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Homenageará líderes mortos marca a mostra de arte indígena

09 setembro 2004 - 12h21

Os líderes indígenas Marçal de Souza, Marcos Veron e Marta Guarani serão homenageados, na noite desta quinta-feira, em Dourados, durante a cerimônia de abertura da mostra “Mercado Étnico - Arte Indígena, Artesanato e Cultura Popular do Mato Grosso do Sul”.A feira é o maior encontro de artesanato indígena já realizado no Estado e acontece em tendas montadas no Parque dos Ipês, em Dourados. Artesãos guaranis (Kaiowá e Nandeva), guatós, kadiwéus, ofayé-xavantes e terenas participam da mostra. O Mercado Étnico é uma promoção da Oikos Cooperativa de Trabalho Sócio Ambiental, de Campo Grande, em parceria com a Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Dourados e com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Governo do Estado. Dos homenageados na abertura do evento, dois são índios guaranis que foram mortos enquanto exerciam liderança de suas comunidades em disputas fundiárias. O guarani Marçal de Souza foi morto a tiros em novembro de 1983, na aldeia Campestre, entre os municípios de Bela Vista e Antônio João, e o seu caso acabou se tornando um símbolo da luta pelos direitos das populações indígenas. Trabalhou como intérprete para antropólogos famosos como Darcy Ribeiro. Em 1980, foi escolhido para representar os índios brasileiros diante do papa João Paulo II, em sua visita ao Brasil. Na ocasião, fez um discurso alertando o pontífice sobre o risco do desaparecimento dos povos indígenas no Brasil. Três anos mais tarde, Marçal foi executado com cinco tiros depois de denunciar a tentativa de expulsão de uma comunidade kaiowá de uma área em Bela Vista. Outra liderança indígena assassinada e que será relembrada na noite desta quinta-feira é o cacique Marcos Veron. Ele liderava o grupo que reivindica a demarcação da aldeia Takuara, onde atualmente existe a fazenda Brasília do Sul, em Juti. Veron morreu em janeiro do ano passado, em um hospital de Dourados, poucas horas depois de ser encontrado ferido às margens de uma estrada. O laudo do médico legista confirmou que Veron foi espancado e morreu de traumatismo craniano. A última homenageada da noite será a ativista Marta Guarani. Sobrinha de Marçal de Souza, Marta passou boa parte da vida percorrendo as aldeias do Estado para mobilizar as populações indígenas em torno da luta pela demarcação de terras e pelo avanço dos direitos das comunidades a partir da Associação Kaguateca, que fundou e presidiu. Marta morreu em setembro do ano passado, vítima de infarto.

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