Um grupo de pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) conseguiu apagar a memória de ratos em um experimento que aponta para uma nova classe de medicamentos psiquiátricos. Usando roedores para simular o TEPT (transtorno do estresse pós-traumático), os cientistas conseguiram mostrar que uma droga experimental pode servir para tratar humanos.
Com a pesquisa, divulgada para a comunidade científica em fevereiro, o grupo gaúcho entra na corrida pela busca de fármacos mais adequados para atacar o problema.
O TEPT faz vítimas entre veteranos de guerra, moradores de grandes cidades submetidos à violência, seqüestrados e sobreviventes de catástrofes. Elas têm constantes pesadelos e "flashbacks" dos traumas que viveram. Ao associar esses eventos a elementos do dia-a-dia, em geral sofrem de ansiedade e não conseguem retomar sua vida normal.
Atualmente, o tratamento do problema consiste em terapia comportamental e acompanhamento psiquiátrico com medicamentos, mas as drogas usadas hoje não são muito específicas para os sintomas.
"Em geral os medicamentos que se usa [no TEPT] são aqueles para tratar outros transtornos, como os antidepressivos", diz o farmacólogo Rafael Roesler, que liderou a pesquisa.
O cientista, porém, parece ter encontrado um fármaco que ataca um alvo mais adequado: a proteína GRPR, que consolida alguns tipos de memória no cérebro. "Essa molécula parece estar especificamente relacionada quando há algo que envolva trauma, estresse e esse tipo de coisa", diz Roesler.
Usando um modelo experimental que simula traumas em ratos, Roesler conseguiu mostrar a eficácia da droga experimental RC-3095, cuja segurança já foi atestada em ensaios clínicos para o tratamento de câncer. Ela bloqueia a proteína GRPR, o que a torna séria candidata a testes contra TEPT também. "Não acho que estejam longe [de começar]."
Uma vantagem de atacar a GRPR, em relação a outras estratégias, é que ela não parece afetar a manutenção de memórias sem carga traumática. "Quando estudamos modelos animais de memória mais neutros, a GRPR não parece ter papel importante", diz Roesler.
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