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Estrada precária tira leite de pobre em Minas Gerais

12 setembro 2004 - 15h13

A falta de infra-estrutura básica no Brasil compromete não apenas a expansão da economia do país.Afeta também um dos principais projetos do governo Lula, que é o de alimentar os mais pobres. Em 37 municípios de Minas Gerais, cerca de 80 mil pessoas --20 mil famílias-- com renda familiar de até meio salário mínimo (R$ 130,00) estão fora do programa de distribuição de leite por falta de estradas pavimentadas. O programa Leite pela Vida nas quatro regiões mais pobres do Estado, entre elas o Vale do Jequitinhonha, foi lançado na cidade de Montes Claros, no último mês de março, pelo então diretor-gerente do FMI, Horst Köhler, e pelo ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, cuja pasta financia 85% do programa, gerido pelo governo de Minas. Como o leite é um produto perecível, com um prazo de validade máximo de dois dias, desde que devidamente resfriado, é fundamental distribuí-lo rapidamente. E é justamente nas regiões mais pobres de Minas que estão os 224 municípios sem ligação asfáltica. Mesmo nas 163 cidades em que o leite está chegando, há dificuldades de tráfego dos caminhões das 22 cooperativas conveniadas, que são encarregadas de recolher, processar e distribuir o produto. O custo estimado pelo governo de Aécio Neves (PSDB) para pavimentar as estradas de acesso dessas cidades é de R$ 465 milhões. São 5.700 quilômetros de estradas de terra a serem asfaltadas. O Estado diz ter a garantia de financiamento de US$ 100 milhões pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), mas cobra o aval necessário da União para o Senado aprovar o empréstimo. Os R$ 300 milhões do BID representam cerca de 0,4% do superávit primário (diferença entre receitas e despesas, exceto o serviço das dívidas) que a administração Lula projeta para este ano. É com esse superávit que o governo faz o pagamento das suas dívidas. O Leite pela Vida vai custar neste ano R$ 23 milhões. Têm direito ao produto famílias com crianças de seis meses a seis anos, gestantes e idosos. São 2.400 produtores, com cinco vacas em média e produção de até cem litros de leite ao dia, que recebem R$ 0,50 por litro. Outros R$ 0,50 vão para as cooperativas. As famílias beneficiadas são 82 mil --330 mil pessoas. "Se tivesse acesso pavimentado, teríamos condições de colocar o leite em todas as cidades [200]. É um programa importante, que, além do alimento, gera emprego e renda na própria região", disse Luiz Henrique Santiago, coordenador do programa, vinculado à Secretaria para o Desenvolvimento dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri e do Norte de Minas. Segundo ele, a pasta faz também um trabalho para tentar reativar antigas cooperativas de leite nas cidades mais afetadas e, assim, possibilitar o acesso ao produto. Outro lado O Ministério do Desenvolvimento Social disse, por meio de sua assessoria, que o problema de infra-estrutura viária nas regiões pobres de Minas, com prejuízo ao Leite pela Vida, nunca foi comunicado pelo governo estadual. Na pasta dos Transportes, a assessoria disse que "o governo está consciente de que tem de investir muito em infra-estrutura, com o apoio de Estados e municípios" e que estes receberam no primeiro semestre a primeira parcela da Cide (a contribuição sobre combustíveis) para obras em estradas. O governo mineiro afirmou que os recursos da Cide foram usados na recuperação de rodovias estaduais. Nas regiões pobres sem estradas pavimentadas, o governo está usando recursos próprios, mas diz depender do empréstimo do BID para concluir o trabalho.

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