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SAÚDE & BEM - ESTAR

Depressão: uma inimiga silenciosa, não é frescura!

17 outubro 2020 - 07h17Por Uisney Gomes Portella

“Você não é mais nem sombra da pessoa alegre que você era. O que está acontecendo contigo?”

Ainda lembro perfeitamente de quando ouvi essa frase. Ouvir isso de minha esposa soou como uma bomba. Ela tinha razão. Não sabia mais o valor e o prazer de um sorriso. Era primavera e as árvores de Dourados estavam floridas, com suas cores exuberantes. Pena que eu não conseguia enxergá-las. A vida estava com um monótono tom acinzentado. Não havia pessoas, sorrisos ou notícias que pudessem trazer um pouco de alegria. AQUELE NÃO ERA EU! Depois de um isolamento autoimposto, consegui perceber que era hora de buscar ajuda. Não conseguiria sair daquilo sozinho. EU PRECISAVA VOLTAR A VIVER, PELA MINHA FAMÍLIA E POR QUEM EU AMAVA!”

Uma pessoa muito especial para mim, descreveu o que sentia durante o período em que esteve deprimida. Gostaria de não ser taxativo, mas, infelizmente, muitas pessoas se identificarão com a narrativa acima. Não se trata de pessimismo, são números. A depressão é uma doença que atinge 4,4% da população mundial, 5,8% da população brasileira, o que coloca o Brasil em segundo lugar em número de casos, perdendo apenas para os Estados Unidos (Fonte: Jornal da Universidade de São Paulo). É uma triste constatação: A DEPRESSÃO É UMA INIMIGA SORRATEIRA E SILENCIOSA, QUE ESTÁ MAIS PERTO DO QUE IMAGINAMOS.

Quais são os sintomas da depressão?

Somos 7,8 bilhões de pessoas no mundo. Mesmo com esse número inimaginável de habitantes, não há pessoas idênticas em todos os sentidos. Ser um indivíduo é uma característica da humanidade. Ou seja, você que está lendo esta matéria, orgulhe-se de ser o único “você” no mundo. Mesmo diante de “tanta exclusividade” ainda possuímos alguns traços comuns. Nascemos de um ventre, nos relacionamos ao longo de nossas vidas, trabalhamos, estudamos, enfim, as outras pessoas fazem parte do nosso cotidiano. Não estamos numa ilha isolada, interagimos a todo momento. Com isso, inevitavelmente, nós construímos uma história, um jeito de ser, a nossa personalidade. Portanto, uma mudança de comportamento, por menor que pareça, pode ser percebida pelas pessoas à nossa volta.

Quando falamos de depressão, estamos falando de mudança de comportamento. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM 5), da Associação Americana de Psiquiatria, cataloga, cientificamente, cerca de trezentas doenças que se relacionam com o funcionamento mental das pessoas. A depressão é uma delas. Segundo o manual, podemos elencar alguns sintomas dessa doença, são eles:

O quadro acima é para informar e não para o “autodiagnóstico”. Ou seja, caso identifique algum desses sintomas, em você ou alguém próximo, busque ajuda médica. A depressão não é frescura! É uma doença que se manifesta em todas as classes sociais. Não é “coisa de rico” ou “coisa de pobre”. “ELA É COISA QUE DÁ EM GENTE!”
 
O que acontece no cérebro quando estamos com depressão?
 
Felizmente a depressão recebeu atenção de pesquisadores do mundo inteiro. Através de estudos minuciosos foi possível identificar o funcionamento fisiológico da depressão. O indivíduo saudável possui quantidades equilibradas de certos mensageiros químicos que transportam, estimulam e equilibram os sinais entre os neurônios. Esses mensageiros são chamados neurotransmissores. Graças a eles, podemos sentir o prazer do sexo, de uma barra de chocolate, de nos exercitar, por exemplo. Quando as quantidades dessas substâncias estão alteradas, sofremos desajustes como compulsões alimentares, em jogos, em substâncias estimulantes como alguns tipos de drogas.
 
A depressão está diretamente ligada à diminuição de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e dopamina. Sem a atuação eficaz desses mensageiros químicos, que proporcionam a sensação de prazer e bem-estar, os sintomas dessa terrível doença se manifestam. O tratamento passa por reequilibrar a disponibilidades dessas substâncias no cérebro. Assim, o auxílio medicamentoso com antidepressivos se faz necessário para atingir índices normais do funcionamento bioquímico cerebral. Tais medicamentos atuam de modo a aumentar a quantidade de neurotransmissores disponíveis entre os neurônios. Com mais “oferta” os níveis se reequilibram, reduzindo os sintomas.
 
