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Importância da Filosofia na educação pós-moderna

30 dezembro 2009 - 07h03

Quem tem costume ler jornais, revistas e assistir o noticiário televisivo, percebe a crítica diária, a falta de ética em todos os campos do agir humano e muitos ficam a se perguntar como fazer para melhorar esta situação.
Certa vez, falando de Filosofia, fui indagado por que estudar tal disciplina. Como a Filosofia não oferece respostas prontas, disse que a resposta que ela procurava estava dentro dela mesma e em nenhum outro lugar. “Mas como assim, nem cai no vestibular?”- voltou a indagadora.
Dei-me conta que é isto mesmo o que se pensa sobre a filosofia: estudar Filosofia para quê, se não cai no vestibular?” Porém, observando bem é uma pergunta pertinente. Filosofia não cai no vestibular, como matemática, português, história, geografia e outras disciplinas.
Mas será mesmo que Filosofia não aparece no vestibular?
Mero engano! Na interpretação da questão de física, na produção da redação, na interpretação do texto de português, na equação matemática, sempre há um toque filosófico.
Aquele que não consegue seguir o raciocínio lógico da matemática, por exemplo, é porque não teve uma boa aula de Filosofia. Filosofia não se estuda com descobertas cientificas, frases, respostas prontas. A Filosofia não se limita às verdades ligadas às condições humanas, ou às ciências que, por sua vez, possuem limitações.
Esta disciplina se preocupa com uma verdade maior, uma verdade que transcende os limites da razão humana, à qual somos instigados a buscar constantemente. Essa busca e essa verdade não são limitadas, por isso é maravilhoso perceber que enquanto o homem existir, ele vai estar sempre em busca dessa verdade maior, seja ele quem for. Contudo, existe um problema de fundo: a fonte da busca, a água pode estar suja. A nossa vida não se limita ao 2+2=4, pois a verdade, o bem, o belo, não podem ser entendidos e interpretados como simples equações matemáticas.
Exigem uma reflexão maior, a olharmos para nós mesmos, para o nosso íntimo, onde se encontra a razão de nosso existir. Quanto mais nos voltarmos para nós mesmos e nos remetermos ao infinito, tanto mais teremos que caminhar. Essa caminhada infinita vai abrindo os horizontes à medida que
caminhamos. Quanto mais a sociedade enveredar pelos caminhos da Filosofia melhor entenderá a própria vida. Vai entender e compreender o real e imenso valor que possui em si. Sem este entendimento nossa vida seria limitada a simples matemática, o que nos tornaria calculistas e frios.
Talvez por isso, hoje, a vida pareça tão fria e calculista, onde o semelhante vale menos que um
cão, onde um par de tênis faz tirar a vida de um ser humano.
A Filosofia faz transcender as verdades da própria ciência. A verdade de nossa existência, a força que nos move para uma busca infinita. “Parece ser difícil compreender Filosofia com tantos dizeres filosóficos e pensamentos.
Só entenderemos o sentido da Filosofia quando entendermos que não podemos somar ou subtrair, multiplicar ou dividir nossa verdade, o bem, o belo, o amor, a existência. Os sentimentos podem ser expressos nas mais diversas formas, mas nunca numa equação matemática, nem numa composição química ou física”.
Muitos dizem que pensar é coisa de quem não tem o que fazer. Porém, a reflexão ajuda a compreender as coisas da forma como nenhuma ciência. Hoje, questões ligadas à vida, à ética, à moral, aos direitos humanos exigem muita reflexão, à qual a Filosofia ajuda e sem a qual caímos no dogmatismo.
Todavia não são só os filósofos que sabem filosofar, muitos usam a Filosofia sem nunca a terem estudado. Talvez, por sermos calculistas, frios, não gostamos de Filosofia, justamente porque ela mexe com nosso interior e isso pode doer, pois nos faz refletir sobre decisões tomadas e que, muitas vezes, foram feitas sem muita reflexão.
Sem a reflexão seremos meros executores, sem sabermos o porquê de todas essas coisas. Precisamos nos perguntar do nível de verdade daquilo que a TV apresenta, daquilo que muitas revistas trazem em suas páginas. Não podemos nos esquecer que eles têm seu ponto de vista e seus interesses, mas estes não deveriam ocultar a verdade.
Precisamos nos perguntar qual o nível de conhecimento que uma pessoa tem dos acontecimentos históricos quando escreve novela, filme, minissérie. Será que aquilo é a verdade? Será que é a melhor forma de ver o acontecimento?
Feliz Ano Novo!


 
Pe. Crispim Guimarães
Assessor de Comunicação e Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados

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