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Ex-diretor da BBC chama Blair de mentiroso

29 agosto 2004 - 17h10

O ex-diretor geral da BBC Greg Dyke, que se demitiu em janeiro por causa do "caso Kelly", declarou que o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, agiu de forma incompetente ou mentirosa em relação à guerra no Iraque. A acusação aparece nas memórias de Dyke, que teve trechos publicados hoje pela imprensa britânica. Dyke renunciou ao seu cargo depois que o juiz Brian Hutton criticou duramente a BBC e isentou o governo britânico de culpa em sua investigação sobre o suicídio do cientista e especialista em armas David Kelly. Kelly foi a fonte do jornalista da BBC na polêmica notícia em que essa rede de TV acusou o governo Blair de "inflar" um relatório sobre a ameaça representada pelas armas iraquianas com o fim de justificar a invasão para derrubar o ditador Saddam Hussein. Sete meses após as críticas de Hutton à BBC, cuja notícia sobre o Iraque foi considerada "infundada", Dyke publicou um livro de memórias no qual critica o primeiro-ministro por intimidar a corporação. Na opinião do carismático jornalista, Blair "foi incompetente e colocou o Reino Unido na guerra por um mal-entendido ou mentiu quando disse na Câmara dos Comuns que não sabia o que significava a alegação dos 45 minutos". Dyke se refere em sua memórias ao famoso relatório sobre a ameaça de Saddam, que advertia que o Iraque podia usar armas de destruição em massa em 45 minutos, perigo que não pôde ser verificado. O antigo diretor da BBC também acusa o primeiro-ministro de "jogar aos cachorros" a rede pública e de tentar meter medo no veículo por sua cobertura da guerra. Dyke divulga uma carta enviada ao então presidente da diretoria da BBC, Gavyn Davies, que também renunciou por causa do "caso Kelly", na qual Blair afirma: "Parece que houve uma ruptura na separação entre a notícia e o comentário". O ex-diretor geral destaca, além disso, que o chefe do governo forçou seu então diretor de comunicações, Alastair Campbell, a deixar seu posto porque estava "fora de controle" e "obcecado" com sua batalha para impor-se à BBC.Um porta-voz de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro britânico, se recusou a comentar essas críticas e limitou-se a dizer que "Greg Dyke tem direito a ter sua opinião", embora "apesar de nós não compartilharmos dela". Ontem, o autor da polêmica notícia da BBC, Andrew Gilligan, também advertiu que a rede pública corre o risco de sofrer algum tipo de intimidação da parte do governo por causa das críticas de Hutton.

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