Na religião indígena, assim como nas religiões africanas não existe a figura de Jesus Cristo como Salvador do mundo. Bem antes dos europeus chegarem em terras brasileiras as várias tribos e povos que viviam no território nacional adoravam deuses que estavam ligados à natureza, sendo principal deles Tupã, o deus supremo.
O líder indígena Anastácio Peralta, que também é coordenador de assuntos indígenas da Prefeitura de Dourados, explica que esta prática ainda é mantida. “Temos um deus para cada tipo de situação e são vários” afirma ele.
Como aconteceu entre os escravos, os colonizadores não só do Brasil, mas de todo o continente americano proibiram os nativos de cultuarem seus deuses e quando o permitiam, ligavam esses deuses a símbolos cristãos na tentativa de “conquistar as mentes e corações” dos “donos do continente”.
Eleazar Lopes Hernández, teólogo e índio do México, escreveu um artigo para a revista “Missões” onde conta um pouco mais sobre o assunto. “A justaposição de símbolos cristãos e de expressões da religião, ou religiosidade indígena, pouco a pouco, conduziu à substituição dos símbolos. A convicção de que não havia contradição intrínseca entre fé cristã e fé indígena levou à convicção de que tanto fazia que o símbolo viesse de um lado ou do outro. E, como o indígena era questionado pelos missionários, o melhor era adotar os símbolos cristãos. Foi o que fizeram nossos antepassados. Os santos, particularmente, a Virgem Maria, foram os símbolos mais usados. Acabaram ocupando o lugar dos símbolos indígenas de Deus, ligados à terra, à chuva, à fecundidade, à solução dos problemas específicos da vida. O que antes pediam e faziam diante da divindade indígena, o mesmo pediam e faziam, agora, diante do Deus cristão ou seus intermediários”, diz ele. (Leia mais aqui).
Roque de Barros Laraia, estudioso da cultura indígena, escreveu para a edição da revista USP edição de setembro a novembro de 2005 sobre cristianismo e religião indígena, citando André Thevet (1941) que teve contato com a religião indígena em uma visita ao Brasil. ““Os selvagens fazem menção a um grande senhor, chamando-lhe em sua língua de Tupã, o qual, dizem, lá no alto troveja e faz chover; mas de nenhum modo sabem orar ou venerar, nem tem lugar próprio para isto. E se alguém lhes fala de Deus, como o . z, escutam admirados e atentos, perguntando se o Deus que se fala não seria talvez o profeta que lhes ensinou a plantar essas grossas raízes, chamadas por eles de hetich [mandioca]”
Roque de Barros diz que “em todas as religiões indígenas, não se pode esperar uma estrutura que funcione dentro de uma lógica que é nossa”, por isso as diferenças devem ser respeitadas. (Leia aqui a íntegra)
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