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Desprezada, decoreba é a melhor opção no ensino, diz especialista

20 janeiro 2013 - 08h30



As crianças em idade escolar - e até mesmo os pais - podem não perceber, mas por trás do aprendizado do alfabeto ou da tabuada estão diferentes abordagens, por vezes opostas, que visam a consolidar ensinamentos básicos para o ser humano. A solução encontrada por muitos educadores para o ensino das letras e dos números aos pequenos é decorar: um método defendido por diversos especialistas que também é alvo de críticas, especialmente entre adeptos do construtivismo.

O neurocientista da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e coordenador científico do Instituto do Cérebro do RS (InsCer), Ivan Izquierdo, afirma que não há como fugir da decoreba, pois alguns conteúdos só são possíveis de se aprender por meio desse método. Especialistas em educação defensores da teoria construtivista de Jean Piaget, contudo, dizem que nem toda informação se transforma em conhecimento, e que, por isso, os alunos precisam trilhar seus próprios caminhos de assimilação.

"Decorar é uma das técnicas mais usuais e uma das mais úteis", argumenta Izquierdo. Para o neurocientista, o uso da memória é a melhor maneira de fazer com que uma criança aprenda os números, as letras, a tabuada; na vida diária, afinal, ela decora nomes de pessoas e objetos, poesias ou letras de canções. Do ponto de vista neurobiológico, essa não seria apenas a melhor, mas a única opção. "Para aprender que flor se chama flor, não há como explicar. Só decorando. Alguém diz que é flor, depois a criança repete", frisa Izquierdo. A repetição e a absorção dessas informações pela visão e pela audição, segundo essa lógica, são a raiz de uma memória duradoura.

Na visão construtivista, contudo, o desenvolvimento do conhecimento ocorre por processos. Uma novidade ou algo desconhecido provoca um desequilíbrio. Para reordenar as ideias e criar hipóteses para atingir o aprendizado, o sujeito compreende e aprende a partir de relações com suas experiências e conteúdos previamente assimilados. "Esse é um ponto fundamental da concepção construtivista. Trata-se de um processo, uma construção permanente. A informação não necessariamente se transforma em conhecimento de forma imediata", explica o professor de psicologia do desenvolvimento da Faculdade de Ciências e Letras de Assis da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Mário Sérgio Vasconcelos.

Diferentemente da decoreba, a teoria de Piaget prevê que as pessoas podem agir sobre as informações por meio de processos adaptativos que são a assimilação (incorporação de novos elementos) e acomodação (uma adaptação por influência do meio e do próprio ponto de vista do sujeito).

Pela lógica do construtivismo, as crianças dos primeiros anos da educação básica aprendem letras e números conforme o significado que eles têm em suas vidas. A percepção pessoal desses elementos entra em cena, por exemplo, na hora de conhecer o alfabeto. Inicialmente, os professores podem trabalhar o nome da criança e explorar as letras que o compõem, em vez de apenas expor todo o abecedário. Depois, conforme a evolução, dá para incluir outras palavras que fazem parte da vivência dos pequenos. Contudo, Vasconcelos garante que o construtivismo não nega que, se a pessoa exercitar determinada informação, ela pode compreender e conhecer. "Quando as pessoas decoram algumas coisas, elas também aprendem. Mas nem todo conhecimento pode ser assimilado dessa maneira", destaca o professor.

A importância do construtivismo, nesse sentido, é estabelecer as relações necessárias para que isso não seja esquecido. "Memória no construtivismo não é só gravar. Tem que relacionar as informações a outras aprendidas anteriormente", observa a professora de metodologia de ensino da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) Vânia Galindo Massabni. A especialista afirma que não se pode falar em aprendizagem se não há conservação do conhecimento absorvido - só quando há uma memória estável. O aluno pode simplesmente memorizar a data do descobrimento do Brasil, por exemplo, mas irá aprender de fato quando puder relacionar informações a esse acontecimento histórico. No caso dos conteúdos dos anos iniciais, entretanto, ela admite que muitas das informações vêm de acordos ou convenções sociais e não podem ser construídas, mas sim memorizadas - como é o caso do alfabeto e dos nomes. "Não tem como a criança elaborar por si só. Ela precisa guardar essa informação para que outras memórias sejam construídas dentro de um contexto", considera Vânia.

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