Dez horas da manhã. Toca o telefone do curitibano Antônio Alves Júnior, de 26 anos. Um repórter de rádio do Rio de Janeiro conversa com ele. Minutos depois, uma emissora de tevê de Brasília o entrevista. Pela segunda vez em pouco menos de 15 dias, ele se transforma em protagonista do duelo com o Vasco, pela Copa do Brasil. O jogo de volta da segunda fase, amanhã, às 21h45, foi transferido de São Januário o santuário do Maracanã. Antônio Alves Júnior pode deixar de ser conhecido como Juninho, goleiro do Gama, e passar a ser Juninho, “o goleiro que sofreu o milésimo gol de Romário”. Uma vitória simples ou empate a partir de 3 x 3, no entanto, leva o alviverde para a próxima fase da Copa do Brasil.
A primeira vez como centro das atenções do time do DF foi em 21 de março, no jogo de ida entre Gama e Vasco, no Mané Garrincha. A partida terminou empatada por 2 x 2, mas o Baixinho não balançou as redes protegidas por Juninho. Até então, o artilheiro ostentava a marca de 998 gols. Nos 13 dias seguintes, ele marcou apenas uma vez em dois jogos.
A história insiste em perseguir o goleiro do Gama. “Parece que meu destino está traçado, né?”, opinou o arqueiro alviverde. As ligações na manhã de ontem, as seguidas entrevistas e a sessão de fotos no campo de treino do time, à tarde, são sinais de que Juninho não se preocupa com a pressão do momento.
O alviverde tem opinião diferente à do flamenguista Bruno e do botafoguense Júlio César, que impediram a comemoração do milésimo gol de Romário e se irritaram com a insistência da imprensa no assunto. “Eu e o Brasil inteiro estamos torcendo pelo milésimo gol de Romário, mas estou focado, agora, na classificação do Gama para a próxima fase da Copa do Brasil.” O técnico Gilson Kleina também está na torcida pelo atacante. “Se vencermos, Romário pode até fazer o milésimo gol.”
Juninho vive uma boa fase na carreira. “Fui bem para caramba nos jogos que disputei no campeonato local”, gabou-se o camisa 1, titular do time nos últimos seis jogos. “Quero ver vocês aqui (no centro de treinamento) na quinta-feira para falar sobre o goleiro que evitou o milésimo gol”, disse o treinador de goleiros Márcio Defendi aos jornalistas que foram ao treino ontem.
Diferença
As câmeras e microfones voltados para Juninho no dia seguinte à tentativa frustrada de Romário de comemorar seu gol mil contra o Botafogo mudaram a rotina no treino do Gama. Marcada para as 16h, a movimentação só iniciou 15 minutos mais tarde. Culpa dos fotógrafos, cinegrafistas e repórteres que cercaram o arqueiro em busca de todos os dados sobre sua carreira.
Juninho foi revelado no Coritiba. Por 12 anos foi dono da camisa 12, enquanto a número 1 era usada por goleiros como o ex-corintiano Nei, o ex-vascaíno Régis, o ex-Sport Gilberto, e o ex-Brasiliense Eduardo. Do Paraná, seguiu para o Ituiutaba-MG e, no ano passado, para o Sampaio Corrêa-MA.
Apesar de ter passado 15 dias desde que encarou Romário pela primeira vez, Juninho garantiu que o sentimento é outro: “No jogo do Mané Garrincha, estava mais ansioso. Mas agora, o time todo vem de um momento bom no campeonato do DF”. Ele contou, também, que treinou alguns movimentos especiais antes do empate por 2 x 2, em Brasília, para evitar levar gols de Romário, mas Defendi garantiu que o treino foi exatamente igual aos demais. Com a experiência de ter sido vice-campeão brasileiro em 1996 com a Portuguesa, o preparador de goleiros já deu conselhos ao pupilo: “O jogo contra o Vasco é daqueles que uma boa atuação pode render um contrato melhor no futuro”.
Desfalques
Gilson Kleina deverá mesmo recuar o volante Valdir Tubarão para jogar na zaga ao lado de Cléber Carioca e Augusto, que atuará improvisado como o homem da sobra. O comandante não poderá contar com os defensores Ciro, expulso no duelo no Mané Garrincha, e Éder e Dênis, contundidos. “Romário, bem marcado, já fez 999 gols. Temos que ter muita atenção nele e nos demais jogadores do Vasco. Principalmente naqueles que criam a jogada que termina nos pés de Romário”, comentou Kleina. A mudança do local do jogo de São Januário para o Maracanã agradou o experiente Augusto. “É muito gostoso jogar lá (Maracanã). Ganhar lá, é melhor ainda.” (Correio Braziliense)
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