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Dólar fecha a R$ 1,77, maior taxa em mais de 1 ano; Bolsa cede 0,2%

19 setembro 2011 - 16h29

A rodada de negócios desta segunda-feira no mercado de câmbio doméstico trouxe o dólar comercial (usado nas operações de comércio exterior) para a cotação de R$ 1,779 nas últimas operações do dia. Trata-se da maior taxa desde o início de julho de 2010. Ao longo do expediente, a divisa chegou a bater R$ 1,800 (o valor máximo do dia) e R$ 1,747 (o mínimo).
Essa taxa representa uma forte alta de 2,65%, um "salto" muito pouco visto no dia a dia das cotações: desde maio do ano passado os preços da divisa americana não subiam tanto em uma única sessão.

O dólar turismo não ficou parado e também avançou com força, batendo a casa de R$ 1,910 para venda (alta de 4,37%) e R$ 1,730 para compra, nas casas de câmbio paulistas.

Ainda operando, a Bovespa registra perdas modestas de 0,25%, aos 57.076 pontos. O giro financeiro é de R$ 9,7 bilhões (devido ao vencimento de opções deste mês). Nos EUA, a Bolsa de Nova York cai 0,78%.

"Às vezes o mercado tem um dia de reações exacerbadas mesmo. O dólar não tem motivos para ficar nesse preço. Ele vai voltar para R$ 1,65 ou R$ 1,70, acho que no máximo", comenta Johny Kneese, diretor da corretora de câmbio Levycam. "Acredito que o mercado já considerou o impacto do 'default' da Grécia há muito tempo", acrescenta.

Kneese não descarta, porém, que a taxa de câmbio ainda possa bater a casa de R$ 1,80 ao longo da semana, que promete volatilidade. Na União Europeia, prosseguem as discussões a respeito de novas formas de ajudar a Grécia a não cair em "default". E nos EUA, o Federal Reserve (banco central) se reúne novamente nesta quarta-feira, e pode anunciar novas medidas para estimular a economia local.

####CRISE EUROPEIA

A volatilidade de hoje teve um só nome: Grécia. O temor de que o país mediterrâneo seja forçado a anunciar um "default" (suspensão de pagamentos) no curto prazo, o que poderia gerar uma crise de confiança no velho continente, assombra os mercados há semanas.

Mas o fato do giro de negócios ter sido mais estreito hoje, aliada à ausência do Banco Central, também pode ter contribuído para pressionar os preços.

Como salientam operadores de corretoras e bancos, quando o volume financeiro é fraco, um movimento mais forte em uma ponta (de compra ou de venda) reforça um "viés" dos preços. No mercado de dólar à vista da BM&F, as estatísticas preliminares apontavam um volume de US$ 2,1 bilhões --baixo, ainda que na média da semana passada.

E mais uma vez, o Banco Central optou por não realizar seus habituais leilões para compra de dólares. Profissionais do setor financeiro já começam a criticar a autoridade monetária: eles reclamam que o BC já deveria começar a vender dólares para "corrigir" a instabilidade dos preços nos últimos dias.

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