A entrevista desta semana do Dourados News é com Cleiton Almeida, 36, representante do Comando de Greve da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e abordará sobre o movimento de paralisação que acontece na universidade e envolve técnicos administrativos, docentes e acadêmicos.
Cleiton trabalha no setor administrativo da universidade desde 2007 e no momento atua na Divisão de Controle e Estoque de Patrimônio. Ele é graduado em Administração e possui especialização em Gestão Estratégica de Recursos Humanos.
O representante já acompanhou quatro movimentos de greve dos técnicos administrativos da UFGD e destaca que o atual pode ser considerado o mais forte até o momento.
O profissional destaca que o movimento que ocorre a nível nacional busca impactar com o “Agosto Vermelho” que trará diversas ações diferentes para divulgar as reivindicações a população e também pressionar os representantes políticos por soluções as demandas da categoria.
A classe busca reajuste salarial, o reposicionamento dos aposentados e pensionistas na categoria, jornada de trabalho de 30 horas semanais, piso salarial para os iniciantes na carreira, entre outros. Para atenção a essas causas nesta semana a categoria realizou um bloqueio na avenida Guaicurus e de acordo com Cleiton, mais atos como esse estão previstos.
A expectativa é que haja um retorno do governo para estas reivindicações até dia 21 de agosto, data em que se encerram as definições para a questão orçamentária.
A categoria se posiciona também contra o corte de recursos para a universidade, que de acordo com Cleiton, pode gerar grandes prejuízos para a comunidade acadêmica. Quanto ao atraso das atividades para os alunos com o ato, o representante cita que haverá prejuízos, porém com a medida de suspender o calendário acadêmico isso é amenizado.
Ainda segundo ele, os estudantes tem apoiado e entendem a legitimidade do movimento.
Veja a entrevista na íntegra
Dourados News- Qual o atual cenário da paralisação em todo o país?
Cleinton Almeida- Esse mês de agosto foi deliberado a nível nacional o Agosto Vermelho para intensificar as manifestações que são contrárias a retirada de recursos do serviço público, cortes da educação e da saúde principalmente e a falta de negociação com as categorias em greve. A UFGD tem dez anos aqui e nunca tivemos um corte como o desse ano. Sempre tivemos expansão, novos cursos e atualmente o que temos é a manutenção basicamente da universidade. Temos construções que precisam ser feitas para os cursos que estão ainda em implantação e tecnicamente ficaremos sem verbas para os encaminharmos. Isso tudo motiva essa greve generalizada que está ocorrendo na UFGD. Nacionalmente são 77 instituições que participam do movimento entre universidades e institutos federais. Em Dourados o movimento dos técnicos começou no dia 29 de maio, dos docentes no dia 28. No mês passado conseguimos encaminhar a suspensão do calendário acadêmico, quando encerrar-se a greve vai ter que retomar o calendário acadêmico desde a data do início da greve.
D.N- Então nesse mês, as ações serão diferenciadas?
C.A- Tendo em vista que a questão orçamentária do governo fecha agora dia 21 de agosto, temos pressionado para que seja dado alguma posição as nossas reivindicações antes dessa data e embora exista sinalização que se coloque um valor estimativo no orçamento para ser fechado depois, só que não temos esse interesse e nem o de permanecer em greve. O interesse da categoria é ter as reivindicações atendidas e voltar ao atendimento normal o quanto antes.
D.N- Dá para se ter uma base de quantos profissionais estão de ‘braços cruzados’ em Dourados?
C.A- São cerca de 900 técnicos e a grande maioria está paralisada, isso no HU e na UFGD, fora que também há os terceirizados.
D.N -Como funciona o comando de greve?
C.A- Tenho participado mais ativamente das duas últimas greves no comando. Quando se delibera pela greve é montado um sistema para responder especificamente pelas ações durante esse movimento. Atualmente no comando de greve dos técnicos somos em oito pessoas que se dividem para acompanhar reuniões a nível regional e nacional.
D.N- Essa já pode ser considerada a maior greve da categoria?
C.A- Pelo menos na UFGD sim. Nos últimos anos a nível nacional também creio que tem sido um dos movimentos mais fortes que tem ocorrido que abrange mais pontos do que a nossa a nível regional, tais como se mostrar contra a terceirização, o que muito importante já que é uma precarização do serviço.
D.N- O que motivou a paralisação?
C.A- Os principais pontos que norteiam essa greve são: os cortes de investimentos como dito, a falta de negociação com os servidores e a questão da terceirização. Nossas reivindicações vão além do reajuste. Segundo o cálculo do Dieese estamos com uma perda de 25% do poder aquisitivo desde 2011, além disso tem a questão de planos de carreira, de benefícios, aposentadoria, uma série de outros detalhes que são demandas dos técnicos. Na pauta geral do serviço público como um todo, tem a questão da solicitação de carga horária de 30 horas, benefícios e isonomias, reajuste de vale alimentação que seja igual para todas as categorias.
D.N- Você acredita que o ato tenha sido influenciado por questões políticas?
C.A- Penso que não deixa de ser. Toda greve ocorre em função de uma política, nesse caso a que o governo colocou de não dar reajuste aos trabalhadores e estabelecer cortes em áreas essenciais como a saúde e a educação. Isso é uma desvalorização do serviço público, o governo por algum interesse político no momento prefere priorizar outras áreas. Não é que não tenha recurso, o mesmo existe mas as prioridades tem sido outras.
