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Enem vem modificando modelo de vestibular, segundo o MEC

06 abril 2008 - 07h53

Um dos objetivos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) desde a sua criação é a possibilidade de intervir na elaboração dos currículos de ensino médio e no atual modelo de vestibular que ainda é adotado pelas instituições. Quem defende essa idéia é o diretor de Avaliação da Educação Básica do Ministério da Educação (MEC), Amaury Gremaud.

O coordenador-geral do exame, Dorivan Gomes, afirma que o objetivo do Enem é avaliar se o aluno conseguiu transformar as informações recebidas na escola em conhecimento. “Quando a escola só passa a informação, o aluno faz a prova e esquece depois. Mas quando o conteúdo está contextualizado com o mundo e a comunidade em que ele vive, aquilo não se perde mais e é esse conhecimento que ele vai usar na vida”, explica.

Para ele, criou-se uma mentalidade de que o ensino médio é um curso preparatório para o vestibular. “A escola tem que preparar o cidadão. Não é a universidade que tem que dizer se o aluno tem de saber esse ou aquele conteúdo”, critica.

Em 2007, os alunos que participaram do exame atingiram o melhor desempenho dos últimos 5 anos: 51,52 pontos na prova objetiva e 55,99 na redação (numa escala de 0 a 100). Já em 2006, as notas foram 36,09 e 52,08 respectivamente. De acordo com o diretor de avaliação da educação básica do Ministério da Educação, o desempenho dos estudantes durante as diferentes edições não pode ser comparado porque a prova apresenta níveis de dificuldade diferentes a cada ano.

Apesar de não fornecer um comparativo evolutivo, algumas escolas ou municípios utilizam os resultados para identificar deficiências, segundo informou o coordenador-geral do exame. “Desde o ano passado, o Inep [Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais] tomou a decisão de divulgar os resultados do Enem por escola para que o próprio estado ou município possa elaborar políticas de educacionais em cima disso”, explicou.

Para o educador José Dias Sobrinho, especialista em sistemas de avaliação, o diagnóstico apontado pelos exames deve sempre resultar em ações que visem à melhoria da educação. “Se não houver alguma medida posterior aos exames, eles são completamente inúteis”, avalia.

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