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Hipócritas, por Isaac Duarte de Barros Junior

23 março 2011 - 10h19

Alguns políticos profissionais, pedindo votos, costumam nas ruas nos períodos eleitorais, comentar que todo o eleitor é sábio. Mas, depois de eleitos, já refugiados na intimidade dos seus gabinetes, quando cercados de aduladores, dizem que esses eleitores companheiros, principalmente os semi-alfabetizados, em sua maioria esmagadora, são pessoas manipuláveis. Todavia, sei que os ilustres próceres políticos, servindo-lhes a carapuça na cabeça ao lerem estas articulações, demagogicamente vão querer protestar.

Dessa forma, acredito que me acusarão de radical, cidadão polêmico, comparando-me com alguém que só articula, com as armas da ambigüidade. Depois, como de costume, retomarão a rotina quase tranqüila das suas atividades, apostando nas fraquezas da memória curta do eleitorado. Porque na verdade, a maioria desses votantes, aplaudindo ou apoiando candidatos, no mínimo possuem um comportamento curioso. E quem desejar comprovar estas afirmações, basta observar os lastimáveis colóquios de ambos os lados, querendo ouvir as expressões ensaiadas, muito usadas nesses encontros.

Basta, portanto, voltarmos a nossa atenção, para pequenas partes das lorotas tratadas entre as partes e ficar atento ouvindo os tratamentos cordiais, dispensados pelos senhores políticos aos eleitores ingênuos. Fossemos parvos, juraríamos estar testemunhando um diálogo de compromissos, feitos com toda a seriedade. Entretanto, nada nunca vai muito além dos falatórios, evidentemente inócuos, eventuais ou aleatórios. E embora, sejam análogos a outros, os amplexos fraternais dessas ocasiões, garanto que exceto essas meras formalidades, nem remotamente elas se parecem com os abraços sinceros, trocados entre amigos verdadeiros. Inclusive, já percebi que essas afluências cheias de intimidades, entre o candidato e eleitores, casualmente só ocorrem, bem próximas de disputas eleitorais. Resumindo, dessas cenas corriqueiras, participam sempre os mesmos protagonistas. Coincidentemente, com os primeiros posando de quase bonzinhos em fotografias, mostrando largos sorrisos.

Nessa época, vemos facilmente circulando a pé, algumas pessoas totalmente estranhas entre si, trocando gentilezas carismáticas. Porém, é justamente nesses congraçamentos relâmpagos, que surgem os juramentos recheados de promessas. Ouvindo-as, as partes vaidosas mostram-se interessadas em assegurar prestígios nas comunidades. Então, o eleitor, na pose de “papagaio de pirata”, gruda-se no candidato, posando de “liderança”. Portanto, considero esses diálogos e abraços hipócritas, dados nas ruas e palanques, um desserviço a democracia. Porém, se estou errado, preciso rever antigos ensinamentos, lições que explicam como acontecem as falsidades humanas, em diversos tipos de eleições. Isto, sem falar da desnecessária sujeira visual, produzida pelo material de propagandas, coladas nos postes e escritas nos muros. Aliás, politicamente, desconheço animosidade pior, do que aquela de ouvir-se discussões partidárias fanáticas, patrocinadas por eleitores grosseiros da esquerda.

Entretanto, foi diante da falta de credibilidade junto à massa, que os políticos acabaram urdindo no Congresso Nacional, o horário político obrigatório. Significando na prática, que lá resolveram criar leis forçando-nos a ouvi-los. Desse modo, na telinha onde disputa-se espaços de audiências, mostrando a violência urbana, impôs-se um espaço no horário nobre, para as propostas dos “salvadores” da pátria. Quanto a nós telespectadores, sem alternativas, resta-nos desligar aparelhos televisivos ou ouvi-los falarem patacoadas, condicionando suas futuras realizações, tão logo cheguem os seus partidos, ao centro do poder.

Evidentemente, a melosidade desse conteúdo, politicamente, também nada tem de inédita. Porque anteriormente, outros já prometeram a mesma coisa. Apenas, aconteceu que no passado, essas mesmas promessas de comícios, rádios e televisão, teriam sido feitas de maneira diferente. Todavia, pelos lados das caras novas agora velhas, lembro-me bem delas, quando outros eram os dirigentes partidários. E pasmem, que, contudo isso ocorrendo, os políticos continuam disputando, prometendo caso sendo eleitos, resolverem os interesses do povo brasileiro. Obviamente que tal realização, somente se concretizaria, caso suas agremiações partidárias ganhassem eleições, com eles no comando das siglas...

*advogado criminalista, jornalista.

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