A revisão do eleitorado por meio do sistema biométrico afetou a economia de Fátima do Sul, um dos três municípios selecionados para testar a nova urna nas eleições municipais deste ano. Comerciantes, empresários e vendedores ambulantes aproveitaram os 30 dias do processo de cadastramento para faturar mais e até ampliar seus negócios com a movimentação dos eleitores e dos 50 servidores que se instalaram na cidade para trabalhar no cadastramento.
"Movimento assim só no carnaval da cidade, durante no máximo quatro dias. Tive um carnaval de um mês", afirmou João Alexandre de Oliveira Yoshimoto, 29 anos, dono de uma padaria no centro da cidade. O município conta com cerca de 20 mil habitantes e sua economia gira em torno do agronegócio da soja e da pecuária.
Para a dona de um dos quatro hotéis de Fátima do Sul - o qual permaneceu lotado para atender o pessoal que trabalhou no cadastramento - o mês de março vai deixar saudades não só pelo faturamento elevado. "Nunca tivemos um resultado como esse e contratamos mais uma funcionária para darmos conta do serviço", afirmou Rosângela Vasconcelos Martins, 44 anos. A empresária, que em anos anteriores chegou a preparar sua mudança da cidade, revela agora que vai aproveitar o momento para ampliar o seu negócio.
Para João Batista dos Santos Neto, a movimentação dos eleitorado em torno do centro de cadastramento da Justiça Eleitoral foi o impulso que faltava para que inaugurasse sua quarta sorveteria em Fátima do Sul. Há seis anos no município, o empresário viu suas vendas aumentarem a ponto de poder bancar a inauguração do novo local bem no centro da cidade. "O processo de cadastramento foi muito organizado, então as pessoas não perderam tempo em filas e aproveitaram o comércio próximo", explicou.
O dono da única lotérica da cidade, Leonir Pereira Zuleger, também constatou o aumento nas vendas graças ao processo de revisão eleitoral. Em um mês onde praticamente não houve acúmulo significativo da Megasena, o agente lotérico percebeu que as vendas de jogos continuaram altas, mesmo nas últimas semanas de março. "Só pode ter sido resultado do processo de cadastramento", acrescentou.
Mesmo a cidade vizinha de Vicentina se beneficiou do cadastramento biométrico de Fátima do Sul, que não tinha estrutura hoteleira para atender as equipes do Tribunal Regional Eleitoral e da Polícia Federal que trabalharam no cadastramento da população. No pequeno hotel de 14 quartos, Agda Maria dos Santos, 76 anos, viu seus lucros dobrarem e as vendas de refeição triplicarem. "O pessoal que trabalha no cadastramento veio aqui quase todos os dias e o resultado é que muitos tiveram que esperar para serem atendidos no almoço", afirmou Sandra Maria Poças, gerente do pequeno hotel e filha da dona.
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