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Enquanto lei quer censurar, mercado de sex shop cresce

13 janeiro 2010 - 11h00

A polêmica criada pela Câmara Municipal de Campo Grande com o projeto de lei “anti-pornografia não afeta o movimento nos sex shop da Capital. Enquanto os vereadores querem censurar a divulgação pública desse tipo de comércio, o mercado parece cada vez mais promissor. O setor cresce visivelmente, com novas fachadas e vitrines aparecendo a cada dia na cidade, com direito a box até na Feira Central de Campo Grande.

O projeto proposto pelo vereador Paulo Siufi (PMDB) diz que estabelecimentos que exibem e comercializam produtos e materiais eróticos e pornográficos deverão adotar medidas para restringir à visualização dos mesmos. Revistas pornográficas também ficariam com as capas encobertas nas prateleiras das bancas. A restrição atingiria, inclusive, outdoors, banners, faixas, cartazes e até cinemas.A gerente da Labareda Sex Shop, Karina Brum, 30 anos, diz que a recente polêmica aumentou a clientela, que procurou a loja para matar a curiosidade sobre os produtos.

“O fato de os vereadores terem divulgado este assunto lotou a loja. Pelo visto, a medida não foi tão popular quanto se pensou. Tem dia que saímos daqui após as 22h, tamanho o movimento”, comenta.Mesmo assim, Karina concorda em alguns pontos da lei e que deve existir reserva na publicidade. “Tem de ser usar uma linguagem sutil, subliminar”, comenta a gerente da loja que espalhou outdoors pela cidade com a divulgação do sex shop, com imagens bem humoradas que sugerem a fantasia entre casais.

Ela conta que a loja não veicula outdoors com mulheres nuas, mas um “tipo mais engraçado”, com algumas aves fantasiadas. “Mesmo assim, não é apenas este segmento que faz este tipo de publicidade, e as companhias de cerveja, por exemplo?”, reclama.

Pornografia - A costureira Maria Guilhermina Shimabukuro, 63 anos, acha que não se pode proibir nenhum tipo de publicidade com contexto erótico, “A TV já mostra tudo isso, até coisa pior, para que tirar?”, questiona.A loja que teria sido um dos motivos para a lei anti-pornografia, a Afrodite Sex Shop, com seu outdoor de uma mamãe Noel mais ousada, também tem aumentado o número de clientes, diz a dona.

A proprietária da loja, Josi Braga, de 25 anos, diz que vários clientes ficaram indignados com a questão levantada pelos vereadores e que “há outras coisas para eles se preocuparem”.A proibição quanto às vitrines, para Josi não tem lógica. “As lojas de roupas não têm? Não temos nada escandaloso na vitrine”. A empresária comenta que o público é na maioria casais e que o maior movimento é durante o fim do ano e o Dia dos Namorados.

Ofensas – O repositor Douglas Pereira, 27 anos, não vê problema nos outdoors ou peças publicitárias sobre o assunto, “eu não me sinto ofendido, não existe a liberdade de expressão?”.Outros se indignam com a atitude tomada pelos vereadores, como Vilma Maciel Gonçalves, de 46 anos, “Estão errados em proibir, isso (propaganda) não ofende ninguém. É uma hipocrisia, os vereadores deveriam cuidar do que é importante na cidade”, avalia a inspetora escolar.

Mesma opinião tem o motorista João Antônio, 38 anos, “Eles não tem o que fazer. Vivemos em uma democracia. Vão proibir pessoas de biquíni nas praias também?”.Veto - O prefeito Nelson Trad Filho (PMDB) afirmou que irá vetar integralmente o projeto que restringe materiais eróticos e pornográficos na Capital.Nelsinho afirmou ainda que se o veto for derrubado pela Câmara de Vereadores, ele irá buscar a Justiça até a última instância para impedir que o projeto vire lei.

O prefeito afirma que o projeto é subjetivo e poderá prejudicar até mesmo o Carnaval de rua, ao impedir os foliões de desfilarem com poucas roupas. “O projeto de lei põe uma interrogação no Carnaval. Vão tem de ir ao Carnaval de bata e calça jeans”, ressaltou. Mesma tentativa em Santa Catarina foi considerada inconstitucional.

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