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Economia e vida

17 fevereiro 2010 - 07h20

Este é o tema da Campanha da Fraternidade (CF) 2010 e tem como lema: “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro" (Mt 6,24). A Igreja Católica no Brasil, há mais de quatro décadas, desenvolve estudos e debates na quaresma, através da CF, com o intuito de fazer uma reflexão acerca dos temas pertinentes nos respectivos anos.
Muitos pensam que a Igreja não tem os recursos metodológicos e acadêmicos para desenvolver tais temas, mas, ao contrário, tais temas são muito bem pesquisados por pessoas das mais diversas áreas do saber. A cargo da Igreja fica imprimir uma visão cristã sobre as diferentes realidades.
O texto-base é sempre muito rico, geralmente um material de primeira grandeza que pode iluminar a vida social das comunidades. Neste ano de 2010, inclui críticas à crescente dívida interna do país de mais de um trilhão e seiscentos milhões de reais, às altas taxas de juros, uma das mais elevadas do mundo, à elevada carga tributária, ao sistema financeiro internacional, plenamente vigente no Brasil, onde os bancos são as empresas mais lucrativas, sendo as instituições financeiras mais rentáveis do planeta que recebem mais de 100 bilhões de juros pagos pelo governo com o dinheiro do contribuinte, critica também o Programa de Aceleração do Crescimento.
Quando fala da dívida interna, o texto base ressalta que, “apesar dos gastos com juros e amortizações da dívida pública, a mesma ainda consome mais de 30% dos recursos orçamentários do país e não para de crescer”. Segundo o professor de economia Carlos Vitoratti, se continuar neste ritmo, em seis anos, o governo não terá a mínima condição de investir nos serviços básicos: educação, saúde, policiamento, infraestrutura, etc., limitando a capacidade do governo de destinar verbas aos investimentos sociais. O caminho, diz o economista, seria renegociar inteligentemente a parcela interna como fizeram com a dívida externa.
Apesar da propaganda do Governo sobre a economia, muitas são as máscaras deste sistema excludente, pois “escutamos o discurso oficial de que o país caminha para ser a quinta economia do mundo. Mas é preciso perguntar: se o cenário é tão bom, onde estão os recursos? Ainda temos quase 40 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza e não há trabalho e saúde para todos”.
Obviamente, nenhuma das edições da Campanha da Fraternidade pretendeu atacar governos a partir de suas bandeiras partidárias, e não é o caso agora, todavia estimular os cristãos a abandonarem a passividade, combatendo a omissão da comunidade religiosa em relação ao uso perverso das ferramentas da economia.
A reflexão “deve ser um instrumento à disposição das comunidades cristãs e de todas as pessoas de boa vontade para enfrentarem com consciência crítica os temas do desenvolvimento e da justiça, da economia e da vida humana no Brasil e no mundo. Precisamos denunciar a perversidade de todo modelo econômico que vise em primeiro lugar o lucro, sem se importar com a desigualdade, miséria, fome e morte. A Campanha nos convida a lutar para: incluir a alimentação adequada entre os direitos previstos na Constituição Federal; erradicar o analfabetismo; eliminar o trabalho escravo; combater o trabalho infantil; conseguir uma tributação justa e progressiva; garantir o acesso à água e fazer uma verdadeira Reforma Agrária”.
Porém, a Campanha da Fraternidade também indica algumas iniciativas que estão dando frutos, é o caso dos fundos solidários já existentes em mais de 500 comunidades. Têm o apoio de entidades como a Cáritas Brasileira, ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que oferece suporte a essas ações desde a década de 80 e, na Diocese de Dourados, tem mais de 60 projetos em andamento.

A Campanha da Fraternidade vai até 28 de março, Domingo de Ramos, e quer arrecadar doações durante este período. Os recursos serão destinados para fundos solidários que promovem o desenvolvimento de grupos e comunidades, mobilizados para buscar seu desenvolvimento local e autonomia através de iniciativas de Economia Solidária, Economia de Comunhão, Cáritas e outras, onde os recursos passam pela participação e gestão da comunidade.
Cada pessoa pode fazer a sua parte, pois não podemos servir a Deus e ao Dinheiro, entretanto podemos servir a Deus através do dinheiro, basta usá-lo corretamente. Lembre-se, domingo, dia 21 de fevereiro, às 18h, no Ginásio de Esportes, na Rua Monte Alegre, será celebrada a missa de abertura da Campanha da Fraternidade 2010.
 
 
 
Pe. Crispim Guimarães
Assessor de Comunicação e Coordenador de Pastoral da Diocese de Dourados


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