram dizimados sem dó nem piedade, foram mortos como um bicho sem alma". "Queremos somente aquilo que é nosso, que nos pertence de direito, que é a nossa terra, não estamos invadindo as fazendas, estamos apenas ocupando a nossa terra, queremos apenas plantar e colher, e viver em paz nesse nosso yvy katu. Se for preciso iremos dar a nossa própria vida, lavar de sangue esse nosso yvy katu, porque sempre foi assim, não há lugar no Brasil, que não tenha marcas de sangue de índios que deram suas vidas e derramaram seu sangue na luta para conquistar seus direitos e pela sua terra".

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