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Iiih! Esqueci da eleição! E agora? , por Marcelo e Jones Dari

12 fevereiro 2011 - 09h40

De cada três eleitores douradense, um pertence ao grupo dos que não votaram em nenhum candidato na eleição do último domingo (certamente um e outro já pergunta: “Mas teve eleição no último domingo?”). Um número tão alarmante que nos faz rapidamente pensar em alguma razão para este fenômeno. A princípio lembramos que se trata de uma eleição fora de época. De fato, mas se continuarmos pensando mais um pouquinho, nos perguntamos porque as pessoas votariam em outubro mas não votariam em fevereiro!
Colocando em cheque o argumento da eleição fora de época, podemos trazer para a análise outros elementos atípicos desta eleição para explicar o resultado extraordinário do “esquecimento”. Lembremos, por exemplo, que essa eleição “não teve” candidato de oposição. Não havia dois nomes de peso na disputa, ao contrário, havia uma aliança que unificava duas grandes forças políticas da cidade e do Estado. Como a aliança garantia uma vitória tranquila, a propaganda foi pequena e nas ruas as pessoas não disputavam o voto. Não havia lados diferentes que justificassem uma tentativa de convencimento ou defesa de um candidato contra outro. Era uma eleição sem fervor, morna. É possível até que alguns eleitores nem se deram conta do dia da eleição. Esqueceram! Quase 30% das pessoas não foram votar.
Esse esquecimento não é apenas um esquecimento. Em um país no qual o voto é obrigatório, esse esquecimento é também uma transgressão. O que transgredimos? Transgredimos a lógica cínica da eleição. Transgredimos a compra de votos. Mas, sobretudo, transgredimos a ideologia eleitoral de uma herança política da última década. Uma mistura de ceticismo barato com pragmatismo, com uma pitada de cinismo. A lógica daqueles que de um lado se beneficiam de acordos permissivos e, de outro, se justificam dizendo sem se envergonhar que sem alianças não há como ocupar o aparelho de Estado, e que sem ocupar o aparelho de Estado não se pode atuar. Uma lógica perfeita para quem quer ocupar cargos ou ficar pertinho de quem os ocupa.
A elite beneficiária desta ideologia se justifica “distribuindo” um pouco de renda para o povo, que assiste a esse teatro. “Pão e circo”. Para essa elite, que desconhece a genuinidade da política popular e prefere se colocar na cômoda posição de sonhar que as transformações ocorrem pela ocupação de cargos via acordos, a menssagem do povo de Dourados aparece enigimática. Uns nem notaram, outros acham que foi apenas porque estamos em fevereiro. Outros, mais cínicos, concluem que é um mal sinal: explicam que o povo está alienado e a democracia fragilizada.
Mas o povo não apenas esqueceu da eleição; o povo desprezou a eleição! O momento é oportuno e transpõe os limites de Dourados. A maior democracia do mundo jamais foi questionada como nos últimos acontecimentos do Oriente Médio. O povo no Egito hoje grita pela democracia e os Estados Unidos se veem obrigados a se manter ao lado da ditadura. O Oriente Médio dá uma lição de democracia ao Ocidente. Para os cínicos defensores do voto comprado pelos grandes acordos, para os céticos amantes de cargos conquistados nessas eleições hipócritas, o povo do Egito faz lembrar que a mudança vem pelo povo.
Viva o povo de Dourados! Tivemos aqui uma grande vitória. Temos o que comemorar. Mais de 50 mil pessoas não votaram em nenhum candidato. Mais um pouco e o povo venceria duas grandes forças políticas do Estado juntas. Vencemos a lógica da compra de votos, da distribuição dos cargos. Deixamos “esse pessoal” todo pra lá. Como no Egito, o povo de Dourados nos mostra que ainda é possível lutar.
Viva o esquecimento!

Marcelo Batarce
Morador de Dourados. Professor de Matemática da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Campus de Dourados).

Jones Dari Goettert
Morador de Dourados. Membro da Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB Seção Dourados. Professor de Geografia da Universidade Federal da Grande Dourados.

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