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Era Lula consagra república sindical

06 abril 2008 - 06h35

Com a regulamentação das centrais sindicais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de consagrar seu governo como o que mais benefícios concedeu aos sindicalistas. Cinco anos após sua eleição, mais de uma dezena de conquistas podem ser listadas, como reflexo direto de suas origens, mas também da massiva ocupação de cargos de comando na máquina federal por ex-sindicalistas. Uma pesquisa coordenada por Maria Celina D?Araújo, da Fundação Getúlio Vargas, indica que 45% dos cargos de alto comando dentro do governo estão hoje nas mãos de sindicalizados - enquanto a média nacional é de apenas 14%.

A vantagem oferecida por Lula na semana passada às centrais sindicais - livrando-as da fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) - é apenas uma das benesses conquistadas pela categoria como fruto desse espaço obtido. Mas há muitas outras vitórias, como o acordo que fixou uma política de reajuste para o salário mínimo até 2023 com reajuste indexado à inflação e ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a correção da tabela do Imposto de Renda ou mesmo a garantia de que os trabalhadores terão assento nos conselhos das estatais.

"Nos governos anteriores, era a tropa de choque que nos recebia em Brasília, não era o presidente. Agora, a gente faz uma manifestação e o presidente nos recebe, coloca ministro para receber, dialoga, estabelece processo de negociação", afirma José Lopez Feijóo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e ex-companheiro de manifestações nas portas das fábricas do presidente.

"Foram essas negociações que resultaram na política do salário mínimo, no envio para o Congresso da convenção 151 e 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), sobre negociação coletiva no setor público e contra demissões sem justa causa na iniciativa privada. Então, veja, há uma postura diferenciada em relação aos movimentos sociais", conclui Feijóo. A força dos sindicalistas, com cada vez mais espaço e cargos, pode ser verificada também com a pressão exercida pelo setor para impedir a votação de reformas, como a da Previdência e a trabalhista.

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