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Governadores do PMDB querem ''independência'' do governo Lula

05 novembro 2004 - 16h48

 Em reunião realizada em São Paulo, cinco governadores do PMDB se declararam favoráveis a adotar uma posição de independência em relação ao governo federal e entregar os dois ministérios do partido no governo. A reunião foi convocada pelo presidente nacional do partido, Michel Temer, para discutir o resultado das eleições municipais. As posições definidas no encontro serão encaminhadas à reunião da Direção Executiva do partido, que acontecerá em Brasília no próximo dia 10. O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, enfatizou a diferença entre ter independência e ser oposição, mas defendeu a saída do governo. "Pode ter dentro do PMDB divergências com relação a isso. Eu tenho uma opinião, de que nós temos de dar sustentação àqueles fundamentos principais da política econômica do governo federal. Reformas estruturais, as que avançarem ou as que vão avançar ainda. Então, não é o PMDB ir para a oposição, é o PMDB ajudar o governo federal, ajudar o presidente Lula, mas sem cargos. A questão dos cargos, eu disse ao presidente lá no início [do governo], não é bom para o governo e não é bom para o PMDB". A governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Mateus, que compareceu com o marido, Anthony Garotinho, disse foi "ouvir qual é a proposta do PMDB". "Eu tenho a minha posição, que eu nunca escondi desde o inicio do meu governo. A minha posição é de que o PMDB nem deveria ter entrado [no governo], mas a gente não discute o PMDB de forma isolada. A minha posição é de que deve sair para, inclusive, se fortalecer. Votar o que for importante para o Brasil e não votar o que nós consideramos que não seja importante e viável para o país". O presidente do PMDB em São Paulo, Orestes Quércia, disse: "O sentimento que eu vejo quase com unanimidade é no sentido de desembarcar do governo. Significa ter independência em relação ao governo. Não significa ser oposição ao governo. É um sentimento que o PMDB sempre teve". Questionado sobre o alcance dessa posição, se implicaria entregar os cargos no governo federal, Quércia afirmou: "A gente sente que caminha nesse sentido. Isso vai para a reunião do dia 10, do conselho, vai para uma convenção nacional". Em sua fala, Orestes Quércia recriminou o ministro da Previdência, Amir Lando, do mesmo partido, por não incluir membros da sua legenda nas inaugurações ou cerimônias de sua pasta. "Um ministro como Amir Lando não significa nada para o PMDB", disse Quércia. Também se pronunciaram por deixar o governo federal e assumir uma postura independente os governadores Roberto Requião, do Paraná, e Joaquim Roriz, do Distrito Federal. Requião disse que apoiar o governo e assumir cargos reforça uma imagem "fisiologista" do PMDB que deve ser evitada. Roriz afirmou que, em sua opinião, o partido não deveria ter entrado no governo. "Estou dentro da tese de que os ministros devem entregar o poder", declarou Roriz. 

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