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Definição de superministério social provoca tensão no Planalto

21 janeiro 2004 - 13h54

Acirrou-se a disputa no PT e no governo entre os dois nomes mais cotados para o futuro superministério da área social, o deputado federal Patrus Ananias e o ministro Tarso Genro (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social). Até anteontem Luiz Inácio Lula da Silva demonstrava preferência por Patrus, mas Tarso estava no páreo. Ontem, os partidários de ambos apresentaram ao presidente seus prós e contras. Ontem foi um dia tenso no Palácio do Planalto, especialmente para o ministro José Dirceu (Casa Civil), interlocutor de Lula na negociação da reforma. Ministros disseram à Folha que Lula andou tendo "novas idéias" e que pode mudar acertos de Dirceu. Antigo militante da esquerda católica, Patrus ajudaria o governo a se recompor com os setores da igreja que criticam duramente a área social de Lula, como Zilda Arns, da Pastoral da Criança, e dom Mauro Morelli, bispo de Duque de Caxias (RJ). Já Tarso, se escolhido, salvaria o ministro Miro Teixeira, que sairá das Comunicações para dar lugar ao líder do PMDB na Câmara, Eunício Oliveira (CE). Miro poderia ser acomodado no atual ministério de Tarso, preservando um ministro do Rio de Janeiro. Ou seja, com Tarso, haveria só remanejamento. Com Patrus, Lula teria uma vaga a menos. Na hora em que precisa de lugares, é um fator a ser considerado. Mas Tarso sofre bombardeios. Um deles vem de seu Estado, o Rio Grande do Sul. Espécie de rival petista do ministro Olívio Dutra (Cidades), teria seu poder ampliado com a ida para a área social. Também pegaram mal críticas de Tarso à política econômica, feitas no início do ano, na revista "Primeira Leitura". Tarso disse que Lula deveria mudar uma política econômica que julga uma "ortodoxia monetária". Teme-se que ele fique atirando no ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda). Os defensores de Patrus, entre eles o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral), argumentaram com Lula que ele tem um perfil mais conciliador do que o de Tarso e que se sairia melhor na hora de fazer articulações com outros ministérios. Do ponto de vista administrativo, ambos são bem-vistos. Patrus foi prefeito de Belo Horizonte. Tarso, de Porto Alegre. Lula também ouviria entre ontem e hoje a opinião do governador Aécio Neves (PSDB-MG) sobre a eventual nomeação de Patrus. Lula e Aécio se dão bem. A procura de um abrigo para a atual ministra Benedita da Silva levou Lula a analisar a possibilidade de colocá-la no lugar de Emília Fernandes (RS), secretária especial de Políticas para as Mulheres que tem status de ministra. Haveria excesso de gaúchos no ministério, e Lula poderia preservar outro ministro fluminense. O futuro superministério será uma união da pasta de Benedita com a de José Graziano (Segurança Alimentar e Combate à Fome), além de agregar o Bolsa-Família. Após almoço com líderes, o ministro-chefe da Casa Civil procurou o líder do PSB na Câmara, Eduardo Campos (PE), e disse: "Vamos conversar com o [Miguel] Arraes". Arraes, presidente do PSB, acertara com Dirceu a ida de Campos, seu neto, para a vaga de Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia, também do PSB). No entanto, havia pressão no PT e em parte da comunidade científica para Dirceu rever um acerto que fizeram com aval de Lula. O ministro disse a interlocutores que estava "muito tenso", com medo de ser desautorizado por Lula. Em dezembro de 2002, Dirceu fez acordo para dar dois ministérios ao PMDB, mas Lula recuou e o deixou vendido.

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