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Governo reacomoda forças na CPI do Banestado

13 agosto 2004 - 23h54

Depois das divergências dentro da CPI mista do Banestado terem sido escancaradas com as trocas de acusações entre o relator e o presidente da Comissão, o governo conseguiu reverter a posição defensiva em relação à cobrança de explicações da oposição. "O que houve foi um confronto de posições. Era inevitável as contradições aflorarem. Nós exigimos explicações, mas acho que ficou claro que houve excessos (na CPI) e que é preciso aprofundar essas explicações", afirmou nesta sexta-feira o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), aliado do governo. Desde a divulgação de uma onda de denúncias envolvendo autoridades do governo por irregularidades fiscais, parlamentares aliados e de oposição se juntaram para tentar reformular a CPI e dar um novo andamento à investigação. Como pouco se avançou nessas negociações, o relator, José Mentor (PT-SP), acusou ontem o presidente, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), de dificultar os trabalhos e conduzir uma investigação paralela sem o conhecimento da CPI. "Estamos a um passo de desmoralizar a CPI e o Congresso. Não se pode continuar com esse tipo de ação de jogar lama no ventilador. E a oposição já sentiu isso, isso tem limite", afirmou o deputado petista Paulo Bernardo (PR), que tem participado das reuniões de reforma da Comissão. "Eu acho que temos condições de fazer uma mudança de critério, ou então essa CPI já acabou de verdade e não tem como continuar as investigações", acrescentou. A CPI, instalada em junho do ano passado para investigar evasão de divisas de 1996 a 2002, teve os trabalhos prolongados até dezembro, mas desde maio ela não vinha produzindo avanço efetivo. São 412 mil operações bacárias investigadas que teriam movimentado 123 milhões de reais. Denuncismo A Comissão voltou a ganhar força há duas semanas quando vazaram informações sobre a condução de inquéritos por irregularidades fiscais contra o presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb, e o então diretor do Banco Central, Luiz Augusto Candiota, que pediu demissão. As acusações chegaram a rondar até o presidente da autoridade monetária, Henrique Meirelles, mas o presidente da CPI negou a existência de uma investigação sobre Meirelles. Na semana passada, a oposição partiu para a ofensiva e reivindicou o pedido de explicações das autoridades do governo sobre as denúncias. O líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), em discurso no plenário concordou com a necessidade de Meirelles e Casseb darem explicações aos parlamentares e chegou a dizer que "a oposição tem o direito de cobrar dos homens públicos atitudes e posições". Na quarta-feira da semana passada, a Comissão de Fiscalização e Controle aprovou o convite, que teve aval do governo, para as explicações dos dois presidentes. A posição defensiva passou para a ofensiva nesta semana. Irritados com a continuidade do vazamento de informações sigilosas e a falta de critério das investigações, membros do governo acusaram diretamente Antero de ser a fonte do repasse dos documentos da CPI à imprensa.Antero mudou de lado e passou a defender que não teria sido ele quem liberou o acesso aos papéis dos inquéritos e lacrou as caixas com os documentos da CPI. E nesta sexta-feira o relator decidiu interromper as investigações sobre pessoas que tiveram os sigilos fiscal e bancário quebrados em bloco, o que é considerado ilegal. Os esforços de reformular a CPI se explicam também na vontade de setores da oposição, principalmente o PFL, que acham que a CPI foi longe demais. "Esse descaminho da CPI prejudica a todos, inclusive a instituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito", afirmou Calheiros. Como a semana terminou com o governo na posição de acusador e a oposição na de defensor, os depoimentos de Casseb e Meirelles devem ficar para setembro.

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