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Gaeco patina no Caso Motel; OAB vai pedir relatório

13 abril 2006 - 14h37

A investigação das mortes de Murilo Alcalde e Eliane Ortiz, ocorridas em 21 de junho do ano passado patina em seu terceiro inquérito, mas agora a expectativa é de que os promotores encarregados de elucidar o chamado Caso Motel apontem os assassinos para que o crime não faça parte das estatísticas dos homicídios insolúveis e da impunidade. Os corpos foram encontrados no dia 21 de junho de 2005 no quarto 42 do Motel Chega Mais, em Campo Grande. A OAB-MS vai cobrar resultados na semana que vem.O que mais causa indignação é que extra-oficialmente as circunstâncias, a motivação e os prováveis assassinos são conhecidos e fazem parte de confidências entre policiais. “Foi uma trapalhada, o rapaz morreu porque estava no lugar errado na hora errada. Também não era para a Eliane morrer, houve exagero na prensa (interrogatório) e ela peidou (jargão usado pela polícia para dizer que a pessoa não agüentou a tortura e morreu)”, disse, no anonimato, um oficial da Polícia Militar que já foi comandante dos policiais suspeitos do crime. Na versão que corre entre policiais, é de que o principal suspeito, o cabo Adriano de Araújo Melo, deveria ter sido indicado, pois aparece na boate onde Eliane trabalhava, esteve na cena do crime e foi ao IML supostamente para “ajudar” na necropsia.Outros três policiais militares, que estavam em uma viatura e também foram vistos no IML, teriam assassinado Murilo por asfixia, com saco plástico na cabeça, depois de testemunhar a morte da acompanhante por estrangulamento. “A Eliane era suspeita de mexer com drogas e os policiais foram muito duros no interrogatório e deu no que deu, tiveram que matar para não deixar testemunhas”, conta o oficial da PM.Na próxima semana a OAB-MS vai requisitar cópias do processo e dos depoimentos já tomados pelo Gaeco. “Nosso comissão acompanha os trabalhos, mas não teve acesso a algumas oitivas. Vamos nos reunir na próxima semana, requisitar cópias e distribuir à imprensa um documento sobre a posição da OAB diante desse que é mais um caso flagrante de impunidade”, disse o presidente da OAB-MS, Geraldo Escobar. O presidente da OAB-MS chegou a bater boca com o ex-secretário de Segurança Pública, deputado Antonio Braga, que não gostou de ser questionado e criticou Escobar por causa de uma placa, colocada em frente da sede da Ordem cobrando solução para o Caso Motel.O pai de Murilo Alcalde, empresário José Marcos Alcalde, tem expectativa de elucidação do caso, embora com um fiozinho de dúvida, por causa da indisposição de órgãos da Secretaria de Justiça e Segurança Pública em colaborar. “O doutor Smaniotto e a doutora Jiskia tem me informado sobre o andamento do processo, há muita boa vontade dos promotores”, diz José Marcos Alcalde. Os promotores Clóvis Smaniotto e Jiskia Trentin integram o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e assumiram as investigações em novembro do ano passado.O Caso Motel é apenas mais um dos crimes sem solução que a Polícia de Mato Grosso do Sul coleciona. Em todos os crimes as circunstâncias são distintas, mas a condução das investigações é a mesma, submersas em emaranhados de versões, algumas fantasiosas, outras contraditórias e invariavelmente sob o manto do sigilo.Os promotores Jiskia Trentin e Clóvis Smaniotto assumiram o Caso Motel em 22 de novembro de 2005. Eles acompanhavam o caso quando ainda era investigado pela Polícia Civil, designados para auxiliar o promotor Eduardo Rizkallah, do Tribunal do Júri. Este foi o caminho apontado pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos. Depois que a Polícia Civil concluiu o caso sem apontar culpados para as mortes, os promotores pediram que a Polícia Militar apurasse como ocorreram as mortes. Mas o juiz Aluízio dos Santos determinou que o Gaeco era o órgão de maior credibilidade para investigar o caso. O inquérito conduzido pela Polícia Civil virou apêndice do processo no Gaeco. O Ministério Público não encaminhou o processo à Justiça por considerar que a investigação da Polícia não continha indícios suficientes para denunciar culpados.A Polícia Militar abriu um IPM (Inquérito Policial Militar) que confundiu ainda mais o trabalho de investigação. Apesar de todas as evidências, o responsável pelo IPM, tenente-coronel, Gustavo David Gonçalves, disse que não haveria como chegar a culpado algum. O inquérito foi concluído em dezembro e encaminhado para o chefe de Estado Maior, coronel Jonas Domingos, que remeteu à Justiça Militar para arquivamento. O relatório do inquérito militar também remeteu o caso ao Gaeco.Um série de intervenções e manobras procuraram, a todo tempo, desviar o curso das investigações, como o exame toxicológico em Murilo, que morreu por asfixia, mas não tinha sinais visíveis de estrangulamento, como sua acompanhante. O cabo da PM Adriano de Araújo Melo pulou o muro do motel e o sargento PM Getúlio Morelli dos Santos pediu para lavar a mão machucada, mas esses indícios de participação deles no crime nunca foram considerados nas investigações, embora sejam suficientes para o indiciamento dos suspeitos.O empresário José Marcos Alcalde não se conforma com a alegação do então secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Braga, dizendo que o caso estava liquidado. "A autoria ainda não foi esclarecida, como dizer que o caso está concluído?", questionou.Para o juiz da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, Júlio Roberto Siqueira Cardoso havia dúvidas sobre suposto envolvimento de policiais civis e militares, por isso as instituições deveriam ter sido colocadas sob suspeição e o caso remetido à esfera da Polícia Federal. A Polícia “escarafunchou” e lançou um festival de teses para confundir o trabalho de elucidação. Como a própria Polícia queria, o caso foi encerrado sem identificação de envolvidos e motivação, o que fez com que o Ministério Público não oferecesse denúncia à Justiça. As perguntas que não querem calar são: por que os dois jovens morreram? A garota, que fazia programas na boate Mariza’s American Bar, sabia de algo? Ela tinha algum romance? O que os policias faziam na boate, estão de serviço ou explorando as prostitutas? Murilo era a pessoa errada no local errado? Qual o futuro de um delegado que não resolve nada e recebe promoção depois de arquivar caso tão rumoroso? Quem deu sumiço nas provas? Qual o papel do comandante-geral da PM, coronel Ivan de Almeida?  

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