As relações entre Equador e Colômbia voltaram a ficar tensas nesta segunda-feira, um mês depois da crise diplomática entre os dois países, desencadeada por uma operação militar colombiana contra um acampamento das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em território equatoriano. Em um comunicado oficial, o governo da Colômbia denunciou a violação de seu espaço aéreo por um helicóptero das Forças Armadas equatorianas.
Segundo o comunicado, dois helicópteros do Exército da Colômbia interceptaram o helicóptero militar equatoriano no espaço aéreo colombiano por volta das 11h10 (horário local) de domingo. De acordo com o governo colombiano, seus helicópteros tentaram estabelecer contato com a aeronave equatoriana, mas não conseguiram. Ordenaram, então, que o piloto pousasse no aeroporto da cidade de Tumaco, no sul da Colômbia. No entanto, segundo o comunicado, o piloto do helicóptero equatoriano não obedeceu.
O governo colombiano afirmou que não tomou nenhuma medida contra o helicóptero "por tratar-se de uma aeronave militar das Forças Aéreas Equatorianas" e disse que as autoridades militares do Equador foram informadas do fato. O Ministério da Defesa do Equador disse que o caso está sendo investigado.
Haia
As acusações do governo colombiano foram feitas horas depois de o governo do Equador anunciar a abertura de um processo contra a Colômbia no Tribunal Internacional de Haia por causa de aplicações aéreas do herbicida glifosato feitas pela Colômbia em plantações de coca localizadas na fronteira entre os dois países. Segundo a chanceler equatoriana, María Isabel Salvador, que apresentou a queixa ao Tribunal Internacional de Haia, a ação "não está relacionada" com a recente crise diplomática entre os dois países.
A ministra equatoriana afirmou que seu país "tem provas contundentes" de que as aplicações de glifosato, que têm o objetivo de erradicar as plantações de coca do território colombiano, "ultrapassaram a fronteira", causando danos "ao Equador, sua população e seu meio ambiente". Salvador disse ainda que desde 2000, quando foram iniciadas as pulverizações, o Equador pede à Colômbia a sua suspensão.
"Sem outro recurso, depois de sete anos de esforços diplomáticos infrutíferos e frustrantes, o Equador apresentou uma queixa", disse a chanceler, em entrevista à imprensa. Em um comunicado oficial, o governo equatoriano afirmou que busca três "remédios" com a ação em Haia. O primeiro é a declaração de que "a Colômbia violou a soberania e a integridade territorial do Equador... com as aplicações".
O Equador quer ainda que a Colômbia receba uma ordem para "se abster de realizar no futuro pulverizações a uma distância de 10 quilômetros da fronteira" e também uma ordem para pagar "reparações ao Equador pelo dano causado".
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