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Delcídio cobra investimentos da Vale em Mato Grosso do Sul

30 novembro 2011 - 09h58

O senador Delcídio Amaral (PT-MS) ocupou na noite desta terça-feira, a
Tribuna do Senado Federal para cobrar investimentos da companhia Vale em Mato
Grosso do Sul, tendo em vista que até agora os empreendimentos anunciados
pela companhia no estado não foram cumpridos.

“Acompanhei nos últimos dias informações que alguns jornais veicularam
sobre prioridades nos investimentos da empresa. Foram citados vários
projetos no Brasil e no exterior, mas, curiosamente, não vi uma linha
sequer sobre o meu estado, e mais especificamente, sobre a minha cidade,
Corumbá, na fronteira com a Bolívia”, afirmou Delcídio. “Vejo com grande
preocupação esse mutismo da Vale porque há um esforço grande do governo
federal, dos deputados e senadores que nos representam em Brasília, da
administração estadual e da Assembléia Legislativa no sentido de
viabilizar projetos fundamentais para o desenvolvimento econômico e
social de Mato Grosso do Sul.Precisamos desses investimentos para gerar
emprego, renda, diversificar nossa economia, qualificar a mão de obra e
criar perspectivas para a região “, defendeu.

O senador destacou que a Vale explora há vários anos jazidas de ferro em
Corumbá, chegou a adquirir as lavras que eram operadas pela multinacional
RTZ, prometeu ampliar a produção, agregar valor ao produto, mas até agora
nada aconteceu.

“ A Vale chegou a anunciar que iríamos alcançar a produção de 15 milhões
de tonelada/ano, mas não saímos dos 4 milhões. Na verdade, nem sei se
chegamos aos 4 milhões. Enquanto isso, outras mineradoras que operam na
região aumentaram a produção e passaram a agregar valor ao minério de
ferro, como aconteceu com o projeto da MMX, depois vendido para o Grupo
Setorial, que produz gusa em uma siderúrgica de Corumbá e também no
município de Ribas do Rio Pardo”, argumentou.

Delcídio não sabe se a Vale tem interesse em manter o direito de explorar
o minério da região ou eventualmente evitar que outro investidor participe
do processo e gere riqueza local.

“Eu não sei o que acontece até porque todos os interessados têm que
percorrer um verdadeiro labirinto para alcançar a concessão da lavra .
Mesmo que a Vale não tenha demonstrado interesse em investir no meu
estado, não faltam investidores interessados em implementar projetos em
Mato Grosso do Sul, embora estes enfrentem inúmeras dificuldades para
conseguir a concessão”, afirmou.

Novas regras - Para Delcídio, uma das soluções para acabar com o
problema é aprovar uma nova legislação para o setor de mineração, que
obrigue as empresas a investirem nas concessões recebidas.

“ A proposta do Código Mineral tem que ser encaminhada ao Congresso e
votada pelo Senado e a Câmara o mais rápido possível, para que não haja
mais nenhuma empresa "sentada" em minas, nem aquelas que utilizam um
"labirinto regulatório" para impedir que outros investidores participem do
desenvolvimento regional e do país”, defendeu .

O senador enumerou os investimentos feitos pelo governo federal na área de
infraestrutura, para estimular as empresas a investirem em Mato Grosso
do Sul.

“Estamos concluindo a recuperação da BR 262, no trecho entre Anastácio e
Corumbá. A oferta de energia, que era outro entrave sério para o
desenvolvimento de projetos industriais, tem aumentado progressivamente,
não só com a entrada em operação das usinas termelétricas de Campo Grande
e Três Lagoas, que deram confiabilidade ao sistema, mas também com a
implantação de dois novos linhões de 230 kv. Por outro lado, existe um
grande esforço no sentido de recuperar a nossa malha ferroviária e, além
disso, estamos prevendo no Orçamento da União de 2012 recursos para
investimentos na Hidrovia Paraná-Paraguai, o que vai facilitar bastante o
escoamento de tudo o que é produzido na região. Portanto , ausência de
infraestrutura e dificuldades de logística não serão mais desculpas para
suspender investimentos na produção”.

Embora decepcionado, Delcídio disse ter esperança de que a situação da Vale
em Mato Grosso do Sul mude.

“Espero que a Vale se apresente. Até agora o posicionamento da empresa é
absolutamente ridículo e não corresponde a história , a qualidade de seu
corpo funcional e a tudo aquilo que ela representa não só no Brasil ,
mas também em suas atividades no exterior”, concluiu.

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