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ECONOMIA

Conflito Oriente Médio não impactará redução dos juros, diz Haddad

03 março 2026 - 13h06Por Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira (3) que a atual escalada do conflito no Oriente Médio não deve impactar a redução dos juros no Brasil. 

Definida atualmente em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), a previsão é de que taxa básica de juros, a Selic, comece a ser reduzida na próxima reunião do colegiado, marcada para 17 e 18 de março.

“Tudo é uma questão de momento, nós estamos falando de hoje. A gente não sabe como é que esse conflito vai acontecer, como é que as coisas vão suceder, mas é muito cedo para falar de uma reversão do que está mais ou menos contratado, que é um ciclo de cortes [da taxa Selic]”, disse Haddad em entrevista ao programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional.

Utilizada para controlar a inflação, a taxa Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando se situou em 15,25% ao ano.

Apesar do recuo da inflação e do dólar, o colegiado não interferiu nos juros na última reunião, pela quinta vez seguida, no fim de janeiro.

Em ata, o Copom confirmou que começará a reduzir os juros na reunião de março, caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico. Ainda assim, os juros serão mantidos em níveis restritivos.

A escalada do conflito no Oriente Médio começou no último sábado (28), quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, levando à morte do líder supremo país persa, o aiatolá Ali Khamenei.

A reação do Irã foi forte, com ataques a bases dos Estados Unidos no Oriente Médio e a Israel.

O ministro Fernando Haddad explicou que os conflitos armados sempre afetam variáveis econômicas, sobretudo as expectativas futuras, com base na gravidade dos acontecimentos.

Para ele, cabe à equipe econômica se preparar para qualquer cenário, sejam conflitos armados, eventos climáticos severos, pandemias ou guerras tarifárias.

Para o ministro, é preciso ter humildade e não “sobrevalorizar as forças” do país, mas também não se pode desconsiderá-las.

Haddad acredita que o Brasil tem autonomia suficiente para suportar as consequências atuais do conflito.

“O Brasil não depende de petróleo, o Brasil é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, sobretudo graças ao pré-sal, fruto de investimentos na Petrobras no segundo governo [do presidente Luiz Inácio Lula da Silva]. Nós temos reservas cambiais, nós não temos dívida externa [...], nós temos energia limpa”, acrescentou.

Nesta segunda-feira (2), o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz para a passagens de navios e afirmou que as embarcações que tentarem passar pelo local serão incendiadas. Essa passagem é uma rota fundamental para o transporte mundial de petróleo.

Expansão da China
Especialistas consultados pela Agência Brasil avaliam que a segunda agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em um intervalo de oito meses, busca a “troca de regime” em Teerã, com objetivo de deter a expansão econômica da China, vista como ameaça por Washington, além de consolidar a hegemonia política e militar de Israel no Oriente Médio.

Na entrevista desta terça-feira, o ministro Haddad também afirmou que a China “assusta demais os Estados Unidos”. Segundo ele, esse conflito é um movimento político estratégico, assim como ocorreu na Venezuela, no início de janeiro, como os militares americanos sequestraram o presidente do país, Nicolás Maduro.

“Todas essas movimentações tem muito a ver com a China, tanto na Venezuela quanto no Irã, a questão é o petróleo e a dependência da China da importação de 11 a 12 milhões de barris por dia de petróleo", disse. 

É um certo inconformismo com esse advento, com essa novidade no cenário geopolítico internacional, que é a força econômica e militar da China, que se tornou um desafio para o Ocidente."

"Eu não sei até que ponto é algo que merecesse esse tipo de tratamento [bélico] e não um tratamento de busca de uma maior integração entre as economias e maior cooperação entre os países”, acrescentou o ministro.

A China e o Irã mantêm uma forte parceria estratégica e econômica, com o país asiático comprando a maior parte do petróleo do país persa.

O Ministério das Relações Exteriores da China declarou estar “extremamente preocupado” com os atuais ataques e exigiu a interrupção imediata das ações militares. O governo em Pequim defendeu o respeito à soberania e à integridade territorial do Irã, além da retomada do diálogo e das negociações para preservar a estabilidade no Oriente Médio.

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