D.N- Você acredita que as negociações avançaram?
C.A- Tem avançado em alguns pontos, em pautas não financeiras como chamamos. Como regulamentações para estudos, as próprias questões de 30 horas, o governo tem mostrado interesse em atender esses tipos de reivindicações, só que não está definido como essas serão implementadas. Já a questão do reajuste, o governo não tem se apressado em atender e coloca inclusive que talvez isso não possa ser fechado antes de preparado o orçamento. Esse ano já foi colocado que irão estabelecer um valor estimativo para o orçamento e que o acordo pode ser fechado posteriormente, ou seja, não há interesse ou agilidade em resolver essa situação.
D.N- Quanto a greve de 2012 e a atual, qual a semelhança das reivindicações?
C.A- Boa parte da pauta das reivindicações de agora são as mesmas já cobradas em 2012 e há inclusive algumas que já estavam no acordo de 2012 e que não foram cumpridas. São itens semelhantes mais a questão da reposição salarial.
D.N- Acredita que as questões fossem melhores pontuadas em 2012, não tivesse uma nova greve atualmente?
C.A- Talvez tivesse sim mas, com menos intensidade e com menos pontos pendentes.
D.N- Na manhã do dia 11 os grevistas fizeram bloqueios do trânsito na Guaicurus, como o ato foi visto pela população?
C.A- Boa parte da população entende as reivindicações, mas sempre tem os que não gostam, pois, o ato causa ali um retardo no planejamento delas. Mas, isso faz parte, a gente tem que acirrar as vezes os atos de greve, porque se você fizer a paralisação e só ficar de braço cruzado, o alcance fica limitado. Com o movimento esse ano já conseguimos avanços na comunicação, divulgação, o MPF (Ministério Público Federal) solicitou informações sobre o andamento da greve principalmente em relação aos atendimentos do HU e o mesmo reconheceu que o movimento é de âmbito nacional, prestamos os esclarecimentos necessários e perceberam que temos tomado todos os cuidados necessários no sentido de não trazer prejuízos irreversíveis a população e constou na ata que vão provocar o Ministério do Planejamento para darem agilidade e solução aos problemas. Claro que não há como a população não ter prejuízos, mas, isso mostra que o movimento acontece, mas busca preservar também a vida das pessoas, mantendo serviços essenciais.
D.N- Quais as próximas ações previstas?
C.A- Tem algumas ações que estão sendo apontadas para serem desenvolvidas e vamos fechar no final desta semana junto a categoria.
D.N- Podem haver mais ações com bloqueio em algum trecho?
C.A- Há a possibilidade e talvez ocorram em outros pontos da cidade. A princípio a deliberação era para que fosse feito em rodovias federais mas, como nós já temos a situação da Avenida Guaicurus que é uma via que dá acesso as universidades e historicamente sempre necessitou de melhorias que embora estejam sendo realizadas, estão com bastante atraso, acabamos optando por fazer esse primeiro lá. Mas também poderemos ter outros atos junto a população e atos internos de discussão.
D.N- E quanto a previsão do término do movimento?
C.A- Temos a previsão de uma reunião com o governo no dia 17, onde ficou de apresentar um índice de reajuste e detalhes de outros pontos de reivindicações e dependendo do que for deliberado no comando nacional pode ser que a proposta venha para votação, mas dependendo do andamento isso ainda pode prolongar um pouco mais.
D.N- Quantos alunos ficaram sem aula na UFGD? Como será esse prejuízo?
C.A- A Universidade tem mais de 8 mil alunos. O atraso no momento se refere a cerca de um atraso de 45 dias do final do primeiro semestre, mas se demorar mais vai avançar no calendário do segundo semestre. Mas os acadêmicos, tem entendido e apoiado o movimento. É uma busca para eles também, tem cursos ali que possuem laboratórios que precisam ser concluídos e não tem previsão, eles entendem que a greve busca fortalecer o serviço oferecido pelas universidades federais.
D.N- Quanto a suspensão do calendário acadêmico, é a melhor opção no momento?
C.A- Penso que sim pois, suspende-se a aula que havia desde quando declarada a greve, e isso terá que ser repassado para os alunos que perderam as aulas, ou seja, por mais que o professor tenha dado aula nesse período, ele vai ter a obrigação de repor, o que não gera mais prejuízos aos alunos. Já para os técnicos e para os docentes isso é mais uma conquista política em termos de mostrar que a greve foi tão forte que inviabilizou qualquer possibilidade de continuar as aulas.
D.N- Em relação ao corte de repasses pelo governo a UFGD, como isso pode influenciar a comunidade acadêmica?
C.A- Basicamente a falta desses recursos para investimentos já tem ocorrido em especial os que são aplicados em obras, equipamentos e custeio. Corre-se o risco até de faltar produtos básicos para a aula de laboratório, bolsas de estudo e na questão de investimento há a previsão de um corte grande também. Não se sabe ao certo de quanto é o corte em valores exatos mas,é bastante prejudicial para a comunidade acadêmica em geral e por isso é parte importantíssima da luta do nosso movimento.
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Para Cleiton, suspensão do calendário acadêmico foi a melhor medida no momento