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Embrapa discute os desafios e as promessas do girassol

15 fevereiro 2007 - 17h00


Durante dois dias, especialistas, técnicos e produtores discutiram a cultura do girassol em um seminário, onde a cultura foi colocada como uma nova fonte de energia para o Centro-Oeste. O evento, promovido e realizado pela Brasil Ecodiesel e Embrapa Agropecuária Oeste, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e com apoio da Embrapa Escritório de Negócios de Dourados, contou com a participação de 150 pessoas no auditório da Embrapa.

Oleaginosa, originária da América do Norte, o girassol é cultivado, atualmente, em todos os continentes e destaca-se por suas características físico-químicas e nutricionais, sendo considerado um dos óleos vegetais de melhor qualidade nutricional e organoléptica (aroma e sabor) do mundo. Além disso, a massa resultante da extração rende uma torta altamente protéica, usada na produção de ração animal. No sistema de produção, pode colaborar com sua diversificação, apresentando-se como opção nos sistemas de rotação e sucessão de culturas.

Clayton Giani Bortolini, um dos palestrantes do encontro, ressalta que “a continuidade do monocultivo pode levar a agricultura brasileira ao fim, temos que pensar no plantio direto correto e, verdadeiramente, um sistema plantio direto é feito de rotação de cultura e palhada. Hoje ele proporciona bons índices de produtividade e há muita informação disponível, o produtor precisa correr atrás, sujar a botina. A rotação de cultura é uma necessidade urgente com benefícios futuros e visíveis”.

No caso do girassol, o diretor de pesquisas da Fundação Rio Verde de Lucas do Rio Verde-MT, explica que a cultura é uma alternativa para a safrinha, como o milho, o sorgo, o milheto e a mamona. “Por ter grande adaptabilidade ao Cerrado, otimizar a estrutura da propriedade, bom potencial econômico e diversas finalidades, o girassol aparece como uma nova espécie para rotação, reduzindo pragas e doenças da soja, nematóides e amplia o espaço de cultivo da safrinha. Talvez esse seja seu maior ganho”.

Outro ponto a favor é “ser uma planta recicladora de nutrientes, em razão de sua estrutura radicular. Ou seja, as culturas que sucedem o girassol serão sempre beneficiadas e antes da pesquisa provar isso, já ouvíamos relatos positivos dos produtores”, conta o pesquisador da Embrapa Soja, César de Castro.

Especialista em manejo de soja e girassol, Castro destaca que este é um momento importante para a cultura. “Hoje temos 110 mil hectares plantados no Brasil, a expectativa é que esse número dobre em um espaço curto de tempo, não somente em função do uso do girassol como biocombustível, mas das demais possibilidades, como óleo para alimentação. Acredito que o mercado vai se adequando à cultura, as pesquisas também e isso traz segurança para os agricultores investirem”.

Entretanto, o pesquisador alerta que um dos gargalhos do girassol é a sua implantação. “A operação de semeadura ainda é uma fase delicada, em função das máquinas disponíveis não serem apropriadas para o plantio desta semente. O produtor não tem tradição em cultivar girassol, conseguiremos isso aos poucos”.

Quanto à mecanização, o técnico da Embrapa Agropecuária Oeste, Euclides Maranho, avisa que “o agricultor precisa, realmente, adaptar o maquinário para o plantio da cultura e isso exige um conhecimento técnico para que não ocorram erros no plantio, na produção e na colheita, sempre observando experiências anteriores”. Ele lembra que como o milho, o girassol não tem poder de compensação e é imprescindível o acompanhamento dos ‘stands’ para manter uma média de produção.

Custos – falar em produção não é possível sem mencionar os custos. Socioeconomista da Embrapa, Alceu Richetti, detalha que o custo depende “do sistema de produção, do nível tecnológico, dos preços dos insumos, da gerência da propriedade, do custo-benefício, da identificação dos componentes com maior peso e da tomada de decisão. Tudo isso o produtor deve avaliar. Não basta planejar para uma safra, o agricultor tem que pensar para cinco, dez anos. Ele precisa saber o que deseja para o futuro de sua propriedade”.

Para o mercado atual, uma lavoura de girassol, entre custos fixos e variáveis, custa R$ 610,11 reais, onde “os fertilizantes consomem 39% do custo total e no sistema produtivo, 38% dos custos são inteiramente empregados no plantio”.


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