Visitar o CDR (Centro de Documentação Regional) da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) dá aquela sensação de nostalgia e curiosidade sobre as origens de quem vive nessa região e até para quem não é tão velho assim e nem historiador. O local concentra registros dos mais diversos, desde os recentes que vão ser conteúdo valoroso no futuro, até materiais antigos. Tudo em prol da conservação dos registros históricos regionais e das pesquisas acadêmicas.
“Muita gente acha que documento é só aquele papel oficial, timbrado, do governo ou o jornal. Mas, não é. Um panfleto é documento, ele registra como era a propaganda, os materiais usados, a forma de escrever, o vocabulário naquela época”, relata o professor Paulo Roberto Cimó Queiroz, coordenador do CRD.
À primeira vista o Centro é apenas um espaço como outro qualquer para pesquisa, com equipamentos eletrônicos, mesas, armários e estantes. Mas, olhando mais de perto guarda desde os registros, digamos, convencionais até os curiosos e inusitados.
Na coleção que leva o nome do Weimar Torres - um dos pioneiros da cidade e que dá nome a avenida -, por exemplo, tem uma cópia do diário deste pioneiro de Dourados. O item estava num baú cujo conteúdo foi doado para o CDR pela família. “O diário mesmo não nos deixaram trazer, mas foi permitida a cópia e está aqui disponível”, conta ele.
Em outra coleção, o local armazena embalagens de produtos sul-mato-grossenses, mato-grossenses e fronteiriços. Nas caixas estão garrafas, papéis, potes, saquinhos de plástico e papel, e outros. São iogurtes, águas, sucos e outros itens fabricados em Mato Grosso do Sul.
Numa dessas, por exemplo, estão frascos de “Laranjinha”. O suco armazenado num recipiente de plástico era comercializado num passado bastante recente em diversos pontos de movimento de Dourados por ambulantes que o levava em carrinhos, muitos destes veículos em formato de laranja.
Percorrendo o espaço, é possível ainda encontrar cartazes, panfletos, jornais das mais diversas épocas. Tem ainda muito registro em VHS que aos poucos é convertido em DVD. Também tem livros, teses acadêmicas, entre outros.
O acervo é grande e não conta só com coisas antigas. “O que hoje é atual, no futuro não será. Então, se torna um valoroso material para ser usado nas pesquisas, por isso guardamos também documentos atuais como é o caso dos jornais”, afirmou o professor. Exemplares do Dourados News impresso estão disponíveis no CDR, assim como de outros veículos de comunicação do Estado, [relembre aqui](http://www.douradosnews.com.br/noticias/exemplares-impressos-do-dourados-news-sao-doados-ao-centro-de-documentacao-da-ufgd).
Todos os materiais do Centro chegam ali das mais diversas formas. Seja por doações, projetos da instituição ou até “busca” feita por quem se dedica a manter o local funcionando. “A gente tem uma Kombi, então se não puder trazer é só avisar que a gente pega ela e vai buscar o material”, relata o professor.
Um exemplo de projeto é o que foi feito para conseguir no Arquivo Nacional que fica no Rio de Janeiro, documentos importantes para o estudo da história regional. “Agora quem necessita para pesquisa não precisa viajar, pode pegar aqui”, relatou.
Professor Paulo Cimó mostra o funcionamento da estrutura do CDR (Foto: Fabiane Dorta)Tudo o que chega é higienizado adequadamente, catalogado e armazenado por categorias e coleções para fácil acesso.
O espaço tem equipamentos de alta tecnologia. Precisa de uma climatização e estrutura predial mais adequada para comportar a documentação, mas o professor relata que há projeto de novas instalações com todos os quesitos necessários e que mesmo como está o prédio atual consegue conservar os materiais a contento. “Mesmo necessitando de mais alguns ajustes, consideramos que aqui todo material está muito bem cuidado”, relatou.
Parte do que está no acervo é de exemplares originais, outros em cópias ou digitalizações. Muitos conteúdos estão em microfilme que pode ser visualizado através de um equipamento que o CDR possui e inclusive digitalizado para que o visitante possa levar uma cópia.
O CDR foi criado em 1983 e está vinculado à FCH (Faculdade de Ciências Humanas) que abriga os cursos de História, Geografia, Letras e Educação. Além do coordenador, a equipe que mantém o local ainda é composta pela bibliotecária-documentalista Ivanir de Souza e o assistente administrativo que também é doutor em história Carlos Gonçalves, além de vários voluntários de cursos da universidade.
O material que está no Centro é usado para fonte de pesquisa para acadêmicos da UFGD e de outas universidades do Estado e do país, além de pesquisadores ligados a instituições internacionais. O local é aberto à comunidade que aprecia conhecer mais de sua história.
A procura pelo centro tem aumentado gradativamente. Conforme balanço mais recente feito pelos gestores do espaço a média de 2013 era de 45 usuários mensais, passando para 58 pesquisadores em 2014.
Quem tiver interesse em conhecer, o espaço fica na Unidade II da UFGD. Também é possível ligar para buscar informações sobre o espaço através do telefone 3410-2315 ou pela [Fanpage do CDR](www.facebook.com/cdrfchufgd).
O mesmo caminho é para quem deseja fazer as doações. Se a pessoa tiver dúvidas se o material é o usado pelo CDR, basta entrar em contato que os gestores tiram as dúvidas e vão buscar da forma como ele estiver.
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Frascos de “Laranjinha” estão armazenados no Centro de Documentação que registra empresas do Estado (Foto: Fabiane Dorta)