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Governo vai antecipar plano safra para reduzir preços

08 fevereiro 2011 - 13h08

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, afirmou ontem (7) em reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), que o Brasil não tem culpa da alta dos preços dos alimentos no mundo, visto que o País produz e vende seus produtos a preços justos.

Além disso Rossi anunciou que o governo irá antecipar a divulgação do Plano Safra como forma de dar mais tranquilidade para o produtor brasileiro planejar o plantio de suas áreas.

O volume dos mecanismos de apoio à comercialização da safra chegará a R$ 400 milhões este ano, afirmou Wagner Rossi durante a reunião do Cosag, com o tema "Perspectivas do Agronegócio Brasileiro em 2011".

Rossi confirmou que o governo antecipará a divulgação do Plano Safra 2011/2012 para que o produtor consiga planejar melhor o próximo plantio.

O ministro também sinalizou novidades para melhorar o formato do seguro rural e reiterou incentivos para o acesso ao crédito via Programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC).

No encontro realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Rossi disse que os grandes responsáveis pela alta dos preços do alimentos no mundo são os países desenvolvidos, que concedem altos subsídios aos seus produtores.

"A pressão mundial quanto ao aumento dos alimentos é fruto de vários fatores nos quais o Brasil não tem culpa nenhuma. Com o subsidio que os países ricos pagam a seus produtores, os preços das mercadorias deles tendem a ficar mais caras mesmo", comentou ele.

Para ele, o Brasil não está gerando qualquer pressão sobre o mercado internacional, citando como exemplo alimentos muito consumidos pelos brasileiros como o arroz e o feijão, que seguem remunerando o produtor abaixo do preço mínimo.

"Não foi o Brasil que introduziu a especulação financeira no mercado de commodities agricolas, ao contrário. Não somos nós que aumentamos o preço dos alimentos, tanto que o produtor brasileiro foi prejudicado durante anos com preços muito baixos.

Um exemplo disso é o feijão e o arroz que é a base da alimentação do brasileiro, ambos estão abaixo do preço mínimo, nós temos que apoiar o produtor para que ele receba o preço mínimo, e isso não cobre todos os custos, cobre apenas custos variáveis", lembrou Rossi.

Segundo o ministro há também um problema estrutural de queda de oferta e aumento de demanda por alimentos, fato este que tem elevado as cotações agrícolas. "Há uma demanda superaquecida, impulsionada pela melhora da qualidade de vida nos países emergentes.

Isso é bom. O povo quer comer e, com isso, o Brasil, que é o maior fornecedor mundial de alimentos, pode ser recompensado por seu esforço produtivo".

Rossi acredita que a pressão dos países mais ricos, após a destruição da agricultura artificial que criaram e mantiveram através de subsídios, não pode afetar o desenvolvimento de países emergentes com o Brasil.

"Eles destruíram a sua agricultura artificial e subsidiada e agora querem limitar os ganhos modestos do produtor brasileiro. Quem está ganhando com isso é o especulador, que tenho certeza que não estão aqui, e sim nos grandes mercados", frisou.

O ministro Rossi criticou a posição de alguns países, como a França, que tem defendido limites para os preços agrícolas no mercado internacional.

"Enquanto os preços estavam em níveis historicamente baixos eu não vi nenhum presidente da França, ou de outro país desenvolvido, defendendo limites para os preços. Agora que os grandes produtores, como o Brasil, têm tido protagonismo no mercado, surge esse tipo de proposta.

Como uma das medidas para amenizar os altos preços do milho no mercado nacional, o ministro anunciou que o governo vai realizar mais leilões, com maiores volumes do cereal.

Essa medida foi uma das alternativas encontradas pelo ministério para evitar a alta nos preços dos frangos, que segundo representantes do setor, o preço da saca do milho estava sendo vendida no interior de São Paulo a R$ 32 a saca de 60 quilos do grão, ante os R$ 25 considerados justos pela cadeia.

"Vamos fazer mais leilões e aumentar a quantidade do produto no mercado", finalizou Rossi.

Outro assunto abordado foi a respeito da reestruturação do mapa brasileiro, pautado pela presidente Dilma Rousseff.

"Nenhum país no mundo pode ter um setor privado com o perfil empreendedor como o brasileiro e ter um setor público como o nosso. O empresário precisa ser valorizado", comentou.

Para ele a necessidade de implementar o projeto de modernização da pasta é fundamental, tanto que o ministério pretende lançar uma campanha de melhoria da imagem do agronegócio.(

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