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Identificado 4º suspeito de envolvimento em mortes de sem-teto

17 setembro 2004 - 22h17

A Polícia Civil de São Paulo identificou o quatro suspeito de envolvimento nos ataques ocorridos em agosto contra moradores de rua da região central. Dois PMs e um segurança particular, também suspeitos de participar do crime, cumprem prisão temporária. O novo suspeito também é um segurança. A reportagem apurou que a polícia busca indícios contra ele, antes de encaminhar à Justiça um pedido de prisão. Outras pessoas também são investigadas pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). Ataques contra moradores de rua ocorridos nos dias 19 e 22 de agosto deixaram sete mortos. As vítimas foram golpeadas na região da cabeça. Investigação Como parte das investigações, a polícia realizou nesta sexta-feira busca e apreensão em locais relacionados aos PMs presos. O DHPP não divulgou os locais onde foram realizadas as buscas ou divulgou detalhes do material apreendido. Os policiais ouviram nesta sexta uma pessoa que dizia ter informações sobre o assassinato de uma das vítimas --Ivanildo Amaro da Silva, 41, conhecido como Pantera. No entanto, a polícia teria encontrado contradições entre o depoimento e a forma como Pantera foi morto. As informações passadas, porém, também serão investigadas. Prisão temporária O juiz do 1º Tribunal do Júri, Rui Porto Dias, decretou na quinta-feira (16) a prisão temporária por 30 dias dos soldados da PM Jayner Aurélio Porfírio e Marcos Martins Garcia, e por 10 dias do segurança particular Manoel Alves Tenório, tio de um guarda civil. Os PMs já estavam à disposição da Corregedoria da Polícia desde a última terça-feira. O segurança foi preso após ter a prisão decretada. O TJ (Tribunal de Justiça) ressalta que as prisões "não implicam em reconhecimento de culpa" dos três suspeitos. As temporárias foram decretadas por serem imprescindíveis para o prosseguimento do inquérito policial. Drogas O secretário da Segurança, Saulo de Castro Abreu Filho, atribuiu os ataques ao tráfico de crack na região central. Os PMs suspeitos seriam comandantes de um esquema de segurança clandestina e teriam envolvimento com drogas. "Algumas das vítimas tinham envolvimento com isto [o tráfico]. Passavam a pedra de crack para frente e eram também usuários", afirmou o secretário na quinta-feira.Há suspeitas de que os alvos dos criminosos eram alguns moradores de rua que sabiam do envolvimento dos PMs com as drogas, e o objetivo seria cobrança de dívidas ligadas ao tráfico ou "queima de arquivo". No entanto, para atrasar as investigações, outros moradores de rua da região também foram agredidos. "O viés do crime está muito mais ligado à questão do crack do que à questão de vigilância, de limpeza étnica ou de comerciantes", afirmou Abreu Filho. Suspeitas iniciais apontavam a participação no crime de grupos de intolerância ou de comerciantes insatisfeitos com a presença dos moradores de rua. Arma O secretário da Segurança informou que a polícia já conseguiu identificar a arma utilizada para as agressões. "O tal instrumento contundente parece com um martelo de borracheiro. Tem uma ponta arredondada, não metálica, porque não causa perfuração. Lembra a tonfa [um tipo de cassetete]. No centro [da cidade] tanto a PM quanto a Guarda Civil usam muito a tonfa. Ela é de plástico e muito dura", disse. Além disso, a polícia localizou três Opalas --um preto, um vinho e um prata-- que podem ter ligações com os três suspeitos. No porta-malas do veículo preto, segundo o secretário, foi encontrado um cassetete. Manifestação No último dia 9, o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, afirmou, em entrevistas coletivas, que as investigações deverão ser concluídas antes que o caso complete um mês. "De 30 dias [a investigação] não passará. E não passará mesmo. Em 30 dias nós vamos resolver esta questão", disse ele. A Pastoral do Povo de Rua marcou para domingo, quando completa um mês da primeira série de ataques, um ato pela paz, a partir das 15h, na praça da Sé (centro)."O ato pela paz acontece com o intuito de demonstrar a nossa tristeza e repúdio com tudo que vem acontecendo em relação ao povo da rua, que tenta sobreviver com dignidade, apesar da completa exclusão social que vive", afirma o padre Júlio Lancellotti, da Pastoral.

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