O psicólogo e mestre em História, Lélio Silva, afirmou que a idéia de que o índio não trabalha é atrasada e preconceituosa. Ele explicou que esta é uma idéia trazida pelos portugueses quando vieram para o Brasil e após tentarem escravizar definitivamente os índios não conseguiram.
Segundo Lélio a idéia da suposta "preguiça" foi se afixando na sociedade ao longo do tempo se enraizou como preconceito. Hoje a sociedade ainda tem este preconceito. "Antes o que se tentou fazer com o índio foi fazer do índio uma mão de obra rural inserida na lógica da economia de mercado, incentivavam que o índio produzisse como o não índio. Hoje o processo é inverso, principalmente após a Ditadura Militar, quando essa idéia começou a ser derrubada e os índios passaram a ser incentivados pela própria Funai a voltar a seus modos de produção antigo", diz ele.
No livro A República Comunista Cristã dos Guaranis, 1610 - 1768 , Clovis Lugon defende que antes da chegada dos europeus e ainda algum tempo depois, os Guaranis eram comunistas, produziam para subsistência e de maneira diversificada em pequenas roças comuns, onde se plantava de tudo um pouco, desde abóbora, até mandioca e milho.
Com a chegada dos europeus, o modelo de produção teria sido imposto à força, causando conflitos culturais com os indígenas. "Dizer que o índio é preguiçoso é um preconceito, porque quem está na colheita da cana hoje? Quem faz os serviços pesados? Isso não é trabalho para qualquer um. As pessoas costuma classificar os índios em bons e maus, quando querem dizer o mau, lembram de violência, desnutrição, bebedeiras e quando querem dizer o bom, sonham com o índio silvestre, que pesca no rio, que caça na mata", diz Lélio.
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