O senador Delcídio do Amaral (PT/MS) quer que o governo federal adote uma série de medidas que reduzam a carga tributária e estimulem a cadeia produtiva da cana-de-açúcar, para ampliar a produção de etanol, baixar os custos de produção e reduzir o preço final dos combustíveis para o consumidor.
“O Brasil tem um dos maiores e melhores programas de produção etanol do mundo. O problema é que mesmo com a instalação de um número cada vez maior de usinas, o volume produzido não tem conseguido acompanhar a demanda pelo combustível, em função do aumento da frota de veículos flex e também do valor pago pelos motoristas na hora de encher o tanque, que subiu muito e acaba levando o consumidor a optar pela gasolina. Por isso, o setor sucro-energético precisa ter incentivos, como a isenção do PIS-Cofins e a redução de outros impostos, para que a produção volte a crescer, acompanhe o crescimento da demanda e o preço final caia”, defendeu Delcídio, durante a solenidade de abertura do Congresso de Tecnologia da Cadeia Produtiva da Cana de Açúcar de Mato Grosso do Sul, o Canasul 2011, realizada na noite de segunda-feira, 7 de novembro, no pavilhão de eventos da UNIGRAM, em Dourados.
Delcídio disse que Mato Grosso do Sul reúne todas as condições para se consolidar como um dos maiores centros produtores de etanol e da chamada “energia limpa” do Brasil.
“O potencial do nosso estado é imenso , em função da terra boa e em quantidade suficiente para ampliar a área plantada de cana e receber novas usinas. Um dos maiores exemplos está aqui na região da Grande Dourados, onde foram implantadas, nos últimos anos, 13 usinas.E o melhor é que elas não produzem somente açúcar e álcool, mas também geram energia a partir da biomassa da cana, que conquista um mercado cada vez maior em todo o mundo. E com a biomassa, temos condições de desenvolver aqui a química verde, com produtos plásticos biodegradáveis feitos a partir do bagaço de cana, que não poluem o meio ambiente”, frisou o senador.
###Palestra
A palestra de abertura do Canasul 2011 foi proferida pelo diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, que foi a Dourados a convite de Delcídio e do prefeito Murilo Zauith. O palestrante falou sobre a evolução do mercado de etanol em Mato Grosso do Sul e no Brasil.
“O Brasil vinha crescendo em termos de produção de etanol em um ritmo bastante acelerado, na ordem de 7% a 8% ao ano desde 2003, quando foi incrementada a produção dos veículos flex. Paralelamente, a nossa economia continuou crescendo e a melhoria de renda fez com que muitos brasileiros migrassem para as classes B e C, aumentando a demanda por carros. Isso fez com que a procura por etanol aumentasse bastante. Nós tínhamos também boas perspectivas no mercado internacional, com vários países criando políticas e programas de utilização de combustíveis renováveis, mas a crise de 2008 deu uma impactada muito forte no setor. Só os projetos que estavam em curso continuaram porque os empresários já tinham colocado muito dinheiro no negócio e não valia a pena parar. Enquanto isso, todos os outros projetos que ainda não haviam sido iniciados tiveram que ser postergados. Então, nesses últimos três anos, enfrentamos um período de retração de oferta diante de uma demanda que continua aquecida porque a renda do brasileiro segue crescendo. Agora, estamos buscando mecanismos para voltar a retomar o crescimento do etanol mediante o uso das informações do zoneamento agro-ecológico da cana-de-açúcar, que identifiquem exatamente quais são as melhores áreas possíveis de expansão. Paralelamente, o governo busca mecanismos de fomento e de incentivo para retomar os novos projetos de investimentos”, revelou Dornelles.
O diretor do MME afirmou que Mato Grosso do Sul é um caso exemplar.
“O zoneamento agroecologico identificou 63 milhões de hectares de cana no Brasil para expansão. Desse total, temos 10 milhões de hectares em Mato Grosso do Sul, o que significa dizer que 1/6 do potencial de expansão de cana no Brasil está aqui em Mato Grosso do Sul. Tradicionalmente, o estado produz mais álcool do que açúcar e no cenário atual isso é importante, ou seja, é ponto favorável para quem está produzindo mais álcool, já que a oferta de etanol está mais reduzida. Na safra passada, com os problemas de quebra de safra enfrentados por São Paulo, Mato Grosso do Sul registrou a melhor produtividade do Brasil. Portanto, é importante dizer que as perspectivas do estado para os próximos anos são muito interessantes”, garantiu Ricardo Dornelles.
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