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MEMÓRIA VIVA

Da rivalidade no futebol, surgiu romance que já dura 56 anos

02 dezembro 2015 - 07h47

Se considerarmos que no Brasil não é exagero dizer que time de futebol é como se fosse família, Dourados também tem sua história de amor que mais parece coisa de Shakespeare. Nessa reportagem da série “Memória Viva” em comemoração aos 80 anos da cidade, o Dourados News conta a vivência de um Romeu que jogou futebol na praça e na Leda, e encontrou sua Julieta na rivalidade entre times de futebol douradenses. Um casal que continua junto há 56 anos.

O nosso Romeu é pioneiro na cidade, atende pelo nome de Alkindar Matos Rocha, 82. Seu pai era funcionário do SPI (Serviço de Proteção ao Índio) – hoje Funai - , e ele nasceu no posto de órgão localizado na aldeia Jaguapiru, junto com seus irmãos. Depois de um tempo seu pai se mudou para outras cidades com a família.

Quando tinha em torno de 12 anos de idade, Alkindar voltou a Dourados com o irmão para estudar na escola Erasmo Braga. Eles ficaram na casa do tio, Antônio de Carvalho, que foi prefeito e era conhecido como “Carvalinho”.

Logo no primeiro domingo, ele, o irmão e um primo foram à praça, trajados como na época, com aqueles shorts mais compridos feitos de brim. Chegando os dois novatos na área, os jovens que ali estavam fizeram com eles várias brincadeiras e até judiaram. “Nós éramos bons de briga e depois disso não podíamos mais andar sozinhos na rua, só andávamos em trio”, conta ele.

Bem nessa época, Alkindar começou a jogar futebol ali mesmo na praça Antônio João, que era o ponto de “pelada” dos douradenses. Grupos de amigos oriundos de famílias tradicionais da cidade iam para lá jogar futebol rotineiramente.

Quem tinha tênis ia com, quem não tinha jogava descalço. Na praça não havia grama. Era um “terrão” cercado com arame e tinha as duas traves para receber os jogos. A igreja até já estava ali, mas era uma casinha bem pequena, ainda longe de ser a alta e imponente catedral que virou ponto de referência na cidade.

“A diversão que a gente tinha naquele tempo era o futebol”, conta ele. Mulher não jogava, aliás, nem ia até o local para assistir. A praça era lugar para namorar, mas não na hora do futebol. Nessa época, Alkindar já era namorador, mas sua Julieta apareceu mesmo em outro período.

Quando os estudos terminaram, o pioneiro foi embora da cidade. Mas, depois de certo tempo o irmão dele achou que Dourados estava crescendo muito e a decisão foi voltarem a Dourados, de onde não saíram mais desde então. Nessa temporada, em meados dos anos 50, que o romance começou.

Um senhor chamado Airton Barbosa fundou um time na cidade chamado Cruzeiro – como era torcedor do flamengo, as cores da camisa eram rubro-negras. Alkindar e o irmão tinham uma farmácia da época – eles são da família fundadora da Farmácia Popular -, ajudaram a formar a equipe e davam apoio ao time.

No campo como jogador, Alkindar defendia com garra a camisa do Cruzeiro. Mas, na arquibancada o que lhe chamava a atenção estava na torcida do time adversário: a Julieta dessa história douradense, que se chama Ruth Bianchi Rocha, 73. Ela é irmã de Rafael Bianchi, conhecido como “Faé”, fundador do Ubiratan. Assim como sua família, ela era uma fervorosa torcedora do leão da fronteira. “Era eu jogando defendendo um time de um lado e ela do outro lado, torcendo para outro. Foi assim que a gente começou”, conta ele.

Nessa época a praça não era mais ponto de pelada, os jogos já aconteciam no estádio da Leda (Liga Esportiva Douradense de Amadores) que estava sempre fervoroso e lotado. “Foi no início da Leda, futebol enfezado, bom, tinha todo domingo e enchia de gente”, conta Alkindar. A Leda também não tinha grama no começo, era campo de terra.

De quando se conheceram em meio à rivalidade do futebol, até se casarem foi ao todo seis anos. “Eu namorava três nessa época”, conta ele dando risada e se divertindo com o passado. Ruth sabia da fama de namorador de Alkindar.

Ele lembra que ela era de uma família bastante humilde. Já ele, era mais abastado e frequentava casas de famílias mais ricas. “Tinha umas fazendeiras, um pessoal da Igreja Presbiteriana que a gente frequentava. Mas, quando ela [Ruth] aparecia e eu a via, sabia que era ela”, conta com aspecto de quem ainda é um homem apaixonado.

Ruth fumava na época e ele falava que se ela não parasse de fumar, não se casaria com ela. “Mas, aí o amor venceu e eu casei com ela fumando mesmo. Aliás, está fumando até hoje”, conta. “Eu falo que ela me dominou. Eu tentei ser valente com ela, mas não fui. Já são 56 anos juntos”, relatou. O casal selou a união em 1.959 e hoje tem filhos, netos e até bisnetos.

Alkindar Matos Rocha e Ruth Bianchi Rocha (Foto: Fabiane Dorta)

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