A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) emendou o seu quarto dia consecutivo de perdas. O índice Ibovespa teve queda de 4,83% nesta quinta-feira, batendo os 53.280 pontos. Somente neste mês, esse indicador (que reflete os preços das ações mais negociadas), tem uma retração acumulada de 5,7%.
O giro financeiro foi de R$ 8,05 bilhões, bem acima da média, num sinal claro do nervosismo que tomou conta dos investidores neste pregão. A frustração com o plano de US$ 400 bilhões anunciado ontem pelo banco central dos EUA afetou os mercados mundiais a começar pelas Bolsas asiáticas, alastrando-se depois pelas Bolsas europeias e americanas.
O vaivém da taxa de câmbio foi outro sinal claro do quadro atual de incertezas. Logo pela manhã, a cotação atingiu R$ 1,965, valor máximo do dia, mas cedeu após uma rara intervenção do Banco Central, que vendeu dólares (no mercado futuro), advertindo que pode voltar a agir.
Dessa forma, o dólar voltou para R$ 1,895 no encerramento das operações, ainda 1,60% mais alto na comparação com o fechamento de ontem.
Segundo analistas, com a forte queda das principais Bolsas no exterior, grandes investidores optaram por vender ações em economias emergentes, como o Brasil, para cobrir perdas lá fora, o que pode ter pressionado a taxa de câmbio doméstica.
As principais Bolsas europeias encerraram os negócios com fortes perdas, a exemplo de Londres (4,66%), Paris (5,25%) e Frankfurt (4,96%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York retrocedeu 3,51%.
Algumas das principais ações brasileiras amargam desvalorizações na casa dos 4% e 5%, a exemplo dos papéis da Vale (baixa de 4,30%) e Petrobras (recuo de 5,33%), somente levando em conta as preferenciais.
No setor siderúrgico, que reúne os papéis preferidos pelos investidores, empresas como CSN, Usiminas e Gerdau viram suas ações recuarem 6,82%, 3,99% e 3,92%.
Outros segmentos tiveram perdas ainda piores: as ações preferenciais da TAM desabaram 8,47%, enquanto os ativos da rival Gol tiveram baixa de 8,36%.
Gilberto Coelho, analista gráfico da TOV Corretora, observa que a Bolsa pode descer até a faixa de 52 mil pontos, caso continue a oscilar abaixo dos 54 mil pontos, um "suporte" importante para o mercado de ações brasileiro.
A análise gráfica, ou técnica, busca identificar níveis de preços que indiquem uma mudança de tendência consistente para o mercado de ações. Em agosto, por exemplo, o patamar dos 48 mil pontos foi visto como um "suporte" para a Bolsa, que bateu nesse valor e subiu pelas semanas seguintes até a faixa dos 55 mil e 57 mil pontos.
ECONOMIA MUNDIAL
O ânimo dos mercados segue abalado pelas perspectivas sombrias da economia mundial. Ontem, o plano de US$ 400 milhões do banco central dos EUA (Federal Reserve) gerou frustração entre uma parcela dos investidores, que esperavam medidas mais ousadas. Outra parcela se assustou com a advertência dessa autoridade monetária para os 'riscos significativos' para o crescimento do país.
O dia também foi repleto de declarações contundentes dos representantes de alguns dos principais organismos mundiais e dos principais grupos econômicos.
"Uma crise feita no mundo desenvolvido poderia se tornar uma crise para países emergentes. Europa, Japão e EUA têm de agir para enfrentar seus grandes problemas econômicos antes que eles se tornem problemas maiores para o resto do mundo", disse o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick.
Sentenças no mesmo sentido foram disparadas pelas lideranças do Reino Unido e de seis dos membros do G20 (grupo dos países mais desenvolvidos), em um comunicado divulgado hoje.
"Para muitas economias avançadas a saída de uma recessão profunda será difícil. (...) Isto terá um impacto nos mercados emergentes, e a capacidade de manobra é mais limitada que em 2009", advertiram.
Com informações da Folha Mercado(Epaminondas Neto)
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