Observe a imagem abaixo:
 
 
Percebam que na imagem da esquerda os neurotransmissores (quadradinhos cor de rosa, e bolinhas azuis) estão em maior quantidade. Isso é o que se espera no funcionamento normal do cérebro. Na imagem da direita, vemos uma acentuada diminuição dos neurotransmissores. É o que acontece no cérebro de uma pessoa com depressão. Portanto, há uma explicação científica para a doença, reforçando o fato de que “não é frescura”.
 
A psicoterapia é fundamental para o tratamento da depressão
 
Terapia ajuda sempre! Conhecer a si mesmo(a) é uma excelente oportunidade para o crescimento pessoal. É sempre bom lembrar que não existe uma “vida perfeita”. Ao longo de nossa história nos deparamos com perdas, luto, afetos e decepções. Portanto, é normal estarmos apresentarmos alternância de humor. Estaremos tristes em determinados “dias ruins”, alegres e produtivos em “dias bons”. Isso se chama vida! O problema é quando, na maior parte do dia, e constantemente, estamos tristes, não desejamos ver ninguém (nem pessoas queridas), nada nos atrai. Nessas condições, morremos antes da morte chegar. Cuidado, pode ser depressão!

Após o diagnóstico pelo médico psiquiatra, a pessoa com depressão deve buscar atendimento psicológico. A importância desse tratamento, que ocorre juntamente com os medicamentos prescritos pelo médico, é proporcionar melhores condições psicológicas para o paciente superar a doença e retomar sua funcionalidade psicossocial. Afinal, mesmo identificado e tratado com remédios, os gatilhos psicológicos que contribuíram para a instalação do quadro depressivo ainda estarão presentes. Portanto, identificar as fragilidades e fortalecê- las, é o caminho que deve ser trilhado pelo paciente para retomar sua energia vital ou, como diria o filósofo Baruch Spinoza, a nossa potência de agir. A vida merece ser vivida com qualidade e plenitude!
 

Temos duas opções quando percebemos a mudança no comportamento de quem amamos. A primeira é ignorar e deixar que “as coisas se acertem” por elas mesmas. A segunda, é tentar fazer com que a pessoa entenda que necessita de ajuda. Ignorar é mais fácil, obviamente. Por outro lado, o convívio com uma pessoa com depressão é cada vez mais difícil. Isso se dá porque um dos sintomas clássicos é irritabilidade extrema. Com isso, as relações familiares se deterioram em pouco tempo. É doloroso observar que aquela pessoa alegre e participativa, se tornou um ser desconhecido. Deixar que as coisas se acertem não traz benefícios para familiares, amigos e, principalmente, para a pessoa com depressão.

Investir no tratamento é a melhor saída! Inicialmente pode haver resistência. Uma das mais comuns é achar que psiquiatra e psicólogo “só tratam de maluco”. Não é verdade. A saúde mental é um dos bens mais preciosos que uma pessoa pode dispor. Sem ela, não se pode usufruir de nada que se construiu ao longo da vida. Por isso, buscar ajuda profissional é para pessoas que desejam qualidade de vida, isso não me parece ser “coisa de maluco”! O psicólogo não faz a mágica de remover os problemas de nossas vidas. Ele ajuda o paciente a construir uma consciência de si, o que repercutirá na forma em que lida com seus problemas. Com isso, o que causava extremo desconforto, com a terapia, passa a ser entendido de outra forma, diminuindo os efeitos nocivos no funcionamento psicológico.

Após ler esta matéria, reflita sobre as informações passadas. A depressão é uma realidade que, infelizmente, se avizinhou de nós. Não é difícil ter passado, ou estar passando, por isso, ou, quem sabe, conhecermos alguém que se transformou numa pessoa muito diferente do que era. De toda forma, a depressão é um fantasma da pós-modernidade. Pessoas que apresentam sintomas merecem nossa atenção, não se pode julgar, não se pode atribuir juízo de valor à dor do outro, pelo contrário, ela deve ser respeitada como se fosse conosco. Afinal, “o dono da dor sabe o quanto dói!”

Busque ajuda profissional. A depressão é um potente ácido que dissolve a alegria de viver. Ela sufoca, aperta o peito e nos faz destruir, muito mais rápido do que imaginamos, aquilo que levamos muito tempo para construir: nós mesmos. Não há nada perdido! Lute por você. Lute por quem você ama. Viver é um dom! Viver bem é uma possibilidade mais próxima do que se imagina!

Agende sua sessão de terapia. Estou disponibilizando condições diferenciadas nesse período conturbado para a sociedade douradense e das regiões próximas. Aguardo seu contato.

Telefone: (67) 99660-8147

Facebook: Uisney G. Portella Psicólogo

https://uisneypsico.com.br

Rua Toshinobu Katayama 1350, Sala 7, Galeria Planalto, Vila Planalto, Dourados - MS

 

 

 

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