Menu
Busca quinta, 21 de outubro de 2021
(67) 99257-3397
ECONOMIA

FGV diz que 15 milhões saíram da linha da pobreza com ajuda do auxílio

09 outubro 2020 - 12h27Por Agência Brasil

Em meio à pandemia da Covid-19, o auxílio emergencial contribuiu para a queda temporária da pobreza no Brasil.

Segundo o estudo Covid, Classes Econômicas e o Caminho do Meio: Crônica da Crise até Agosto de 2020, divulgado hoje (9) pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV Social), 15 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza até agosto de 2020, uma queda de 23,7%. A comparação é feita com os dados fechados de 2019.

De acordo com a definição usada pela FGV, a pobreza é caracterizada pela renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo (R$ 522,50). 

Segundo o coordenador da pesquisa, Marcelo Neri, apesar de o país ainda registrar 50 milhões de pobres após esta queda, este é o nível mais baixo de toda a série estatística.

“De maneira geral, a gente observou um boom social inédito, mesmo comparando com períodos pós-estabilização, que foram períodos de boom social. Em toda a série estatística a pobreza nunca esteve num nível tão baixo, são 50 milhões de brasileiros. A queda foi realmente inédita, de acordo com as séries estatísticas”.

A redução de pobreza chegou a 30,4% na Região Nordeste e a 27,5% no Norte do país. No Sul, a redução foi de 13,9%; no Sudeste de 14,2% e no Centro-Oeste a queda na pobreza chegou a 21,7%. 

Segundo a FGV Social, essas regiões têm maiores parcelas do público-alvo do Auxílio Emergencial. “O Brasil, nos nove meses do auxílio emergencial, até o final do ano, pretende gastar R$ 322 bilhões, cerca de nove meses são nove anos de Bolsa Família, uma injeção de recursos bastante substantivo”, destaca o pesquisador.

Mercado de trabalho
Por outro lado, Neri disse que as camadas com renda acima de dois salários mínimos per capita perderam 4,8 milhões de pessoas na pandemia e os dados do mercado de trabalho demonstram forte retração.

“Houve uma queda de renda de 20%. O índice de Gini teve um aumento muito forte, que é o índice de desigualdade. A renda do trabalho da metade mais pobre caiu 28%. Então guarda um certo paradoxo na pesquisa. As rendas de todas as fontes tiveram um aumento espetacular, principalmente na base da distribuição, enquanto a renda do trabalho, que deveria ser a principal renda das pessoas, teve uma queda igualmente espetacular, especialmente também na base da distribuição. O que explica esse paradoxo é a atuação do auxílio emergencial, que atingiu no seu pico com 67 milhões de brasileiros”.

Com a queda no topo e a subida na base das classes de renda, as camadas intermediárias tiveram um aumento de 21,4 milhões de pessoas, o que equivale à quase metade da população da Argentina. Neri lembra que a diminuição na pobreza é temporária e tende a ser totalmente revertida após o fim do auxílio emergencial.

“O boom social ocorrido em plena pandemia é surpreendente, mas enseja uma preocupação, porque a sua principal causa, que é o auxílio emergencial, generoso, que foi concedido, ele cai à metade agora em outubro, e depois é totalmente extinto em 31 dezembro. Então, a nossa estimativa é que esses 15 milhões que saíram da pobreza vão voltar à velha pobreza de maneira relativamente rápida. Isso equivale a cerca de meia Venezuela em termos populacionais”, disse o pesquisador.

A pesquisa aponta também que ainda não foram definidos novos programas sociais para contornar a crise atual, bem como há “cicatrizes trabalhistas de natureza mais permanente abertas pela crise”. 

Além disso, a questão sanitária preocupa, já que o segmento mais pobre, público alvo do auxílio emergencial, tem taxas mais baixas de isolamento social, o que indica o impedimento das pessoas mais pobres em conseguirem exercer “ações mais ajustadas às necessidades impostas pela pandemia”.

Deixe seu Comentário

Leia Também

Coelho arranca gargalhadas e anima pessoas em Dourados
INFORME PUBLICITÁRIO
Coelho arranca gargalhadas e anima pessoas em Dourados
Uma classe unida fortalece a advocacia de todos, diz Beto Teixeira, candidato a presidente de OAB
TV DOURADOS NEWS
Uma classe unida fortalece a advocacia de todos, diz Beto Teixeira, candidato a presidente de OAB
Apreendidos 226 quilos de cocaína nos destroços do helicóptero que caiu
FRONTEIRA
Apreendidos 226 quilos de cocaína nos destroços do helicóptero que caiu
INVESTIMENTO
Dourados recebe quase R$ 4 milhões em obras voltadas para o esporte
DETRAN
MS vai ter CNH Social para beneficiar cinco mil pessoas por ano
IMUNIZAÇÂO
Dourados segue com imunização contra Covid-19 nesta quinta-feira
MS
Preso na Bolívia, "gerente" do bando que roubou aviões é extraditado
TEMPO
Quinta-feira de sol com algumas nuvens em Dourados; não chove
OPERAÇÃO OURO BRANCO
Decretada preventiva de policiais que abasteciam presídio com drogas
BRASIL
Bolsonaro sanciona lei que proíbe eutanásia de cães e gatos de rua

Mais Lidas

CAPTURA
Cobra é capturada em para-choque de carro na região central de Dourados
JARDIM MÁRCIA
Bandidos fazem "limpa" em motel de Dourados e levam até carro
REGIÃO
Duas pessoas morrem carbonizadas após queda de helicóptero carregado com cocaína
DOURADOS
Entreposto que tinha até pé de maconha é fechado e trio preso pela polícia