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CRISE ECONÔMICA

Produção industrial fecha 2015 com queda em MS

22 janeiro 2016 - 10h31

Após quatro meses de relativa estabilidade, a atividade industrial em Mato Grosso do Sul apresentou forte queda em dezembro de 2015, conforme a Sondagem Industrial realizada em outubro pelo Radar Industrial da Fiems junto às empresas sul-mato-grossenses. “O índice referente à produção fechou o mês marcando 33,2 pontos, recuo de 8,8 pontos em relação a novembro e de 9,8 pontos sobre o mesmo mês de 2014. Os dados sugerem um movimento que foi além da sazonalidade típica para o período”, analisou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende.

Ainda de acordo com a Sondagem Industrial, para 56,6% dos respondentes a produção em dezembro foi menor, quando comparada com mês de novembro. Além disso, para 61,3% dos respondentes, a utilização da capacidade instalada ficou abaixo do usual para o mês. “O índice marcou 32,8 pontos em dezembro, queda de 5,7 pontos no comparativo com igual mês de 2014, mantendo o resultado muito abaixo do patamar considerado adequado para o período, que é alcançado quando o indicador se situa em torno dos 50 pontos. Por fim, a ociosidade média no mês de dezembro foi de 38%”, pontuou Ezequiel Resende.

Ele acrescenta que os empresários da indústria estadual não acreditam em melhoras significativas em relação à demanda por seus produtos, quantidade exportada, número de empregados e compras de matérias-primas nos próximos seis meses. “Com exceção da quantidade exportada, os índices que medem a expectativa em relação à demanda por seus produtos, número de empregados e compras de matérias-primas ficaram, mais uma vez, abaixo dos 50 pontos”, afirmou.

Insatisfação

De um modo geral, os empresários industriais se mostraram insatisfeitos com a margem de lucro operacional de suas empresas no quarto trimestre de 2015, com o indicador alcançando 34,1 pontos. Comportamento semelhante foi verificado em relação às condições de acesso ao crédito e situação financeira geral da empresa, os indicadores alcançaram os 30,7 e 35,8 pontos, respectivamente. “Vale ressaltar que valores abaixo de 50 pontos indicam insatisfação dos empresários em relação aos itens pesquisados”, destacou Ezequiel Resende.

A Sondagem Industrial apontou que, em Mato Grosso do Sul, no quarto trimestre de 2015, 64,3% dos empresários industriais consideraram ruim a margem de lucro operacional obtida no período. “Na mesma comparação, o acesso ao crédito foi considerado difícil por 66,7% dos empresários, enquanto a situação financeira geral da empresa foi considerada ruim por 56,8% dos respondentes. Por fim, 76,8% responderam que houve aumento dos preços das matérias-primas utilizadas”, afirmou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems.

O levantamento também demonstrou que a elevada carga tributária, falta ou alto custo de energia, demanda interna insuficiente, falta de capital de giro e taxa de juros elevadas foram os principais problemas apontados pelos industriais sul-mato-grossenses no quarto trimestre do ano. “Ainda chamaram a atenção a falta ou alto custo da matéria-prima e a inadimplência dos clientes”, reforçou Ezequiel Resende.

ICEI

Já o Índice de Confiança do Empresário Industrial em Mato Grosso do Sul (ICEI/MS) segue nos mais baixos patamares da série histórica. “Janeiro de 2016 marca o 18º mês consecutivo com o índice inferior aos 50 pontos, marcando 34 pontos. O resultado permanece abaixo da linha divisória dos 50 pontos, principalmente, pelo pessimismo apresentado em relação às atuais condições da economia brasileira, sendo a variável de pior desempenho, marcando somente 16,8 pontos”, detalhou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems.

Em janeiro, para 93,2% dos respondentes as condições atuais da economia brasileira pioraram, enquanto no caso da economia estadual, na mesma comparação, a piora foi apontada por 81,4% dos participantes. Com relação à própria empresa, as condições atuais estão piores para 65,9% dos respondentes, enquanto para 31,8% elas não se alteraram. Para os próximos seis meses, 66,6% dos respondentes mostraram-se pessimistas em relação à economia brasileira, enquanto no caso da economia estadual o pessimismo foi apontado por 59,1% dos participantes da pesquisa. Com relação ao desempenho da própria empresa, considerando os próximos seis meses, 48,9% dos respondentes mostraram-se pessimistas, patamar ainda próximo aos dos que acham que a situação permanecerá igual, que chegou a 37,8%.

Além disso, 76% dos empresários industriais do Estado não pretendem investir nos próximos seis meses. “O industrial sul-mato-grossense mostra-se pouco confiante em relação aos investimentos, 76,1% dos respondentes disseram que não pretendem realizar investimentos nos próximos seis meses a partir de janeiro. Por fim, o indicador de intenção de investimento marcou 30,5 pontos, recuo de 37,4% sobre igual mês do ano passado”, afirmou Ezequiel Resende.

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