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MATO GROSSO DO SUL

Setor produtivo cita até liberação do FGTS para justificar alta no preço da carne

13 fevereiro 2020 - 08h16Por André Bento

Relatório disponibilizado pela Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul) mostra as justificativas do setor produtivo para a alta nos preços das carnes no final de 2019. Além do aumento nas exportações à China, cita oferta abaixo da demanda no mercado interno e até a liberação do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

Intitulado “Relatório Agroeconômico do Centro-Oeste 4º Trimestre de 2019”, foi elaborado pela Aliança Agroeconômica, composta pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e entidades do setor ruralista sul-mato-grossense, de Mato Grosso, e de Goiás.

O documento reconhece que no decorrer do ano passado os preços da arroba do boi gordo apresentaram acréscimos significativos nos três estados do Centro-Oeste, principalmente no quarto trimestre. “No período em questão, a arroba encerrou o ano cotada a R$ 182,64/@ em Mato Grosso do Sul, a R$ 179,61/@ em Mato Grosso e a R$186,79/@ em Goiás”, detalha.

Acrescenta que “essa valorização acentuada da arroba esteve atrelada ao aquecimento da demanda interna, que foi impulsionada pela liberação do FGTS na tentativa de melhora no fluxo da economia, aliado a liberação do décimo terceiro e as festividades de final de ano, fatores esses que propiciaram uma alta significativa na procura pela proteína no mercado interno”.

Conforme a Caixa Econômica Federal, a Lei nº 13.932/2019 autorizou novas modalidades de saque do FGTS. Isso vale para todos os trabalhadores que possuam contas ativas ou inativas do fundo. Contudo, o saque só é permitido até R$ 500,00 de cada uma delas, limitado ao valor do saldo.

Mas o setor produtivo do Centro-Oeste brasileiro menciona como outro motivo para alta nos preços das carnes “a oferta de animais aptos para abate, que no período esteve aquém da demanda. “Como consequência, os preços referentes ao 4º trimestre de 2019 ante ao trimestre anterior apresentaram variação de 22,54%, 19,86% e de 23,70% em MS, MT e GO, respectivamente”.

Por fim, aponta aumento nas exportações por causa da Peste Suína Africana (PSA) que fez a China demandar mais proteína bovina, “fechando acordos e aumentando o número de frigoríficos habilitados para destinação da carne bovina brasileira”.

“Além do incremento no volume exportado, com a elevação nas cotações do dólar em 2019, a receita gerada também foi maior para a economia dos três estados”, destaca.

Esse relatório detalha que no 4º trimestre do ano passado Mato Grosso exportou 117,35 mil toneladas (alta de 20,20% no comparativo com o 3º trimestre), Goiás 76,93 mil toneladas (alta de 33,30%), e Mato Grosso do Sul 581,52 toneladas (queda de 3,86%). No período o Brasil comercializou no mercado internacional 550,82 mil toneladas (alta de 17,54%).

Sobre o resultado sul-mato-grossense, o relatório diz ser “devido à sazonalidade dos clientes que compram preferencialmente em outros períodos do ano”.

PREÇOS

No final de 2019, a alta nos preços das carnes bovinas foi confirmada pelo Procon (Programa Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor). Em pesquisa divulgada no dia 4 deste mês, apontou o quilo da carne de segunda vendido por valores entre R$ 11,98 e R$ 22,99 em 13 supermercados de Dourados.

Um ano antes, em fevereiro de 2019, era possível comprar esse produto por R$ 9,99 ou R$ 14,99. Utilizada como referência de carne de segunda para pesquisa de preços, a paleta custava de R$ 7,99 a R$ 19,99 em julho passado, de R$ 9,90 a R$ 18,99 em agosto e de R$ 9,90 a R$ 19,90 entre setembro e outubro.

Foi a partir de novembro que encareceu, com preços entre R$ 10,98 e R$ 20,99. Em dezembro já passaram a R$ 16,90 e R$ 26,99, e em janeiro de 2020 estava entre R$ 13,99 e R$ 27,99.

Justamente no final de novembro de 2019 a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, disse em visita a Dourados que o aumento nos preços foi motivado por momento de euforia dos mercados e descartou a retomada dos patamares anteriores.

“Tem que lembrar quanto tempo a arroba do boi ficou parada. Ninguém falava que estava barato demais. O produtor rural aguentou muitos anos. Isso é um momento de equilíbrio dessa cadeia produtiva. A cadeia vive um momento de euforia, mas já já esse mercado vai se equilibrar”, disse, acrescentando que “os preços não serão mais os preços praticados há dois meses atrás”.

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