Domingo, agora, é dia do lucro!
O Dia do Senhor, descanso, fraternidade, agradecimento, deixou de existir. “Este é o dia que Senhor fez para nós: exultemos e cantemos de alegria” (Sl 118, 24). A ressurreição de Jesus é o dado primordial sobre o qual se apóia a fé cristã (cf. 1Cor 15,14): estupenda realidade, captada plenamente à luz da fé, porém comprovada historicamente por aqueles que tiveram o privilégio de ver o Senhor ressuscitado; acontecimento admirável que não só se insere, de modo absolutamente singular, na história dos homens, mas que se coloca no centro do mistério do tempo.
Para os cristãos, o Domingo não é um dia qualquer, mas um dia que tem uma especial ligação com o mistério da Páscoa de Jesus e está, por isso mesmo, em estreita ligação com as verdades centrais da nossa fé e o mistério da nossa redenção. Perder o sentido do Domingo é ficar cada vez mais longe de Deus e da vida cristã.
Tinham muita razão os 49 mártires Africanos (ano 303-304), quando, logo no início do cristianismo naquele continente, diziam a um juiz que os condenara por serem cristãos e aos que os ameaçavam de morte e os torturavam, eles responderam: “Façam tudo conosco, mas, nós não podemos passar sem o Domingo, sem a Missa”. Para eles era fundamental reunirem-se a fim de “celebrar a Eucaristia, ouvir a Palavra de Deus, receber o Corpo do Senhor e fortalecer os laços fraternos. Daqui lhes vinha a força para a sua vida, o seu compromisso apostólico, o testemunho de amor que queriam dar a todos, como sinal da sua fé em Jesus Cristo vivo. Daí lhes veio a força para o martírio”.
Descobrir o sentido do Domingo é, para um crente, perceber o que ele significa como “o Dia que o Senhor fez para nós”, o valor da sua celebração e o seu significado para a nossa existência humana e cristã.
Hoje, redescobrir o Domingo é algo muito importante, porque ele foi absorvido, para muitos cristãos, pelo “fim de semana”, pelas mais diversas expressões de descanso, de desporto, de compras, de lazer, pelas mais diversas e variadas atividades, que não deixam tempo para o espírito e para Deus. Com a preocupação de ver e fazer muitas coisas, há gente que deixa de ver e reconhecer o essencial; com a pressa e a mania de comprar tantas bugigangas, há gente que deixa de fazer o mais importante. A este propósito, São Paulo tem uma palavra especial para iluminar todos os que crêem no Cristo: “Tudo é vosso, mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus!”(1 Cor 3, 22-23). Somos de Deus. Ele não merece o nosso respeito?
Por isso, numa cidade como Dourados (e outras), que pelos cálculos tem aproximadamente 150 mil cristãos, como o Domingo virou o dia de compras, de tomar cerveja, de ir para Pedro Juan Caballero? Só existe uma resposta: os cristãos só o são de nome, porque o Domingo é um dia sagrado para quem crê em Jesus Cristo, não é um dia para compras.
É triste andar pela cidade “alguns domingos” e perceber que o desejo do lucro tomou conta dos comerciantes, mas isso só acontece porque os cristãos vão às compras neste dia. Se não houvesse clientes não haveria comércio funcionando. Eu mesmo no domingo passado, dia 24 dezembro, desejava comprar algo, não o fiz porque poderia tê-lo feito antes ou depois; era algo simples, um cinto, mas estaria contribuindo com um simples gesto para que o Dia do Senhor fosse desvinculado do cotidiano.
A verdade é que viramos escravos do lucro e do consumismo. Ou não? Ora se tenho R$ 100,00 para gastar, por que não me planejar para ir às compras no sábado? Você pode responder: é o dia que me sobra tempo. Sobra agora, logo – logo você também estará trabalhando neste dia e não lhe sobrará nem mais o domingo para comprar, imagina para você mesmo e para Deus. Por que banalizar o domingo? Todos somos livres, mas cada pessoa é responsável diante de Deus por seus atos.
É uma pena que a vida de Jesus, oferecida no Presépio e na Cruz para nos libertar exatamente desta escravidão do ter, do poder, do prazer, seja tão desprezada.
Pe. Crispim Guimaraes
Assessor de Comunição da Diocese de Dourados
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