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Falta licença ambiental ou bom senso?, por Valdir Cardoso

14 fevereiro 2011 - 17h26

A discussão sobre a proibição de shows artísticos no Parque de Exposições “Laucídio Coelho”, decisão tomada pelo Poder Judiciário, o mesmo que permite ao Poder Público –Governo do estado e Prefeitura da Capital- realizar eventos tão barulhentos como a tradicional festa quase centenária, está se tornando motivo para galhofas por parte da população que vê suas autoridades maiores envolvidas em um embate que poderia ser resolvido facilmente, caso houvesse bom senso.

O secretário Marcos Cristaldo, da Sematur, apesar do desconforto, declarou acanhadamente que em Campo Grande nenhum local tem licença ambiental para a realização de mega shows que ultrapassem os limites previstos na Lei do Silêncio e que, sem as adequações por parte da Acrissul, o evento realizado há 74 anos, não terá a permissão da Prefeitura, apesar do esforço da Câmara de Vereadores que alterou a Lei na tentativa de resolver o problema, mesmo que parcialmente.

O que não dá para entender é como a própria Prefeitura realiza grandes eventos na Praça da República e na “Cidade do Papai Noel”, locais que segundo Cristaldo não possuem licença ambiental e o Governo do Estado interfere diretamente na questão “mandando”, através do secretário de Governo Osmar Jerônimo, transferir show marcado para o dia 18 de março, do Parque de Exposições para o Estádio “Pedro Pedrossian”, o Morenão, que também não possui licença ambiental.

O Problema, então é político? O problema é empresarial? Ou o caso surgiu porque Campo Grande não tem nenhum tipo de problema nas áreas de Saúde, habitação, tráfico de drogas, dependentes químicos sem assistência e outras “coisas sem importância” e nossas autoridades precisam avisar à população que elas estão vigilantes?

Se o problema for político é fácil de ser explicado. O presidente da Acrissul, Chico Maia é irmão do prefeito de Bela Vista, Francisco Maia (PT) desafeto declarado do governador André Puccinelli e o rancor do chefe do Executivo é mais forte do que o seu desejo de defender os interesses do Estado.

Se o problema for de ordem empresarial, sou obrigado a acreditar que está em curso um projeto para a construção de um conjunto de torres na área em frente ao Parque Laucídio Coelho, cuja incorporadora estaria negociando com os proprietários, mas devido ao “barulho” promovido pelos eventos no Parque o fechamento está se complicando. Como se trata de grupos poderosos decide-se pelo fim da tradicional feira do setor que embala o desenvolvimento regional: o agro negócio.

Agora, com sua decisão de ontem, o prefeito Nelsinho Trad, vetando o carnaval na Via Morena, transferindo-o para as proximidades do Cemitério Santo Amaro, comprova que o secretário Marcos Cristaldo está com a razão: “Nenhum local de shows em Campo Grande tem licença ambiental e sem licença ambiental não haverá show”.

Diante de tal alegação e decisão do prefeito nem o jogo entre Comercial e Vasco da Gama pela Copa do Brasil ou o show de Fernando & Sorocaba poderão acontecer no Estádio “Pedro Pedrossian”, em área contígua ao Hospital Universitário e próximo à populosa e querida Vila Olinda.

É só um morador, desde que seja influente, reclamar do barulho que a Promotoria denunciará e o TJ proibirá a realização de tais eventos. Ou será que os moradores da Vila Olinda, os doentes internados no Hospital Universitário (em número mínimo, pois nunca há vagas) são munícipes de segunda categoria e podem ficar a mercê da enorme massa de torcedores comercialinos que em uma hipotética vitória do alvi-rubro sobre o Vasco queimarão fogos, isto sem falar naqueles locutores de voz estridente gritando GOOOOOOOOOOOOOLLLLLLL, ou terão que murmurar: ... gol?

Quanto à realização do desfile de carnaval nas proximidades do Cemitério Santo Amaro há o inconveniente de que alguém que tenha os restos mortais de um ente-querido sepultados naquele local e acredite em vida após a morte, possa apelar para a Justiça no sentido de proibir o evento que “atrapalharia o descanso eterno” do parente...

O que está faltando é bom senso, conforme declarou o vereador professor João Rocha: “Vamos começar agora, a partir deste episódio, que devemos resolver usando o bom senso, nos debruçar sobre Campo Grande, qual a sua vocação, caso contrário estaremos perdendo uma grande oportunidade para planejar o futuro da nossa cidade, que foi porta de entrada para a região norte do país e agora está em busca da sua verdadeira vocação”.

(*) O autor é jornalista e foi vereador, presidente da Câmara da Capital, deputado estadual e Prefeito de Campo Grande e, em 40 anos na imprensa, nunca presenciou tão grande festival de besteiras. Em Campo Grande, 12/02/2011.

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