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E SE...

05 maio 2006 - 16h07

... de repente, não mais que de repente, o documento que reconhece a Independência do Brasil desaparecesse da Torre do Tombo, em Portugal, se é que ele está lá? Falo daquele, que, em agosto de 1825, permitiu que fôssemos reconhecidos como nação soberana, mediante o pagamento de uma indenização de 2 milhões de libras, das quais Portugal nem viu a cor, pois foi diretamente para os cofres ingleses, seus credores e, a partir daí, nossos também, pois, eles nos emprestaram essa soma. Que “rolo”...Bem... Se analisarmos a Guerra da Independência, veremos que, embora tenhamos conquistado o domínio territorial, não fomos reconhecidos internacionalmente, porque a Santa Aliança (que incluía soberanos europeus, exceto: Grã-Bretanha, Império Otomano e Vaticano) era contra a emancipação das colônias. Isso não quer dizer que os não-signatários eram contra a colonização (no caso dos britânicos e otomanos, muito pelo contrário!); eles apenas não quiseram ou não foram convidados a assinar o pacto. O pagamento da indenização equivaleu, então, a uma “carta de alforria”, no mínimo, curiosa, pois, o mesmo acordo que nos “deu a liberdade” concedeu a D. João VI do título de Imperador Honorário do Brasil! Não bastasse isso, nosso primeiro mandatário e “Defensor Perpétuo”, D. Pedro I, logo após abdicar do trono brasileiro, em 1831, voltou a Portugal para reivindicar seus direitos de primogênito: primeiro na linhagem de sucessão do falecido D. João VI, contra os interesses de seu irmão, D. Miguel... Ou seja: D. Pedro I proclamou a Independência do Brasil, fez guerra contra as tropas das Cortes lusitanas e apesar de tudo isso ainda encontrou, lá, aliados para combater e vencer seu irmão e assumir, embora por um curtíssimo período, o Reino de Portugal, com o título de D. Pedro IV! Em suma, ele deu uma de “migué” no irmão...Prosseguindo esse raciocínio reacionário, se considerarmos que a Proclamação da República, em 1889 foi um episódio interno, bastaria alguém dar um sumiço também nessa documentação, coisa bastante comum nestas plagas, e pronto: o Brasil voltaria a ser colônia portuguesa!Não pode? Por quê? Deixaríamos de ser pentacampeões mundiais? Isso não é problema, pois, Porto Rico é considerado um “Estado Livre Associado” aos Estados Unidos da América, pelo quê todo o cidadão porto-riquenho também é considerado cidadão dos EUA, com os mesmos direitos e liberdades. Apesar disso, eles disputam os Jogos Pan-americanos e Olímpicos com delegações próprias! Assim, “revogadas as disposições anteriores”, poderíamos fazer um referendo e nos declararmos “Estado Livre Associado” de Portugal, com cidadania brasileira e portuguesa; afinal, D. João VI ainda é nosso imperador honorário! Ou poderíamos, simplesmente, voltar a ser cidadãos portugueses de um departamento ultramarino, mas, com duas “pequenas” diferenças: 180 milhões de habitantes e 8,5 milhões de Km2, contra 10,5 milhões de habitantes e 92,4 Km2. De certa forma, isso corrigiria o erro histórico das Cortes Portuguesas que, ao exigirem a volta de D. João VI e do Príncipe Regente à metrópole após o fim da ocupação napoleônica - e, por conseqüência prática, o retorno do Brasil à condição de colônia - precipitaram todo o processo de independência do Brasil, e um longo calvário para a “santa terrinha”.O quê? A União Européia não permitiria isso? Mas, Portugal não é a nossa “Pátria-Mãe”? Que mãe recusaria a volta de um filho, pródigo ou não? Além disso, a Terra de Camões tornar-se-ia, da noite para o dia, um dos maiores países do mundo, ora, pois, pois! Imaginem, então, se as ex-colônias espanholas retornassem ao seio materno da Terra de Cervantes...Obviamente, o processo não é tão simples assim, e nem encontraria respaldo na população das ex-colônias, embora não sejam poucos os que pleiteiam a cidadania dos países seus ascendentes. Mas, isso abre espaço para um outro tipo de reflexão: A globalização não está sendo praticada como uma nova forma de colonização pelas grandes potências, por vezes muito mais cruel que a de fato?* Adilson Luiz Gonçalves é escritor, engenheiro e professor universitário Mestrando em EducaçãoAutor do livro: "Sobre Almas e Pilhas", Editora: Espaço do Autorhttp://www.algbr.hpg.com.br algbr@ig.com.br 

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