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JUSTIÇA

Lote de habitação popular deve ser quitado com falecimento de beneficiário

23 outubro 2020 - 20h50Por Da Redação

Os desembargadores da 1ª Câmara Cível do TJ/MS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), por unanimidade, negaram provimento ao recurso interposto pela Agência de Habitação Popular do MS contra a ação de procedimento comum que determinou que a apelante dê quitação a um contrato particular de investimento social, expedindo o termo de quitação.

O termo de quitação deve ser expedido em conformidade com o artigo 10, do Decreto n. 14.316/2015, que prevê que em caso de falecimento do beneficiário titular do contrato, a quitação deste será automática, levantando-se quaisquer ônus, dele decorrentes, sobre o imóvel.

Consta no processo que em setembro de 2013 o apelado e sua esposa adquiriram um lote em um conjunto habitacional pelo valor de R$ 10.848,00, parcelado em 160 meses. Em maio de 2014, a esposa faleceu em decorrência de complicações após cirurgia cardíaca e o apelado procurou a existência de seguro com cobertura para morte de beneficiário, porém foi informado que no contrato não havia seguro em caso de morte.

Após o falecimento da esposa, o apelado começou a ter dificuldades financeiras, visto que passou a viver exclusivamente de sua aposentadoria, deixando de pagar prestações do lote, ficando inadimplente. Em 2017, o aposentado ficou sabendo da Lei Estadual n. 4.715, que instituiu o Programa de Recuperação de Créditos, concedendo quitação automática de contrato em caso de falecimento do beneficiário titular do contrato.
 
Diante disso, solicitou à Agehab o deferimento do benefício em relação a seu imóvel e teve o pedido indeferido sob o argumento que o falecimento da esposa se deu em data anterior à publicação da lei.

A agência de habitação sustentou que, na data da comunicação do falecimento da esposa, o pagamento das prestações já estava atrasado, o que contraria disposições da Lei n. 4.715/2015 e do Decreto n. 14.316/2015 para receber a quitação das prestações não vencidas. Apontou ainda que não houve proposta do interessado de quitar ou parcelar a dívida referente às prestações vencidas e inadimplentes da data do falecimento da esposa até a comunicação de seu falecimento.

Para o relator do processo, Desembargador João Maria Lós, a legislação é clara ao estabelecer que a quitação do contrato é automática se o falecimento ocorrer a qualquer tempo depois de firmado o instrumento.

Em seu voto, o magistrado transcreveu o art. 12, da Lei n. 4.715/2015, que prevê que, em caso de falecimento do beneficiário titular do contrato, a qualquer tempo, depois de firmado o instrumento, a quitação do contrato será automática, levantando-se quaisquer ônus, dele decorrentes, sobre o imóvel.
 
O desembargador transcreveu ainda artigos do Decreto n. 14.316/2015, que regulamenta a lei estadual, apontando em quais casos a Agehab não dará quitação do contrato em casos de falecimento do titular do contrato.

“A despeito das alegações da agência de habitação, verifica-se que a beneficiária faleceu em 26/05/2014 e o autor tornou-se inadimplente somente em 30/01/2016. Estão expressas no art. 9º do Decreto as hipóteses em que não será concedido o benefício da quitação por falecimento, além de estabelecer expressamente que a quitação do contrato é automática se o falecimento ocorrer a qualquer tempo depois de firmado o instrumento”, escreveu o relator.

No entender do desembargador, agiu com acerto o juízo de primeiro grau ao reconhecer a aplicabilidade da Lei Estadual n. 4.715/2015 para que seja o débito oriundo do contrato devidamente quitado em razão do falecimento da beneficiária.

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