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Embrião é gente?

02 abril 2008 - 15h47

É claro que esta pergunta poderia ser respondida por pessoas muito mais qualificadas, sobretudo por médicos que trabalham nesta área. Mas, ao retomar esta discussão, quero fazê-lo a partir da ética, do campo filosófico e teológico, recordando o porquê da posição da Igreja Católica e da maioria das igrejas cristãs e de boa parte da ciência.
Uma primeira análise que precisa ser feitata é que se não há nem sequer consenso de quando começa a vida, nem mesmo por parte dos cientistas, liberar a pesquisa scom células-tronco embrionária seria um contra senso, pois amanhã pode-se afirmar que a vida começa na fecundação, como acredita parte da própria ciência. Portanto, enquanto não houver uma certeza que sim ou que não, pesquisas com embriões devem ser declaradas ilegais.
Segundo: a Igreja Católica é sempre apresentada como contrária ao progresso. Nunca os cientistas católicos recebem o mesmo tratamento na mídia. O grande público não sabe, por exemplo, que a Academia de Ciência do Vaticano, conta com 40 cientistas, dos quais 29 são "prêmios nobel", que comungam desta visão, apesar de haver entre eles alguns que são agnósticos ou de outras religiões. Portanto, se alguns cientistas, de modo manipulador querem desqualificar a Igreja Católica e o fazem sem considerar os princípios da ética, porque a Igreja fala não a partir do interesse de alguns cientistas, cuja finalidade vai muito mais em direção ao poder financeiro.
Usar de prerrogativas, acusando a Igreja Católica como detentora do poder há dois mil anos e como se ela fosse a culpada pelos males da sociedade é no mínimo um contra senso brutal. Quem fez a bomba atômica, foi a Igreja Católica? Para que serve esta bomba? Foi a ciência! Mas negar os benefícios da ciência seria injusto, porém negar suas falhas seria camuflar a verdade. Assim podemos dizer o mesmo da Igreja: negar seus pecados, seria tolice, negar, no entanto, sua colaboração na construção de uma sociedade mais justa, seria alienação.
A Igreja Católica e a maioria dos demais cristãos são a favor da pesquisa com células adultas, pois há células-troncos na medula óssea, na placenta, no cordão umbilical, e em vários órgãos, isto, além de ser eticamente aceitável e muito mais seguro, pois, afinal já existe muitas pesquisas que comprovam tais teorias, enquanto que com as células-troncos embrionárias, há controvérsia dentro da própria ciência. Atualmente já existam leis que proibem pesquisas em laboratórios com animais, mas que permite seres humanos. Um ratinho está mais protegido do que uma pessoa!
Graves são as afirmações de seus defensores. Por exemplo, o relator do projeto no Supremo, ministro Carlos Ayres Britto, afirmou que a Constituição protege o ser humano já nascido. "Vida humana, com personalidade jurídica, é fenômeno que ocorre entre o nascimento e a morte", isto é, pessoa humana, o é, quando registrada. Isto abre uma lacuna sem precendentes na lei. Daqui a pouco, a partir da psicologia, vão dizer que a criança só é gente depois dos dois, três ..., sete anos quando começa a raciocinar mais organizadamente.
Nossa Constituição tem muitas lacunas, inclusive, a de permitir através de habeas Corpus, que muitos indivíduos perigosos: ladrões e assassinos vivam livres. Sendo assim, vamos dizer que quem mata não é assassino e quem rouba não é ladrão!
Outra situação perigosa é usar portadores de deficiência como muleta, a partir de suas dores, para pressionar o imaginário da população, seria o mesmo que dizer que para salvar um ser humano, autorizamos matar outro. É a ideologia do mais forte que subjuga o mais fraco.
E mais, segunda a Dra. Alice Ferreira, Profa. Dra. da Universidade Federal de São Paulo, Doutora em Biologia Molecular, Pós-Doutorado na "Research Division of Cleveland Clinic Foundation, Cleveland, Ohio, Estados Unidos, livre Docente em Biofísica, pela Universidade Federal de São Paulo, "o objetivo não é 'científico' nem humanitário. Pretende-se arranjar um pretexto para livrar as geladeiras dos laboratórios, ocupadas por seres humanos 'indesejáveis', preservados com alto custo. Pretende-se ainda escancarar as portas para a legalização do aborto, tão avidamente desejado por certos grupos que se dizem, ironicamente, defensores dos 'direitos humanos'. De fato, se a lei passar a autorizar a morte de crianças congeladas fora do útero, por que motivo não autorizar também a morte das que estão dentro do útero?"
E quanto à rejeição? Responde a mesma especialista: "Além de só poderem ser obtidas à custa da morte dos embriões humanos, as células-tronco embrionárias apresentam inúmeros problemas. O primeiro deles é a rejeição do organismo a células estranhas. O segundo é a alta probabilidade do desenvolvimento de tumores, devido à alteração do DNA do núcleo de tais células. Se forem empregados embriões ditos 'inviáveis', o risco é maior ainda. O fato é que até hoje ninguém ficou curado através do implante de células-tronco embrionárias humanas".
Como se pode perceber, é algo muito sério, que não deve ser discutido no calor das paixões!

 
Pe. Crispim Guimarães
Coordenador de Pastoral de Dourados


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